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Este relato descreve a atuação do Serviço de Atenção Especializada em IST/Aids, localizado na zona norte da cidade de São Paulo, no monitoramento para a manutenção da eliminação da transmissão vertical do HIV na cidade. Após a implementação do Núcleo de Monitoramento em Saúde (NUMES), intensificando o acompanhamento semanal por equipe multiprofissional. A metodologia envolve acompanhamento longitudinal, gestão do cuidado compartilhado em equipe multiprofissional e gestão de dados compartilhados de forma intrasetorial. Os resultados de 2024 e 2025 evidenciam êxito na supressão viral da maioria dos recém-nascidos expostos, exceto por um caso de transmissão decorrente de falhas no pré-natal da saúde suplementar. Conclui-se que o monitoramento contínuo, aliado ao acolhimento humanizado de populações vulnerabilizadas, como imigrantes, é vital para garantir a efetividade da prevenção e sustentar a certificação do município.
Descrever a implementação de estratégias e atuação da equipe multiprofissional para o monitoramento e a manutenção da qualificação assistência às gestantes vivendo com HIV e crianças expostas ao HIV acompanhadas pelo SAE Santana.
Trata-se de um relato de experiência sobre monitoramento de gestantes e crianças expostas no SAE. Os dados são registrados e compartilhados com a Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS), a Divisão Regional de Vigilância em Saúde (DRVS) e com a Coordenadoria de IST/Aids. Em 2024, foram identificadas lacunas no acompanhamento e monitoramento, e, com a criação do Núcleo de Monitoramento em Saúde (NUMES) na Rede Municipal Especializada em IST/Aids, foram implementadas estratégias para qualificar o monitoramento da transmissão vertical nos serviços. O acompanhamento passou a ser semanal, com integração da equipe multiprofissional, garantindo atualização contínua de dados. Ausências às consultas passaram a serem seguidas de busca ativa por telefone ou aplicativo; na impossibilidade do contato, realiza-se visita domiciliar. Comunicação acolhedora, escuta qualificada e flexibilidade no agendamento fortalecem o vínculo com as gestantes. As ferramentas de registro abrangem dados como: identificação, notificações (SINAN), diagnóstico, início da terapia antirretroviral da gestante, aprazamentos no seguimento, exames (carga viral/sorologias para HIV), dados do parto, profilaxias (parto/neonatal) e planejamento familiar. A articulação com as Unidades Básicas de Saúde e maternidades possibilita uma atuação de referência e contrarreferência qualificadas e acompanhamento longitudinal da gestante ou puérpera vivendo com HIV e da criança exposta.
Em 2024, foram registradas 44 gestantes acompanhadas pelo serviço, das quais 34 evoluíram para parto, ocorreram quatro abortamentos e seis retornaram ao país de origem. No período, foram registrados 43 recém-nascidos: três transferidos para outros estados, um para outro país e um para outro SAE. Quanto à carga viral nas 12 semanas de vida, 38 crianças apresentaram resultado não detectável e cinco não realizaram a coleta nesse período. Destas, duas possuíam exames anteriores não detectáveis. Uma criança apresentou apenas carga viral ao nascimento, também não detectável, devido à transferência para a Bolívia. Do total de crianças registradas em 2024, 13 já apresentaram sorologia para HIV não reagente a partir dos 12 meses de vida. Durante o ano de 2025 foram registradas 42 gestantes, com 18 partos, dois abortamentos, um natimorto e uma gravidez tubária. Nesse ano, 38 crianças foram acompanhadas, todas com cargas virais não detectáveis até o momento, exceto uma criança cuja mãe realizou apenas duas consultas de pré-natal na saúde suplementar, envolvendo falhas assistenciais no cuidado e acompanhamento do caso pela empresa. A soropositividade materna foi identificada no parto, com realização das profilaxias intraparto e neonatal. A criança foi encaminhada ao SAE Santana para acompanhamento, após apresentar carga viral detectável ao nascimento e em exames subsequentes.
Apesar das estratégias e ações implementadas, ainda persistem lacunas significativas no acompanhamento do pré-natal, especialmente entre populações vulnerabilizadas. Imigrantes frequentemente iniciam o pré-natal tardiamente ou chegam ao Brasil apenas no momento do parto, o que compromete o seguimento adequado e aumenta o risco de agravos à saúde materno-infantil. Além disso, barreiras de acesso aos serviços de saúde dificultam a adesão e a continuidade do cuidado. O monitoramento contínuo, aliado ao diagnóstico precoce e à oferta imediata da terapia antirretroviral (TARV), é fundamental para reduzir a transmissão vertical do HIV. Estratégias como acolhimento humanizado, flexibilização da agenda e fortalecimento da vinculação e retenção ao serviço de saúde são essenciais para garantir a efetividade das ações preventivas e consolidar a manutenção da eliminação da transmissão vertical do HIV.
IST/AIDS,Vigilância à Saúde,Saúde materno infantil
NORMA ETSUKO OKAMOTO NOGUCHI, SVETELANIA SORBINI FERREIRA, CLAUDIA MORI, ANA LAURA CAUS CASTILHO, ADRIANA BUENO DINESHE GETHA SAMGI, BABIANA DE FARIAS GONÇALVES MELO