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Este relato de experiência apresenta a construção de um processo de formação contínua desenvolvido no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij) do município de Osasco/SP, iniciado em março de 2025, a partir da iniciativa dos próprios trabalhadores do serviço. A experiência surge como uma estratégia de qualificação do trabalho em saúde mental infantojuvenil, voltada ao fortalecimento da coerência entre as práticas cotidianas do CAPSij e os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Reforma Psiquiátrica Brasileira. No cotidiano do serviço, a equipe passou a reconhecer a importância de aprofundar e alinhar conceitos centrais da Atenção Psicossocial, especialmente aqueles relacionados à estrutura e função do CAPS, ao trabalho em rede, ao matriciamento, ao manejo de crises e à medicalização. Esse movimento expressa o compromisso coletivo com a consolidação de práticas de cuidado em liberdade, com a ampliação da corresponsabilização entre os serviços e com a qualificação permanente do cuidado ofertado no território. A formação é realizada no próprio CAPSij, integrada ao cotidiano do trabalho, envolvendo trabalhadores de diferentes funções e reafirmando a compreensão de que o cuidado em saúde mental se constrói de forma coletiva, transversal e cotidiana. Trata-se de uma experiência que reafirma a Educação Permanente em Saúde como eixo estruturante da prática no SUS.
Fortalecer a prática do CAPSij de Osasco por meio da formação contínua dos trabalhadores, alinhando discursos e ações aos princípios do SUS, da Reforma Psiquiátrica e da Atenção Psicossocial. Como objetivos específicos, busca-se promover a reflexão crítica sobre o cotidiano de trabalho, qualificar as práticas de cuidado em saúde mental infantojuvenil, ampliar a compreensão coletiva sobre rede, matriciamento, manejo de crises e medicalização, e produzir maior coesão entre equipe, serviço e território.
Trata-se de um relato de experiência de caráter qualitativo, desenvolvido a partir da implementação de um processo de formação contínua no CAPSij de Osasco. A formação acontece semanalmente, com duração aproximada de uma hora e meia, utilizando parte do tempo da reunião de equipe. A metodologia consiste na realização de um curso online estruturado em módulos temáticos relacionados à Atenção Psicossocial, seguido de momentos coletivos de discussão, nos quais a equipe reflete sobre como os conteúdos abordados dialogam com o cotidiano do serviço, os atendimentos realizados e os desafios do território. Entre os temas trabalhados estão a estrutura e função dos CAPS, trabalho em rede, matriciamento, manejo de crises e medicalização. Inicialmente, participaram apenas os profissionais técnicos. A partir das reflexões produzidas no próprio processo formativo, a equipe compreendeu a necessidade de ampliar a participação, incluindo profissionais da recepção, limpeza e área administrativa, reconhecendo o cuidado como uma construção coletiva e transversal. As discussões reverberam na organização do trabalho e na construção dos Projetos Terapêuticos Singulares.
Ao longo dos meses, a experiência de formação contínua produziu impactos significativos no funcionamento do CAPSij e na prática cotidiana da equipe. Observou-se maior alinhamento conceitual entre os trabalhadores, fortalecimento do trabalho coletivo e ampliação da coesão entre discurso e prática no serviço. A formação contribuiu para mudanças nos formatos de grupos e atendimentos, com maior valorização das diretrizes do SUS e da Atenção Psicossocial, além de uma postura mais crítica frente à medicalização. Houve aprimoramento no manejo das situações de crise, com estratégias mais compartilhadas e coerentes com o cuidado em liberdade. Destaca-se também o impacto nos processos de acolhimento, que passaram a ser realizados de forma mais assertiva, com maior clareza na definição dos casos que demandam acompanhamento no CAPSij e daqueles que podem ser acompanhados por outros pontos da rede. O fortalecimento da construção dos Projetos Terapêuticos Singulares, com objetivos mais claros e pactuados, possibilitou a ampliação de altas responsáveis e encaminhamentos qualificados e implicados, favorecendo a continuidade do cuidado e evitando cronificações desnecessárias no serviço.
A experiência evidencia que a formação contínua, quando construída a partir das demandas do próprio trabalho, constitui-se como potente estratégia de Educação Permanente em Saúde. Ao apostar na reflexão coletiva e na participação de todos os trabalhadores, o CAPSij de Osasco fortalece práticas alinhadas aos princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica, reafirmando o cuidado em saúde mental como um processo ético, político e coletivo. Em um cenário de disputas no campo da saúde mental, a experiência reafirma a importância de investir na formação dos trabalhadores como forma de resistência à fragmentação do cuidado e aos retrocessos nas políticas públicas. A continuidade da formação aponta para o fortalecimento do trabalho em rede, da clínica ampliada e da sustentação do cuidado em liberdade no território.
Educação Permanente; CAPSij; Atenção Psicossocial
JOANA SOUZA CUNHA, BRUNA MAZON E SOUZA REIS