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A qualificação contínua da equipe de enfermagem é elemento essencial para a segurança do paciente, a padronização de condutas e a resolutividade dos serviços de saúde. Na região do Butantã, a SPDM Afiliadas coordena uma ampla rede assistencial composta por diferentes níveis de complexidade, o que exige estratégias estruturadas para garantir a capacitação técnica dos profissionais de enfermagem. O Centro de Treinamento e Simulação (CTS) do Hospital Geral de Pedreira constitui-se como espaço estratégico para o desenvolvimento de competências técnicas, especialmente em treinamentos críticos como Suporte Básico e Avançado de Vida e uso de dispositivos supraglóticos. Entretanto, no primeiro semestre de 2025, foi identificado baixo índice de participação dos profissionais das unidades da RASTS Butantã nos treinamentos ofertados, com taxa de absenteísmo em torno de 30%, comprometendo a efetividade da educação continuada e gerando desperdício de recursos institucionais. Diante desse cenário, tornou-se necessário implementar uma estratégia sistematizada para ampliar a adesão às capacitações, fortalecer a corresponsabilidade das lideranças locais e consolidar uma cultura institucional de valorização do treinamento em enfermagem, utilizando o ciclo de melhoria contínua PDSA.
Aumentar o número de profissionais de enfermagem capacitados nos treinamentos obrigatórios ofertados pelo CTS do Hospital Geral de Pedreira, reduzindo o índice de absenteísmo, por meio da aplicação do ciclo PDSA, do fortalecimento da comunicação entre Educação Continuada e Responsáveis Técnicos e da consolidação da cultura de educação nas unidades da RASTS Butantã.
Trata-se de um relato de experiência baseado na aplicação do ciclo PDSA (Plan, Do, Study, Act). Na fase de planejamento, foi realizada análise situacional da adesão aos treinamentos no período de janeiro a junho de 2025, identificando baixo percentual de profissionais capacitados e taxa geral de absenteísmo de 30%. Também foram mapeadas unidades com maior e menor adesão, permitindo análise comparativa do cenário. Na etapa “Do”, foi selecionada uma unidade piloto com elevado índice de absenteísmo e condições favoráveis para acompanhamento próximo da gestão. Foram realizadas reuniões presenciais com a equipe de enfermagem da unidade piloto para apresentação do CTS, esclarecimento dos objetivos dos treinamentos e sensibilização quanto à importância da capacitação para a segurança assistencial. Paralelamente, ocorreu alinhamento com os Responsáveis Técnicos das unidades com menor adesão, reforçando a corresponsabilidade no processo formativo. Como estratégia central, foi implantada rotina estruturada de comunicação semanal, com envio nominal aos RTs dos colaboradores agendados para os treinamentos da semana seguinte, permitindo maior controle, ajustes de escala e redução de falhas de informação. A Diretoria de Enfermagem atuou de forma ativa na sensibilização das lideranças e incentivo à participação.
Após a implementação das intervenções, observou-se aumento progressivo do número de profissionais capacitados no segundo semestre de 2025, especialmente nos treinamentos de habilitação em dispositivo supraglótico e Suporte Básico de Vida. O percentual total de profissionais treinados apresentou crescimento consistente em comparação ao primeiro semestre, ainda que abaixo do ideal, demonstrando avanço gradual na cobertura formativa. O resultado mais expressivo foi a redução do absenteísmo nos treinamentos, que passou de 30% no primeiro semestre para 9% no segundo semestre, evidenciando impacto direto das ações de comunicação estruturada, sensibilização das equipes e fortalecimento do papel dos Responsáveis Técnicos no acompanhamento dos agendamentos. A análise das causas remanescentes de ausência permitiu identificar fatores predominantemente organizacionais e evitáveis, como esquecimento, falhas de comunicação e conflitos de agenda, possibilitando direcionamento de ações mais assertivas para os ciclos subsequentes. A inclusão das informações de capacitação na escala mensal mostrou-se ferramenta relevante para ampliar a visibilidade gerencial e apoiar o monitoramento contínuo das pendências formativas.
A aplicação do ciclo PDSA mostrou-se uma estratégia eficaz para qualificar o processo de educação continuada em enfermagem, ao permitir análise sistemática do problema, implementação de intervenções simples e monitoramento contínuo dos resultados. A experiência evidenciou que o absenteísmo em treinamentos está fortemente relacionado a fatores organizacionais e de comunicação, passíveis de intervenção com baixo custo e alto impacto. O fortalecimento da corresponsabilidade dos Responsáveis Técnicos, aliado à comunicação estruturada e à aproximação da Educação Continuada com as equipes, contribuiu para a redução significativa das faltas e para o aumento do engajamento institucional. Embora a meta de cobertura total ainda não tenha sido alcançada, os resultados obtidos indicam consolidação de uma cultura de valorização da capacitação e justificam a continuidade do ciclo de melhoria nos anos subsequentes.
Educação Continuada, Enfermagem
JULIANA PARREIRA CAPASSO, FERNANDA DE JESUS LIMA, MARINA GONÇALVES MOTA