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O envelhecimento populacional tem impactado de forma crescente a organização dos serviços de saúde, especialmente nos atendimentos de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). A população idosa apresenta maior vulnerabilidade clínica, multimorbidades e manifestações atípicas de doenças agudas, o que torna o cuidado mais complexo e exige avaliação ampliada, tomada de decisão rápida e estratégias específicas de segurança do paciente. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), que configuram importante porta de entrada do SUS, o atendimento ao idoso frequentemente envolve condições clínicas potencialmente graves, sintomas inespecíficos e necessidade de observação prolongada. Esse cenário reforça a importância da sistematização da assistência, da utilização de protocolos clínicos e do monitoramento contínuo dos desfechos assistenciais, de modo a reduzir riscos e qualificar o cuidado. Nesse contexto, a análise do perfil assistencial dos idosos atendidos em serviços de urgência constitui ferramenta estratégica para o planejamento da gestão e para o aprimoramento das práticas assistenciais. Compreender características demográficas, motivos de atendimento, tempo de permanência e desfechos possibilita identificar fragilidades do processo de cuidado e subsidiar ações voltadas à segurança do paciente idoso.
Descrever o perfil assistencial dos pacientes idosos atendidos na UPA no período de janeiro a dezembro de 2025, analisando características demográficas, motivos de atendimento, tempo de permanência e desfechos assistenciais, a fim de identificar a complexidade clínica, bem como fragilidades e potencialidades do processo de cuidado prestado à população idosa no contexto da urgência e emergência.
Trata-se de um relato de experiência com abordagem quantitativa, fundamentado em análise documental retrospectiva dos atendimentos realizados a pacientes com idade igual ou superior a 60 anos, no período de janeiro a dezembro de 2025, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os dados foram extraídos do sistema de prontuário eletrônico institucional e organizados em planilhas do Microsoft Excel® para análise. Foram incluídas variáveis demográficas e assistenciais, tais como idade, sexo, número de atendimentos, classificação clínica, tempo de permanência na unidade e desfechos assistenciais, incluindo alta, transferência, óbito e evasão. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas, médias e valores máximos, permitindo a caracterização do perfil assistencial da população idosa atendida. A análise possibilitou a identificação do padrão de utilização do serviço, da complexidade clínica dos atendimentos e das principais fragilidades e potencialidades do processo de cuidado ao idoso no contexto da urgência e emergência.
Dos 3.221 atendimentos a pacientes idosos, observou-se predominância do sexo feminino (54%) em relação ao masculino (46%). A idade média foi de 75 anos, com registro de pacientes de até 102 anos, caracterizando população envelhecida e clinicamente vulnerável. O tempo médio de permanência na unidade foi de aproximadamente 1,7 dias (41 horas), indicando que parcela significativa dos atendimentos ultrapassa o cuidado imediato.Quanto ao motivo da procura pelo serviço, 51,0% dos atendimentos (n = 1.643) corresponderam a diagnósticos clínicos inespecíficos e sinais e sintomas pouco específicos,evidenciando elevada complexidade diagnóstica no atendimento ao idoso. Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares representaram 394 atendimentos, seguidas por condições respiratórias (278), doenças gastrointestinais (151), infecção do trato urinário (113) e doenças infecciosas, incluindo arboviroses (61).Em relação aos desfechos assistenciais, 47% dos pacientes evoluíram para alta, 45% foram transferidos, 5% evoluíram para óbito e 3% apresentaram evasão, refletindo a gravidade clínica e a vulnerabilidade da população idosa no contexto da urgência e emergência.
A análise dos atendimentos a pacientes idosos evidenciou um perfil assistencial marcado por elevada complexidade clínica, com predominância de diagnósticos inespecíficos, condições cardiovasculares, cerebrovasculares, respiratórias e infecciosas, além de tempo médio de permanência superior ao atendimento imediato. Esses achados reforçam a vulnerabilidade do idoso no contexto da urgência e a necessidade de avaliação clínica ampliada e contínua. Os resultados apontam para a importância do fortalecimento de protocolos assistenciais específicos para o idoso, da sistematização da assistência de enfermagem e da qualificação contínua das equipes multiprofissionais. A experiência demonstra potencial de replicabilidade em outros serviços do SUS, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência, redução de riscos e fortalecimento da cultura de segurança do paciente no atendimento à população idosa.
IDOSO, URGENCIA E EMERGENCIA, SUS
THAIS LOZOVOI TOMAZ, ALINE VOLPATO, SILMARA QUINTANA SANTOS DA SILVA, ROBERTO FERREIRA LEOTO, ROBERTO DA SILVA FERREIRA DE MELO, JULIANA FOLCO DE SOUZA