Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O território do Jardim Santo André, localizado em área periférica do município de Santo André-SP, apresenta elevado índice de gravidez não planejada entre adolescentes, jovens e mulheres adultas, além do aumento de atendimentos relacionados a testes de gravidez, pré-natal precoce e diagnóstico de sífilis. Diante desse cenário epidemiológico e social, a equipe de saúde da Clínica da Família Sylvia Augusta dos Santos, identificou a necessidade de fortalecer ações de promoção e prevenção em saúde voltadas ao público adolescente, especialmente no ambiente escolar, reconhecido como espaço estratégico de cuidado ampliado. Inicialmente foi realizada oficina de educação em sexualidade para estudantes do 9º ano, envolvendo meninas e meninos. A atividade revelou a necessidade de um espaço específico e seguro para que as meninas pudessem dialogar livremente sobre dúvidas, corpo, ciclo menstrual e autocuidado. Assim surgiu o projeto MenSUSação, com oficinas de saúde e educação menstrual realizadas entre maio e novembro de 2025 em duas escolas do território, atendendo aproximadamente 80 adolescentes. A iniciativa busca ampliar autonomia, acesso à informação qualificada e vínculo com os serviços de saúde, contribuindo para redução de vulnerabilidades e fortalecimento do cuidado integral.
Objetivo geral: Promover educação em saúde menstrual para ampliar autonomia, prevenir infecções sexualmente transmissíveis e reduzir vulnerabilidades relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. Objetivos específicos: •Divulgar o Programa Dignidade Menstrual do SUS; •Ensinar sobre fisiologia do ciclo menstrual e autocuidado; •Sensibilizar sobre vacinação contra HPV; •Apresentar métodos contraceptivos e planejamento familiar; •Fortalecer bem-estar físico, mental e social das participantes; •Estimular vínculo entre adolescentes e serviços de saúde.
A experiência foi desenvolvida a partir da análise das demandas do território e dos indicadores observados na unidade de saúde, como aumento de testagens e atendimentos relacionados à gestação e sífilis em adolescentes. Após articulação intersetorial com duas escolas do bairro, foram organizadas oficinas educativas presenciais voltadas às alunas do 9º ano. As atividades foram conduzidas por Agentes Comunitários de Saúde, enfermeira e técnica de enfermagem, com duração média de 1h30 a 2h, utilizando metodologia participativa em roda de conversa. Foram empregados recursos audiovisuais e materiais pedagógicos, incluindo modelos anatômicos, métodos contraceptivos demonstrativos, desenhos e materiais educativos. Conforme necessidades identificadas durante as atividades, uma Agente Comunitária de Saúde confecciona e disponibiliza absorventes reutilizáveis artesanais, produzidos manualmente em diferentes tamanhos e modelos, os quais são distribuídos às participantes em situação de vulnerabilidade menstrual. Ao final de cada encontro, as adolescentes registraram avaliação escrita da atividade. A estratégia priorizou linguagem acessível, escuta qualificada e construção coletiva do conhecimento, fortalecendo o protagonismo das adolescentes e o vínculo com a equipe de saúde.
A ação possibilitou ampliar o acesso à educação em saúde fora do espaço físico da unidade, fortalecendo o vínculo entre adolescentes e profissionais e apresentando o fluxo de atendimento para esse público. Observou-se elevada participação, interesse e interação durante as oficinas, além de avaliações positivas registradas pelas estudantes. A disponibilização de absorventes reutilizáveis confeccionados artesanalmente pela Agente Comunitária de Saúde mostrou-se estratégia potente de enfrentamento à pobreza menstrual, garantindo acesso imediato a recurso de higiene e fortalecendo a autonomia das participantes. A experiência consolidou parceria intersetorial com as escolas do território e ampliou a presença das equipes de saúde no ambiente escolar. Em razão dos resultados, o projeto tornou-se ação contínua, com expansão para atividades em parceria com o CRAS, incluindo oficinas educativas, para todas as mulheres,, não somente adolescentes, e orientações para acesso ao Programa Dignidade Menstrual do SUS. O reconhecimento institucional ocorreu com apresentação da experiência em evento municipal da área da saúde, evidenciando seu potencial transformador, educativo e de impacto social.
A experiência evidencia que intervenções educativas territorializadas, intersetoriais e participativas constituem estratégias eficazes para enfrentamento de vulnerabilidades sociais e promoção da saúde. As oficinas possibilitaram a criação de um espaço seguro de escuta e diálogo, favorecendo autonomia, autocuidado e acesso qualificado à informação. Destaca-se o protagonismo dos profissionais da Atenção Primária, especialmente dos Agentes Comunitários de Saúde, cuja atuação criativa e sensível às necessidades do território viabilizou soluções concretas para demandas reais, como a confecção e disponibilização de absorventes reutilizáveis para participantes em situação de vulnerabilidade menstrual. Essa iniciativa de baixo custo e alto impacto social ampliou o acesso a recursos básicos de higiene, fortalecendo dignidade, inclusão e permanência escolar. A experiência demonstra que práticas simples, contextualizadas e centradas no usuário têm elevado potencial transformador, sendo plenamente replicáveis em outros territórios e serviços, constituindo ferramenta potente de cuidado integral e equitativo no SUS.
Educação em saúde, Dignidade Menstrual.
AMANDA ALVES DE ABREU, STEFANI DE JESUS CAMILO, VALDELÚCIA FRANCISCA DE ARAÚJO COUTINHO, MARCIO RENEI SILVA SANTOS