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A experiência ocorre na UBS Palmeiras, no âmbito da Atenção Primária à Saúde do SUS, com usuários participantes de grupos de emagrecimento, incluindo adultos com mais de 40 anos, alguns em avaliação para cirurgia bariátrica. As ações são realizadas por encontros grupais mensais, articulados a consultas breves em psicologia e acompanhamento nutricional, compondo um cuidado contínuo. O envelhecimento é compreendido como processo constitutivo da vida e fator adaptativo presente no cuidado, implicando transformações na dinâmica psíquica e biológica, com repercussões sobre corpo. Observações nos discursos dos usuários evidenciam alterações metabólicas, declínio hormonal associado à menopausa, maior prevalência de comorbidades, uso contínuo de medicamentos, mudanças na imagem corporal e redefinições subjetivas, atravessando o processo de emagrecimento e orientando ajustes clínicos e nutricionais individualizados. Na UBS, essas dimensões nem sempre eram sistematizadas, dificultando a identificação precoce de fatores psicossociais que possam interferir no cuidado. A experiência foi implantada para qualificar o acompanhamento por meio de um protocolo de rastreio psicossocial com classificação de risco, criado pelo serviço de psicologia a partir das observações clínicas, com o objetivo de identificar fatores associados ao risco psicossocial, sem realizar diagnósticos, integrando a dinâmica psíquica e biológica ao planejamento clínico, nutricional e, quando indicado, cirúrgico.
Implantar um protocolo de rastreio psicossocial com classificação de risco em usuários dos grupos de emagrecimento da UBS Palmeiras, considerando a interação entre envelhecimento, dinâmica psíquica, condições biológicas, comportamento alimentar e comorbidades, qualificando o planejamento do cuidado. Identificar padrões de relação com alimentação, humor, autopercepção corporal e adesão ao autocuidado. Reconhecer aspectos psíquicos e biológicos relacionados ao envelhecer que possam interferir no emagrecimento e nas comorbidades clínicas. Estratificar o risco psicossocial em baixo, médio e alto, por meio de classificação por cores. Orientar condutas clínicas que reduzam fatores que possam comprometer o cuidado no pré e pós-operatório. Integrar informações psicossociais ao planejamento multiprofissional, favorecendo cuidado integral, seguro e contínuo.
A experiência é desenvolvida com usuários dos grupos de emagrecimento da UBS. Os encontros grupais mensais são articulados a consultas breves em psicologia e acompanhamento nutricional contínuo, compondo uma linha de cuidado integrada. Foi implantado um protocolo estruturado de rastreio psicossocial, criado pelo serviço de psicologia a partir das observações clínicas, organizado em quatro eixos: relação com a alimentação; humor, autopercepção e imagem corporal; suporte social e relações; adesão e autocuidado. Cada eixo é composto por indicadores pontuados de zero a dois, totalizando até 28 pontos. A pontuação permite a classificação de risco psicossocial por cores: verde para baixo risco, amarelo para risco intermediário e vermelho para alto risco. O envelhecer é considerado elemento transversal, articulando mudanças psíquicas e biológicas, comorbidades, uso de medicamentos, declínio hormonal, alterações metabólicas e impacto sobre comportamento alimentar e adesão ao cuidado, orientando ajustes individuais no acompanhamento, sem caracterizar diagnóstico ou patologizar o envelhecer. Os resultados são registrados em evolução clínica estruturada, com hipóteses, prognóstico e plano de acompanhamento. Conforme o risco identificado, o usuário permanece no grupo mensal, recebe acompanhamento psicológico breve ou é encaminhado para psicoterapia individual, mantendo o seguimento nutricional.
O protocolo possibilitou a identificação precoce de fatores psicossociais que possam interferir no cuidado, especialmente em usuários com mais de 40 anos, múltiplas comorbidades e histórico de dificuldades no emagrecimento. A avaliação favoreceu maior precisão clínica e ajustes nutricionais e comportamentais individualizados. Usuários candidatos à cirurgia bariátrica passaram a contar com avaliação psicossocial estruturada, reduzindo fatores que poderiam comprometer o cuidado no pré e pós-operatório. Observou-se melhora significativa na adesão aos encontros grupais e engajamento de usuários classificados como risco intermediário após intervenções psicológicas breves direcionadas às vivências emocionais associadas ao envelhecer. A leitura integrada dos riscos permitiu ajustes individualizados no plano nutricional e clínico, respeitando limites metabólicos, hormonais, subjetivos e sociais. A classificação por cores facilitou a comunicação multiprofissional, fortalecendo planejamento, segurança assistencial, continuidade do cuidado e tomada de decisão compartilhada na Atenção Primária à Saúde.
A experiência demonstra que o envelhecer, enquanto processo natural de reorganização psíquica e biológica e fator adaptativo no cuidado, influencia diretamente o emagrecimento, comorbidades e adesão ao cuidado. A utilização da classificação de risco psicossocial estruturou o reconhecimento desses fatores, antecipando vulnerabilidades e orientando intervenções proporcionais ao risco. A articulação entre encontros grupais mensais, consultas breves em psicologia e acompanhamento nutricional mostrou-se eficaz, segura e replicável em outros serviços da Atenção Primária, fortalecendo o SUS como espaço de cuidado integral ao integrar subjetividade, corpo e contexto clínico, qualificando o manejo do emagrecimento e respeitando a singularidade dos usuários.
emagrecimento, classificação, protocolo, rastreio
CLEBER PEREIRA DA SILVA, EDNA VIEIRA SOUZA