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A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a principal porta de entrada dos usuários no Sistema Único de Saúde (SUS), exercendo papel fundamental como coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços da Rede de Atenção à Saúde. Nesse contexto, a APS atende uma população diversa, com demandas singulares. Este artigo aborda a atenção às pessoas transexuais e não binárias, considerando a atuação do farmacêutico na APS. No âmbito da APS, o farmacêutico desempenha papel relevante tanto na gestão quanto na assistência. O farmacêutico na APS exerce papel essencial na assistência ao usuário atua na assistência e no acompanhamento da farmacoterapia. Contudo, observa-se que as ações do farmacêutico ainda estão majoritariamente centradas no medicamento, com menor foco no usuário (Peixoto et al., 2022).O uso irracional de medicamentos, inclusive aqueles utilizados no processo de afirmação de gênero, pode ocasionar diversos problemas de saúde, especialmente devido ao fácil acesso a hormônios sem prescrição médica ou orientação profissional (Santos, 2023). No SUS, na cidade de São Paulo, pessoas transexuais recebem orientação farmacêutica, o que reforça a necessidade de capacitação das equipes de saúde sobre temas relacionados à diversidade de gênero. O farmacêutico, como integrante da equipe multiprofissional, contribui para o sucesso da terapia hormonal por meio de um cuidado humanizado, em consonância com a Política Nacional de Saúde Integral da população LGBTQIAPN+ (Guimarães)
Demonstrar o papel do farmacêutico na Gestão do Cuidado da pessoa em hormonização na REDE SAMPA TRANS (Cuidado de Saúde na Cidade de São Paulo para as pessoas travestis, transexuais e não binárias que querem fazer uso de hormônios para a afirmação de gênero identitário).
O cuidado ofertado às pessoas que desejam realizar a afirmação de gênero na Rede Sampa Trans é centrado na pessoa, com foco no acolhimento, respeito às singularidades e garantia de um ambiente seguro. O atendimento prioriza escuta qualificada, vínculo e conforto ao longo de todo o processo. Na primeira consulta, além do acolhimento inicial, são realizadas orientações sobre disforia de gênero, suas manifestações e impactos na saúde física e mental, respeitando a vivência individual. Também são abordadas estratégias de redução de riscos, como o uso adequado de binders, roupas íntimas específicas, cuidados com a compressão corporal e limites seguros para prevenir lesões, dores musculares e complicações respiratórias. Destaca-se ainda a importância de evitar a automedicação, especialmente o uso de hormônios sem acompanhamento profissional, sendo esclarecidos os riscos associados, como efeitos adversos, complicações cardiovasculares, tromboembólicas, hepáticas e desequilíbrios hormonais. Após esse primeiro contato, a pessoa é inserida no programa e encaminhada para acompanhamento pela equipe multiprofissional e médica, conforme suas necessidades, com seguimento regular e consultas agendadas, podendo incluir grupos de acompanhamento. Em 2025, a inclusão de acompanhamento psicológico mensal fortaleceu o cuidado integral, ampliando o suporte emocional e qualificando a assistência ofertada
As pessoas atendidas em nosso serviço são acompanhadas de forma integral por toda a equipe multiprofissional, com foco na escuta qualificada e na compreensão das demandas apresentadas. O cuidado é construído de maneira compartilhada, respeitando as singularidades e o tempo de cada pessoa.
Ao longo dos anos de atuação, observa-se aumento na adesão aos acompanhamentos clínicos, maior segurança no uso da terapia hormonal e fortalecimento do vínculo e da confiança entre as pessoas atendidas e a equipe de saúde. Esses resultados refletem a consolidação de um cuidado longitudinal, baseado no acolhimento, na escuta qualificada e no acompanhamento contínuo. A unidade reafirma seu compromisso com o cuidado integral da população trans, assegurando acesso regular aos serviços de saúde de acordo com as necessidades individuais. São ofertados exames, consultas e acompanhamentos de forma adequada e respeitosa, incluindo a realização do exame citopatológico (Papanicolau) em homens trans com colo uterino e ações de promoção e prevenção em saúde voltadas às mulheres trans, integradas à rotina assistencial da unidade. Essas práticas reforçam a compreensão de que o cuidado em saúde deve ser permanente, inclusivo e orientado pelas necessidades das pessoas, não se restringindo a intervenções pontuais, mas compondo uma linha de cuidado contínua e articulada na Atenção Primária à Saúde.
APS; SUS; AF; Cuidado Integral; Pop. Trans;Terapia
NICCOLY MILLENA SILVERIO VEGA, CAMILA TEIXEIRA DURVAL DE OLIVEIRA, NAYARA KAROLINNE FREIRE COSTA, KIM SABONGI GARCIA, CARLOS ALEXANDRE BROCHADO