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O Núcleo de Atenção à Pessoa com Deficiência (PcD) foi criado para funcionar como estratégia de gestão para o ordenamento do fluxo assistencial e qualificação do cuidado especializado. Sua atuação foca na integralidade da atenção, promovendo a avaliação e o encaminhamento em todos os ciclos de vida. O Núcleo consolida-se como um espaço de governança e articulação de políticas públicas intersetoriais, visando a garantia de direitos, estimulação à autonomia e a total inclusão social desse segmento populacional. A implementação do mutirão de neuropediatria surgiu como uma intervenção estratégica e inadiável, motivada pela necessidade de enfrentar a acentuada demanda reprimida no município. Esta iniciativa buscou garantir o acesso ao atendimento especializado, assegurando que crianças e adolescentes em fila de espera tivessem seu direito à saúde preservado por meio de uma assistência resolutiva e qualificada.
Os objetivos fundamentais da ação estavam relacionados à eficiência assistencial, visando reduzir o tempo de espera entre a avaliação inicial e a aquisição de suportes terapêuticos. Através da qualificação da demanda, o mutirão objetivou facilitar o percurso do usuário na rede, garantindo que o tempo para a obtenção de laudos e orientações médicas fosse minimizado. Além disso, a estratégia focou na regulação da fila de retornos, permitindo que o especialista pudesse reavaliar casos crônicos que já aguardavam retorno em fila interna e atualizar planos de cuidado de forma mais ágil.
A qualificação da assistência só foi possível através da ação intersetorial entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) especificamente com profissionais da psicologia. Essa articulação permitiu um acolhimento com escuta qualificada e uma avaliação biopsicossocial prévia, garantindo que os casos fossem classificados antes da consulta especializada. A aplicação antecipada de instrumentos de rastreio para neurodivergências (questionário de avaliação biopsicossocial, M-CHAT, CARS, ATA e SNAP-IV) otimizou o tempo de consulta do neuropediatra, acelerando a resolutividade diagnóstica e a emissão de laudos essenciais para a continuidade do cuidado.
Os resultados alcançados mostraram uma expressiva otimização do fluxo assistencial em neuropediatria. A integração intersetorial permitiu a redução do tempo entre a queixa inicial e a conclusão diagnóstica, garantindo o acesso mais rápido a laudos e planos terapêuticos. Observou-se uma significativa descompressão da fila de espera, viabilizada pela resolutividade das consultas de primeira vez e pela eliminação de retornos puramente administrativos. Essa eficiência na gestão do tempo médico permitiu que o especialista focasse na conduta clínica, resultando em uma rede mais ágil, qualificada e orientada ao cuidado infanto-juvenil.
Em suma, o mutirão de neuropediatria demonstrou que a articulação intersetorial e o ordenamento de fluxos são ferramentas indispensáveis para a superação de gargalos históricos no SUS municipal. A experiência confirmou que a qualificação da porta de entrada e a integração entre as equipes de psicologia e especialidades médicas não apenas reduzem filas, mas otimizam o recurso público com foco na resolutividade. Este projeto consolida-se como um modelo de gestão eficiente, passível de continuidade e expansão, reafirmando o compromisso da gestão com a eficiência administrativa e a excelência no atendimento especializado.
Gestão, demanda, neuropediatria, mutirão em saúde.
CAROLINA DE GASPERI MALINS, LOREDANA HEGEDUS, MATEUS TORRES VIANA, ANGELA HERMINIA MICHELINA TUCCI, SILVIA FÁTIMA MOURA FRANZONI, TIAGO HENRIQUE CARDOSO, CAMILA POLIDO, FERNANDA ROBERTA DA SILVA, ROSEMEIRE DA SILVA DE CAMPOS