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O diabetes mellitus é uma doença crônica de grande relevância por atingir número progressivo de indivíduos, acarretando diversas comorbidades com perda da qualidade de vida, mortalidade e oneração do serviço público, dentre outras consequências. Não obstante a seriedade da doença, sua prevenção e tratamento podem ser relativamente simples se ações educativas forem oferecidas à população, aumentando a conscientização sobre os diversos aspectos do diabetes. A partir dessa premissa, em maio de 2025, a UBS Prefeito Alberto Nunes Martins deu início ao Grupo de Prevenção e Promoção da Saúde da Pessoa Portadora de Diabetes Mellitus (DM). A proposta se deu a partir do momento em que as canetas de insulinas descartáveis estavam sendo substituídas pelas canetas reutilizáveis, e percebeu-se que muitas pessoas não tinham o conhecimento sobre a própria doença e os cuidados que deveriam ter no dia a dia. O grupo era composto por reuniões que ocorreram na própria unidade e era oferecido aos usuários portadores de DM em insulinoterapia, em sua maioria idosos, devido à maior necessidade de cuidado.
Transformar o grupo em um espaço onde o usuário conseguisse compartilhar sua vida portando DM, com foco na doença, relatando suas experiências no dia a dia, tanto as dificuldades e problemas individuais, bem como bons hábitos e outras experiências que trazem melhor qualidade de vida para eles, respeitando e instigando seu papel central no próprio cuidado.
Foram quatro reuniões diferentes por grupo, conduzidas pela nutricionista e pelo farmacêutico na unidade. A primeira reunião tinha o intuito de entender o cotidiano dos participantes, como convivem com DM, desafios, como mantém boa saúde no dia a dia e a rede de apoio; entender o que sabem sobre DM e, a partir dos conhecimentos de cada um, organizar as linhas de raciocínio sobre a doença, agravos e problemas decorrentes desta. A segunda reunião abordou alimentação adequada e exercícios físicos, entendendo a cultura do usuário e adaptando as necessidades de saúde a ela e os cuidados a se tomar, principalmente considerando cuidados com o uso de insulina ao se inserir atividades físicas na rotina. A terceira falou-se sobre cuidados gerais como cuidados com o pé, saúde bucal, neuropatia diabética, bem como a importância do monitoramento da glicemia, cuidados com medicamentos, vacinas e manejo de complicações agudas e crônicas de DM. Na última reunião os usuários foram convidados a trazerem algo para o café da manhã pensando na prevenção e promoção da saúde e se desafiaram a fazer coisas saborosas utilizando componentes de tal maneira a não agravarem o quadro de DM (ex: cupcakes a base de manitol no lugar do açúcar), sendo ressaltada a importância do cuidado contínuo após o fim do grupo. Após o café, se realizou uma avaliação, visando melhorias para o próximo grupo.
No decorrer das reuniões era nítida a falta de conhecimento acerca da própria condição de saúde, os pacientes sem saber que eventuais complicações que já sentiram no dia a dia poderiam ter sido complicações causadas por DM (ex: dedos em garra, formigamentos nos pés e nas mãos). Ao fazer uma avaliação dos encontros, os pacientes afirmaram se sentir muito mais acolhidos em relação à sua condição e, apesar de entenderem a necessidade de impedir os agravos, disseram encarar a doença com mais naturalidade após os encontros. Disseram também que estariam mais atentos às suas condições e que incentivariam outros amigos também portadores de DM a participarem do grupo.
A implantação do grupo evidenciou a necessidade de se conversar mais, conscientizar a população e ouvir suas queixas em relação a DM. A naturalidade a que se associa a doença apenas aos fatores “açúcar alto no sangue” e “é só cortar açúcar” faz com que as pessoas não deem a devida atenção ou não queiram compartilhar as dificuldades do dia a dia, por acharem que a falta de controle da glicemia seja apenas de responsabilidade individual, entretanto essa é uma falha de promoção de saúde, pois maiores informações deveriam ser compartilhadas desde o momento do diagnóstico, ou mesmo antes, havendo pessoas com mais de 30 anos convivendo com a doença sem conhecimentos básicos. O desafio é melhorar a adesão, propagar a existência do grupo por meio de reuniões de equipe, incutindo o pensamento de promover saúde diariamente, considerando a condição de DM. Uma possível nova segmentação seriam novos diagnósticos de DM onde, encaminhados, o paciente já possua maior consciência já desde o início e aja precocemente. Além disso, pode-se incluir mais profissionais de saúde (ex: equipe de enfermagem) no grupo, ampliando a perspectiva multiprofissional sobre o usuário.
Diabetes Mellitus, promoção da saúde
PEDRO HENRIQUE FARIA CARVALHO, REGIANE APARECIDA DE ARAÚJO SPRANGOSKI