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O caso “JPF” apresenta uma experiência exitosa de cuidado na Rede de Saúde Mental de Santo André, construída coletivamente entre equipe técnica, administrativos, familiares e usuários. O trabalho do NUPE é orientado pelos princípios da economia solidária — autogestão, cooperação, corresponsabilidade e sustentabilidade — estruturando-se na construção compartilhada dos processos de trabalho, com valorização do protagonismo, fortalecimento de vínculos comunitários e geração de renda ética e participativa. Em consonância com a Reforma Psiquiátrica, promove a superação de práticas excludentes e reafirma o cuidado em liberdade, a autonomia e os direitos das pessoas em sofrimento psíquico. Articulado ao Eixo 6 da RAPS, que compreende o trabalho como estratégia de reabilitação psicossocial e inclusão social, o projeto evidencia como acolhimento qualificado, vínculo e trabalho em grupo constituem dispositivos potentes de transformação. Essas práticas criam espaços de escuta, corresponsabilização e fortalecimento da autonomia, especialmente com jovens em situação de vulnerabilidade e uso de drogas. A integração entre economia solidária e Reforma Psiquiátrica reafirma o trabalho coletivo como instrumento de pertencimento, emancipação e reconstrução de trajetórias de vida dignas e sustentáveis.
Promover a reabilitação psicossocial e a inclusão social pelo trabalho de JPF, articulando os princípios da economia solidária — autogestão, cooperação e corresponsabilidade — aos fundamentos da Reforma Psiquiátrica, fortalecendo autonomia, protagonismo e a construção de um projeto de vida pautado no cuidado em liberdade e na cidadania. Descartando-se, ainda: • construir e fortalecer vínculo por meio de acolhimento qualificado e mediação familiar. • estimular a assunção progressiva de responsabilidades, compreendendo limites como cuidado ético. • utilizar as oficinas como espaço de pertencimento, cooperação e responsabilidade compartilhada. • desenvolver competências de autogestão, tomada de decisão e organização da vida cotidiana. • superar padrões paternalistas, ampliando autonomia e participação ativa nos projetos de vida.
Trata-se de relato de experiência fundamentado na prática interdisciplinar do NUPE, orientada pelos princípios da Reforma Psiquiátrica e da economia solidária, em consonância com o Eixo 6 da RAPS, que compreende o trabalho como estratégia de reabilitação psicossocial e inclusão social. A metodologia teve caráter participativo, processual e centrado no sujeito, priorizando o cuidado em liberdade e a construção compartilhada das intervenções. O acompanhamento de JPF iniciou-se por meio do grupo ponte do CAPS AD, garantindo acolhimento qualificado e articulação em rede. A construção do vínculo constituiu-se como dispositivo central, sustentada por escuta ativa, mediação familiar e pactuação progressiva de responsabilidades, com observação sistemática e avaliação contínua da participação nas atividades. As oficinas de trabalho configuraram-se como principal estratégia metodológica, organizadas sob a lógica da autogestão e do trabalho coletivo. As práticas exigiam cooperação, corresponsabilidade e compromisso, favorecendo a vivência de limites como ferramenta pedagógica e ética. O percurso foi gradual, respeitando o tempo subjetivo e promovendo autonomia, protagonismo e inclusão social.
Os resultados evidenciam avanços significativos na reabilitação psicossocial de JPF. Gradualmente, o jovem passou a reconhecer-se como sujeito capaz, assumindo responsabilidades nas oficinas e na vida cotidiana. A participação nas atividades coletivas fortaleceu compromisso, constância e corresponsabilidade, repercutindo em suas escolhas pessoais e profissionais. A experiência demonstrou que o cuidado se constrói como teia relacional sustentada por vínculos, escuta qualificada, limites éticos e presença da equipe. As intervenções e pactuações contribuíram para consolidar confiança e autonomia. O trabalho coletivo, orientado pela autogestão, favoreceu a compreensão de que suas ações produzem efeitos no grupo e em sua trajetória, ampliando a capacidade de decisão e planejamento de futuro. Com o tempo, JPF passou a refletir sobre escolhas, projetar metas e atribuir sentido ao trabalho como dimensão estruturante da vida social. Sua transformação resultou de processo contínuo, sustentado por vínculo e responsabilização progressiva. O desligamento do NUPE, em 11 de setembro de 2025, ocorreu em razão de sua inserção no mercado formal, evidenciando autonomia e protagonismo consolidados.
O caso de JPF evidencia que o cuidado em saúde mental, no campo da atenção psicossocial, constitui-se como processo coletivo e relacional. Não se trata de prática isolada, mas de construção compartilhada, sustentada por vínculos, corresponsabilidade e presença da equipe. O cuidado se tece na rede, na convivência e na aposta ética na capacidade de transformação do sujeito. A trajetória demonstra que a valorização da potência individual, articulada ao trabalho coletivo e à construção de limites como cuidado ético, configura caminho consistente para a reconstrução da autonomia. Sob a lógica da autogestão e da cooperação, JPF deslocou-se de posição marcada por fragilidades para postura de maior protagonismo e participação ativa nas decisões de sua vida. Mais que recuperação linear, observa-se processo contínuo de responsabilização e ressignificação do cotidiano como espaço de cidadania. O diálogo entre reabilitação psicossocial pelo trabalho, conforme o Eixo 6 da RAPS, e os princípios da economia solidária mostra-se complementar, favorecendo protagonismo e inclusão. O trabalho consolida-se como dispositivo terapêutico e social, promovendo emancipação e reconstrução de projetos de vida.
Autonomia, Vínculo, Oficinas de geração de renda
ELLEN CRISTINA DA SILVA PEREIRA, ROSELI TADEU MONTANARI, THAIS CAIANO DOS SANTOS