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A fragmentação das informações clínicas representa um dos principais desafios para a promoção do cuidado em rede, especialmente em cenários de urgência e emergência, nos quais a tomada de decisão é dependente do acesso oportuno e ao histórico assistencial do usuário. Diante desse cenário, a adoção de tecnologias da informação em saúde, em especial o prontuário eletrônico do paciente (PEP) integrado, compõe ferramenta estratégica para qualificar os processos assistenciais e fortalecer a articulação entre os serviços. A implementação do PEP com interoperabilidade entre as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Rede Hospitalar possibilita o compartilhamento das informações assistenciais em tempo oportuno. A experiência justifica-se por demonstrar como o uso do PEP integrado transcende a dimensão tecnológica, consolidando-se como instrumento de gestão do cuidado, apoio à decisão clínica e fortalecimento da continuidade assistencial, especialmente frente ao envelhecimento populacional com múltiplas comorbidades como desafio crescente a Rede de Atenção à Saúde(RAS), com histórico assistencial fragmentado e necessidade de acompanhamento contínuo, reafirmando o papel da tecnologia como meio para a efetivação do cuidado em rede no SUS.
Descrever e analisar a implantação do prontuário eletrônico integrado como tecnologia facilitadora da gestão do cuidado em rede, especialmente no acompanhamento de pacientes idosos, qualificando a continuidade assistencial entre a Unidade de Pronto Atendimento, a Atenção Primária à Saúde e a Rede Hospitalar no município de Santo André.
O trabalho apresenta um relato de experiência, desenvolvido a partir da implantação e padronização do PEP integrado em toda UPA do município de Santo André, como estratégia de fortalecimento da comunicação assistencial e da integração da RAS. A experiência teve início em Março de 2025, com envolvimento da Gestão Técnica e de Planejamento do serviço, das equipes assistenciais das unidades e do setor de tecnologia da informação (TI). Para realizar a integração do PEP entre as UPA, a APS e a Rede Hospitalar, foram providenciados os recursos tecnológicos necessários para operacionalização e realizadas reuniões técnicas com o setor de TI, visando o aperfeiçoamento do formato do prontuário e à adequação das funcionalidades às necessidades assistenciais evidenciadas. Paralelamente, foi realizado alinhamento com o serviço de diagnóstico por imagem para possibilitar a incorporação dos exames realizados ao PEP, ampliando o acesso aos resultados diagnósticos aos profissionais da Rede. A implantação incluiu capacitação dos profissionais de saúde para o uso efetivo do sistema, na utilização do visualizador clínico e na compreensão do PEP como ferramenta de tomada de decisão clínica. Adicionalmente, foram realizadas reuniões em Rede com representantes da UPA, da APS e da Rede Hospitalar para pactuação dos fluxos assistenciais, discussão das implementações e fortalecimento da comunicação intersetorial, assegurando a utilização integrada do PEP nos diferentes pontos da RAS.
A implantação do PEP integrado na UPA do produziu avanços relevantes na comunicação assistencial e na articulação da RAS. A padronização do uso do sistema e a disponibilização das informações clínicas entre a UPA, a APS e a Rede Hospitalar ampliaram o acesso dos profissionais ao histórico assistencial dos usuários, favorecendo maior alinhamento das condutas adotadas. A integração dos exames de imagem ao prontuário eletrônico favoreceu maior agilidade na avaliação clínica e contribuiu para a racionalização do uso de recursos diagnósticos, reduzindo a necessidade de repetição de exames e qualificando os processos de encaminhamento e seguimento dos pacientes na RAS. A utilização do visualizador clínico, mostrou-se particularmente estratégica no cuidado ao paciente idoso, ao permitir acesso rápido ao histórico clínico, exames de imagem e condutas anteriores, reduzindo retrabalho, riscos assistenciais e fragmentação do cuidado, promovendo maior agilidade no acesso aos dados relevantes do usuário, qualificando o manejo clínico dos casos e fortalecendo a segurança do paciente. As capacitações realizadas nas unidades e as reuniões realizadas em rede favoreceram a adesão dos profissionais ao uso qualificado do prontuário eletrônico, evidenciando o fortalecimento da comunicação intersetorial e a coordenação do cuidado, consolidando o PEP integrado como holistica do cuidado e ao princípio de integralidade no âmbito do SUS.
A experiência apresentada evidencia que a implantação do PEP integrado, configura-se como estratégia efetiva para o fortalecimento e articulação da RAS. Ao promover o compartilhamento oportuno das informações clínicas entre a UPA, a APS e a Rede Hospitalar, a iniciativa contribui para a continuidade assistencial integral e à qualificação da tomada de decisão clínica com foco na segurança do paciente. A incorporação da integração dos exames de imagem e do visualizador clínico com síntese estruturada da história do usuário demonstrou que o uso qualificado da tecnologia da informação pode reduzir a fragmentação do cuidado, apoiar a coordenação entre os serviços e favorecer a racionalidade na utilização dos recursos assistenciais. Nesse sentido, o PEP deixa de ser compreendido apenas como instrumento de registro, consolidando-se como ferramenta estratégica de apoio à prática assistencial e à gestão dos serviços. Portanto a experiência evidencia que soluções tecnológicas, quando alinhadas às diretrizes assistenciais e à organização dos processos de trabalho, potencializam a integralidade do cuidado e a sustentabilidade da RAS no âmbito municipal.
Prontuário Eletrônico Integrado, Gestão do cuidado
MARCELA CRISTINA LOPES MIRANDA LEÃO, RENAN TOMAS, DEBORA GARROFALO ANDRADE DOS SANTOS, VANESSA TONIETTI MALERBA TSOULFAS