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A assistência farmacêutica é um eixo estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS), essencial para o uso racional de medicamentos, a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. Entretanto, a efetividade das orientações terapêuticas ainda representa um desafio para grupos específicos, como pessoas com deficiência visual e indivíduos não alfabetizados, que enfrentam barreiras comunicacionais nos serviços de saúde. Embora avanços em acessibilidade tenham sido observados nas Unidades Básicas de Saúde nos últimos anos, persistem desigualdades associadas a contextos socioeconômicos distintos, reforçando a necessidade de estratégias inclusivas. Nesse contexto, recursos sonoros vêm se destacando na comunicação em saúde, contribuindo para o acolhimento, a humanização e o fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuários. A audiodescrição, entendida como a tradução sonora de informações visuais ou textuais, configura-se como uma tecnologia assistiva capaz de ampliar o acesso à informação em saúde. Sua aplicação na assistência farmacêutica pode favorecer a autonomia dos usuários, melhorar a compreensão das orientações medicamentosas e contribuir para a adesão ao tratamento. Assim, este artigo tem como objetivo relatar a experiência de implementação da audiodescrição na assistência farmacêutica de uma Unidade Básica de Saúde, evidenciando seu potencial como estratégia acessível, de baixo custo e alinhada aos princípios de equidade e integralidade do SUS.
A assistência farmacêutica é um eixo estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS), essencial para o uso racional de medicamentos, a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. Entretanto, a compreensão das orientações terapêuticas ainda é um desafio para pessoas com deficiência visual e indivíduos não alfabetizados. Nesse contexto, a audiodescrição, entendida como a tradução sonora de informações visuais ou textuais, apresenta-se como tecnologia assistiva capaz de ampliar o acesso à informação. Sua aplicação na assistência farmacêutica pode promover autonomia, melhorar a compreensão das orientações medicamentosas e favorecer a adesão ao tratamento. O artigo relata a experiência de implementação da audiodescrição em uma Unidade Básica de Saúde, destacando seu potencial como estratégia acessível e alinhada aos princípios do SUS.
A implementação da audiodescrição foi estruturada em cinco etapas: Etapa 1 – Identificação das necessidades: Foram realizadas escutas qualificadas durante o atendimento farmacêutico para identificar dificuldades relacionadas à leitura de rótulos, bulas e prescrições, bem como dúvidas frequentes quanto à posologia e aos horários de administração dos medicamentos. Etapa 2 – Produção dos áudios: Com base nas necessidades identificadas, foram elaborados roteiros em linguagem simples e objetiva, contemplando nome do medicamento, indicação, dose, horário de uso e cuidados principais. Os áudios foram gravados pela equipe farmacêutica, garantindo clareza, ritmo adequado e vocabulário acessível. Etapa 3 – Geração dos códigos QR: Os arquivos de áudio foram vinculados a códigos QR, os quais foram impressos e fixados nas embalagens dos medicamentos, além de disponibilizados em cartazes informativos na farmácia da UBS. Etapa 4 – Capacitação dos usuários: Os pacientes receberam orientações práticas sobre como acessar os áudios por meio do uso do telefone celular, com demonstrações presenciais e apoio individualizado quando necessário. Etapa 5 – Monitoramento e avaliação: O uso da tecnologia foi acompanhado durante os retornos farmacêuticos, com coleta de feedback qualitativo dos usuários e dos profissionais de saúde, permitindo ajustes nos conteúdos e na forma de apresentação dos áudios.
Observou-se melhora na compreensão das orientações farmacoterapêuticas, maior adesão ao tratamento medicamentoso e elevada satisfação dos usuários durante o acompanhamento farmacêutico, além de aceitação positiva por parte dos profissionais de saúde.
A incorporação da audiodescrição nos meios de comunicação da assistência farmacêutica do SUS mostrou-se uma estratégia eficaz para ampliar a acessibilidade, melhorar a compreensão das orientações terapêuticas e promover maior autonomia entre pacientes com deficiência visual e baixa escolaridade. A experiência evidencia que inovações tecnológicas simples, quando orientadas pelas necessidades dos usuários, podem gerar impactos relevantes na qualidade e na humanização do cuidado em saúde, reforçando o compromisso do SUS com a equidade e a inclusão social.
Audiodescrição. Acessibilidade. Inclusão Social.
BIANCA MARIANNO, DAIANE DIAS CARDOSO