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A classificação de risco é um dos pilares da organização do atendimento em unidades de urgência e emergência, garantindo que o cuidado seja prestado de forma segura e priorizando os pacientes conforme a gravidade clínica. O Protocolo de Manchester, validado no Brasil, é uma ferramenta reconhecida internacionalmente por sua objetividade e confiabilidade (STACOMAN et al. 2019). Contudo, sua eficácia depende diretamente da adesão, da capacitação da equipe e da auditoria contínua dos processos, elementos que asseguram a uniformidade e a qualidade das classificações (PINTO JÚNIOR et al., 2012). A auditoria dos processos de triagem é fundamental para assegurar que a classificação de risco siga critérios predefinidos e permita tomadas de decisão rápidas e seguras. No contexto da implementação do Protocolo de Manchester no Brasil, a verificação periódica por meio de instrumentos de auditoria possibilita identificar inconsistências na aplicação, atrasos no atendimento e falhas de registro, favorecendo a melhoria contínua da qualidade assistencial. Estudos demonstram que a avaliação sistemática da acurácia e dos desfechos do Sistema de Triagem de Manchester contribui para o aperfeiçoamento da triagem e para o alinhamento dos fluxos de atendimento aos padrões de prioridade e segurança (COSTA et al., 2020). Na UPA Jaçanã, unidade de porte III da zona norte de São Paulo, foi implantado em janeiro de 2024 um sistema mensal de auditoria do Protocolo de Manchester, com aplicação de instrumen
Descrever a experiência da UPA Jaçanã na implantação da auditoria mensal do Protocolo de Manchester, destacando seus impactos qualitativos e quantitativos na qualidade assistencial, na eficiência do fluxo de atendimento e na segurança do paciente.
Relato de experiência descritivo, desenvolvido entre janeiro de 2024 a outubro de 2025. A auditoria é conduzida mensalmente pela coordenação de enfermagem, utilizando instrumento estruturado baseado nos critérios do Protocolo de Manchester. As etapas incluem: 3.1.Seleção aleatória de amostra representativa de fichas de triagem; 3.2.Verificação de tempo médio de classificação e adequação da cor atribuída segundo os descritores clínicos; 3.3.Identificação de não conformidades, como classificações incompatíveis, registros incompletos ou ausência de justificativa clínica; 3.4.Devolutiva e reeducação à equipe de enfermagem, com comparativo mensal dos resultados e plano de ação corretiva. Os dados são consolidados em painel de indicadores e apresentados em reuniões de gestão assistencial.
A auditoria sistemática do protocolo resultou em melhoria contínua dos indicadores de qualidade da triagem. Entre os principais avanços observados: 4.1.Redução do tempo de espera para classificação de risco; 4.2.Redução do tempo médio de classificação de risco, com maior agilidade no acolhimento inicial; 4.3.Diminuição significativa das classificações inadequadas; 4.4.Aumento da uniformidade entre enfermeiros, reduzindo a variabilidade de julgamento clínico; 4.5.Melhoria na completude e clareza dos registros, incluindo justificativas para mudança de cor e registro de sinais de alerta; 4.6.Maior engajamento da equipe de enfermagem, com fortalecimento da cultura de aprendizado e autoavaliação; 4.7.Integração entre coordenação de enfermagem e equipe assistencial, possibilitando revisão conjunta de casos críticos; 4.8.Aprimoramento do tempo porta-atendimento médico, especialmente em pacientes classificados como laranja e vermelho. Além disso, a auditoria passou a funcionar como ferramenta de capacitação permanente, permitindo identificar necessidades específicas de treinamento e ajustar processos com base em evidências.
A experiência da auditoria mensal do Protocolo de Manchester na UPA Jaçanã demonstra que a padronização, a análise sistemática e a devolutiva estruturada são fundamentais para a qualidade e a sustentabilidade da assistência. O modelo implantado reduziu variabilidade, aprimorou fluxos e consolidou uma cultura de responsabilidade técnica e aprendizado contínuo. Trata-se de uma prática replicável e de baixo custo, que transforma a classificação de risco em um verdadeiro instrumento de gestão da qualidade e segurança do paciente.
Manchester; auditoria; triagem
EMERSON SANTOS DA SILVA