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A pandemia de COVID-19 agravou as preocupações relacionadas à saúde mental, as medidas de isolamento e distanciamento social, embora necessárias para o controle da disseminação do vírus, intensificaram sentimentos de medo, insegurança, solidão e estresse, resultando em significativo sofrimento psíquico. Este quadro evidenciou a necessidade de intervenções voltadas ao cuidado integral. Diante desse cenário, surgiu a oportunidade de atuar como preceptora de dois grupos de ACS ( agentes comunitários de saúde ), desenvolvendo ações de educação em saúde de forma dialógica e participativa em 2025. Possibilitando acompanhar a construção do senso crítico dos profissionais, bem como a ampliação da valorização e do reconhecimento do próprio trabalho no contexto da atenção básica. A valorização dos trabalhadores da saúde e a compreensão da relevância de sua atuação para a melhoria da qualidade de vida da comunidade, é fundamental. Assim, este trabalho justifica-se por apresentar as transformações positivas observadas tanto nos pacientes quanto nos agentes comunitários, decorrentes das atividades desenvolvidas coletivamente , evidenciando o potencial da educação em saúde como ferramenta de cuidado, fortalecimento profissional e promoção do bem-estar.
Demonstrar como o trabalho desenvolvido pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), em parceria com a população, contribuiu para a promoção de benefícios integrais nas diversas dimensões da vida dos usuários, resultando também em maior satisfação profissional e em uma prática fundamentada nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a participação social, a integralidade, a universalidade.
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido a partir da atuação como preceptora de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) na Atenção Primária à Saúde, no ano de 2025, em território adscrito à Estratégia Saúde da Família. As ações tiveram foco na promoção da saúde mental, considerando os impactos do período pós pandemia de COVID-19. Como estratégia de cuidado e integração comunitária, foi implantada uma horta coletiva no terreno da unidade de saúde. Para subsidiar a atividade, contou-se com o apoio de um professor vinculado ao Núcleo de Inclusão Produtiva (NIP), ligado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SADS), responsável por orientar sobre os cuidados relacionados ao cultivo. A comunidade foi convidada a participar do projeto, que inicialmente reuniu cinco usuários, uma médica, a gerente da unidade e os ACS. As ações foram conduzidas por abordagem dialógica e participativa, com rodas de conversa, escuta qualificada, orientações coletivas e planejamento conjunto. A análise baseou-se na sistematização das vivências e nos impactos observados na saúde, no fortalecimento de vínculos e na satisfação profissional, à luz dos princípios do SUS: integralidade, universalidade, equidade e participação social.
A experiência evidenciou a importância do convívio social para a manutenção da saúde mental. O simples ato de estarem juntos, planejando, debatendo, executando melhorias e compartilhando opiniões fortaleceu o sentimento de pertencimento e permitiu aos Agentes Comunitários de Saúde reconhecerem seu papel transformador no território. Durante o processo, foram retomados conteúdos do curso Mais Saúde com Agente, como a integração entre saberes populares e conhecimento técnico, especialmente nas discussões sobre plantio, uso de ervas e manejo do solo, além do fortalecimento da comunicação e do trabalho em rede. A satisfação dos participantes tornou-se evidente na primeira colheita de alfaces, quando estes foram distribuídos à comunidade. O entusiasmo cresceu gradativamente, com ampliação dos cultivos e confecção de placas de identificação das plantas. Observou-se melhora do humor, maior vínculo interpessoal e engajamento coletivo. Atualmente, o projeto conta com mais participantes e originou um curso sobre cultivo em pequenos espaços. A iniciativa demonstrou que reconhecer fragilidades, mobilizar parcerias e construir soluções coletivas potencializa o protagonismo comunitário e consolida os princípios do SUS.
O Agente Comunitário de Saúde é um profissional com grande potencial transformador no território em que atua, pois estabelece vínculo com a comunidade, possui escuta qualificada, comunicação efetiva e sensibilidade para identificar necessidades locais. Sua atuação vai além das ações técnicas, integrando saberes científicos e populares na construção de estratégias mais próximas da realidade da população. A experiência descrita evidencia que a união entre o conhecimento técnico e o saber popular possibilita o desenvolvimento de iniciativas simples, porém significativas, capazes de promover saúde e qualidade de vida. O projeto, que teve início com o objetivo de contribuir para a melhoria da saúde mental da população atendida, ampliou seu alcance e hoje também dissemina conhecimentos sobre o cultivo de hortas em pequenos espaços, fortalecendo a autonomia, o cuidado e o bem-estar da comunidade. Assim, reafirma-se o papel fundamental do ACS como agente de mudança social, promovendo saúde de forma integral, participativa e sustentável no território.
ACS, saúde mental, integração comunitária, horta
HELENA AYAKO KARIATSUMARI