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O planejamento em saúde define objetivos, recursos e tarefas para alcançá-los, buscando a transformação social. Ele é contínuo, adaptado às circunstâncias e atento às assimetrias entre os interessados, permitindo uma compreensão dinâmica dos cenários e limites da governança, indo além de projeções passadas para refletir a complexidade das inter-relações entre múltiplos fatores, considerando as perspectivas dos atores afetados e os contextos históricos e sociais. O planejamento no SUS é responsabilidade de cada ente federativo, desenvolvido de forma contínua, articulada e integrada (Brasil, 2017). Os Instrumentos de Planejamento e Gestão do SUS (IGSUS) incluem o Plano Municipal de Saúde (PMS), a Programação Anual de Saúde (PAS), o Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA) e o Relatório Anual de Gestão (RAG). Na Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), a Assessoria de Planejamento (ASPLAN) coordena a rotina de trabalho com os IGSUS. Para tal, cria e dissemina metodologias para o planejamento, monitoramento e avaliação das ações. A incorporação de soluções digitais promove a automação de processos e permite o ganho de eficiência operacional, liberando quadros técnicos qualificados de tarefas repetitivas e burocráticas. A experiência aqui apresentada tem o intuito de aprimorar a gestão e o acompanhamento de 275 metas, que envolvem 40 áreas técnicas, mais de 100 profissionais e o Conselho Municipal de Saúde.
O objetivo geral deste projeto é aprimorar a elaboração e monitoramento dos IGSUS por meio da automação com a linguagem Python, visando aumentar a eficiência e a qualidade das análises. Especificamente, busca-se: desenvolver soluções automatizadas para tarefas repetitivas, como a manipulação de planilhas, facilitando a coleta, o processamento e o monitoramento das informações; aumentar a produtividade da equipe, permitindo que mais tempo seja dedicado à análise do desempenho das metas e ações em saúde; qualificar o processo de planejamento ao incorporar ferramentas digitais que aprimorem o monitoramento e a avaliação das iniciativas estratégicas; e fomentar a capacitação da equipe no uso de soluções baseadas em programação, incentivando a adoção de recursos digitais acessíveis e alinhados à transformação digital na SMS-SP
A metodologia adotada teve como ponto de partida a identificação dos processos de trabalho com maior potencial para automação. Esses processos foram mapeados detalhadamente para compreender as etapas, tarefas envolvidas, responsáveis e o tempo necessário para execução. Isso permitiu a identificação de atividades repetitivas e tarefas que geravam retrabalho. Foram classificadas como prioritárias para automação a elaboração das fichas de coleta relativas às metas e ações dos IGSUS e o tratamento dos dados. O desenvolvimento das soluções automatizadas ocorreu em três fases: prototipação, teste e implementação. Inicialmente, foram analisadas diferentes abordagens para automação. Na etapa seguinte, realizou-se a testagem das soluções propostas para validar aquelas que melhor atendessem aos objetivos do projeto. A solução adotada foi o desenvolvimento de um código na linguagem Python para automatizar a elaboração das fichas, processar os dados coletados e gerar um documento Word com as informações das metas. Além disso, para eliminar rotinas manuais de compartilhamento de links e e-mails, foi criada uma página web utilizando a ferramenta SharePoint, otimizando a comunicação e garantindo maior agilidade. Após a implementação, as novas rotinas foram integradas ao fluxo de trabalho conforme um cronograma previamente estabelecido, passando a fazer parte do ciclo de melhoria contínua da ASPLAN.
O projeto resultou em oito entregas, quais sejam: Nova ferramenta, mais intuitiva, para registro e acompanhamento dos dados; Nova plataforma de armazenamento e comunicação, via Sharepoint, para compartilhamento de instruções e armazenamento das fichas de coleta de dados, com acessos e permissões diferenciados por atores; Produção de documento com o mapeamento do novo processo, permitindo sua incorporação ao conhecimento organizacional; Códigos em Python documentados no GitHub para automatizar: a) o processo de consolidação dos dados, b) ajuste de fichas e c) produção de documento final em Word para publicação dos IGSUS; Ganho estimado de 1300 horas técnicas anuais dos profissionais da ASPLAN que atuam nesses processos, permitindo maior disponibilidade para atividades voltadas ao planejamento e gestão qualificada das políticas públicas de saúde; Capacitação de mais de 100 profissionais no uso da nova ficha e plataforma; Maior tempo para qualificação do planejamento em saúde, por meio de atividades de análise e apoio metodológico às áreas por parte da Assessoria de Planejamento; Capacitação de profissionais e fomento do uso de tecnologias digitais na ASPLAN.
A automação de tarefas rotineiras e repetitivas impactou na redução geral do tempo para elaboração e publicação dos Instrumentos de Gestão do SUS. Isso possibilitou uma maior qualificação dos processos de análise, monitoramento e acompanhamento do planejamento dos territórios e áreas técnicas e contribuindo para a criação de interface intuitiva, segura e ágil para a coleta de dados. Destaca-se também a qualificação e o desenvolvimento da equipe durante o processo, incorporando novos conhecimentos e habilidades ao seu repertório técnico. Essa experiência marcou o passo inicial para a automação de tarefas importantes, agregando valor ao processo de gestão e planejamento. São necessários esforços adicionais para disseminar as competências envolvidas, documentar e padronizar processos a fim de institucionalizar os benefícios e melhorias alcançados. Nesse sentido, estão sendo realizadas ações para aprofundar o mapeamento, otimização e melhoria contínua nos processos de trabalho, visando expandir e sustentar os benefícios obtidos.
Planejamento; Inovação; Transformação Digital
ILKA CORRÊA DE MEO, GIANLUCCA VERGIAN DALENOGARE, ANDRÉ LUIZ DOS SANTOS TEIXEIRA, JULIA MARIA DA SILVA, LUIZ GUSTAVO MACHADO CRUZ, CRISTIANO DE OLIVEIRA