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A população da cidade de São Paulo vem envelhecendo em ritmo acelerado nos últimos anos. Hoje, conta com mais de 2 milhões de idosos. Os distritos da região oeste possuem os maiores índices de proporção de idosos, com taxas de 32,03 % (Alto de Pinheiros) e 28,67 %(Pinheiros). A média da cidade é de 17,83. Neste cenário, políticas públicas voltadas ao cuidado desta população são cada vez mais necessárias. Em São Paulo desde 2008 existe o Programa Acompanhante de Idosos (PAI). É uma modalidade de cuidado domiciliar biopsicossocial a idosos em situação de vulnerabilidade social e fragilidade clínica, que disponibiliza a prestação de serviços de profissionais da saúde e acompanhantes de idosos, para apoio e suporte nas Atividades de Vida Diária (AVD) e outras necessidades de saúde e sociais. Tem o objetivo de contemplar a assistência integral à saúde da pessoa idosa socialmente vulnerável, com dificuldade de acesso ao sistema de saúde e com isolamento, falta de suporte familiar ou exclusão social. Atualmente existem 70 equipes no munícipio. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são responsáveis pelo encaminhamento dos idosos com perfil para acompanhamento. Na região da Lapa e Pinheiros existem 8 equipes de PAI, de forma que todas as UBS desta Supervisão contam o apoio de alguma equipe do Programa. Este estudo caracterizou o perfil dos idosos acompanhados durante todo ano de 2025 e se justifica pelo fato de melhor compreender as necessidades e diversidades desta população.
Buscou-se com este estudo a caracterização da população idosa atendida pelas 8 equipes do Programa PAI localizadas nos territórios da Lapa e Pinheiros, totalizando 960 usuários do SUS, considerando que cada equipe acompanha 120 idosos. Neste território marcado por contrastes de indicadores de saúde, sociais e econômicos essas equipes abrangem idosos que residem em regiões com alto índice de desenvolvimento humano que mascaram pessoas que vivem em algum tipo de vulnerabilidade, assim como na periferia deste mesmo território (Lapa/Pinheiros) encontramos vulnerabilidades sociais importantes que impactam negativamente no processo de envelhecimento. Embora o Programa tenha uma metodologia padronizada com processos bem definidos através de um Documento Norteador, faz-se necessário observar as singularidades encontradas e a partir disto analisar os diferentes perfis e modos de se viver e envelhecer na cidade.
Mensalmente as equipes do PAI preenchem uma tabela que contém informações padronizadas referentes ao acompanhamento da população idosa, com dados quantitativos e qualitativos e as metas dos atendimentos realizados pelos profissionais do Programa. Para este estudo foram analisados os dados dos idosos cadastrados pelas 8 (oito) equipes do Programa PAI nas regiões da Lapa e Pinheiros. Os idosos acompanhados pelas equipes de PAI do território foram caracterizados, a partir da planilha matriz quanto a: idade, sexo, raça/cor, escolaridade, renda, fragilidade e se residem com familiares ou moram só. Foram analisados os dados das seguintes equipes PAI: Alto de Pinheiros, Anastácio, Geraldo de Paula Souza, Jaguaré, Magaldi, Vera Cruz, Vila Romana, todas gerenciadas por Organizações Sociais. Foram destacados os contrastes mais relevantes entre as equipes.
Através da análise dos dados das equipes durante o ano de 2025, verificou-se que a idade dos idosos acompanhados apresenta uma variação considerável. No PAI Jaguaré há um número significativo (20%) de idosos na faixa dos 60 – 70 anos, contrastando com os 3% dessa mesma faixa no PAI Alto de Pinheiros e Paula Souza. Com relação aos idosos mais longevos (mais de 90 anos) nota-se que enquanto a equipe do Jaguaré apresenta um índice de apenas 9%, no PAI Paula Souza registra um índice de 27%. Com relação do quesito raça/cor nota-se uma um elevado número de pretos e pardos no território de abrangência do PAI Piauí (38%) com relação ao PAI Alto de Pinheiros. (13%). Quanto à escolaridade foram referidos números discrepantes entre as equipes. Idosos analfabetos somam 28% no PAI Jaguaré, contrastando com apenas o 1% registrado no PAI Paula Souza. Com relação tipo de moradia, verificou-se que residem sozinhos 28% Piauí e 45% Vila Romana. Ainda que numericamente não relevante, 4% dos idosos acompanhados pelo PAI Magaldi (no bairro do Itaim Bibi) residem na residência dos “patrões”, evidenciando uma realidade deste território, no qual, num passado recente, muitas mulheres com pouco ou nenhum vínculo familiar, residiam na casa dos empregadores, lá envelheceram e lá estão até o momento. Quanto a renda referida pelos idosos, apenas 6% dos cadastrados no PSAI Jaguaré referiam rendimento maior que dois salários-mínimos. Este índice salta para 20% na área de abrangência do PAI Paula Souza.
São Paulo, assim como o Brasil, é uma terra de contrastes também no modo de viver, adoecer e envelhecer na cidade e isso também se verifica na população idosa acompanhada pelo Programa PAI na zona oeste de São Paulo. Os dados referentes aos idosos desta região demonstram como as diferenças sociais, econômicos e territoriais determinam perfis diferentes de uma mesma população com critérios para ser acompanhada por este importante serviço de atenção domicilia, que deixam evidente cenários com melhores condições socioeconômicos e ambientais e territórios mais periféricos com piores condições de saúde e mais vulneráveis socialmente, impactando diretamente no processo de envelhecimento na cidade. Chama a atenção a prevalência de idosos jovens nos territórios mais vulneráveis e periféricos. Uma das hipóteses é que, nesses territórios (sem condições sociais e econômicas) o processo de envelhecimento com fragilidade e dependência acaba sendo antecipado, com uma população idosa jovem e mais fragilizada e dependente. Estudos mais detalhados sobre este fenômeno podem esclarecer e apontar para propostas de políticas públicas de cuidado à pessoa idosa de forma mais equânime.
PESSOA IDOSA, ATENÇÃO DOMICILIAR, VULNERABILIDADES
ADRIANO DA SILVA HERNANDES, MÁRCIA WALTER DE FREITAS