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No município de Bastos/SP, em meados de junho de 2025, foi implementada estratégia de regulação e integração entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e o Centro de Fisioterapia (Atenção Especializada) para enfrentar a crescente fila de espera por atendimentos fisioterapêuticos. Observou-se que a maior parte dos usuários em espera era composta por pessoas idosas, com demandas relacionadas a dor crônica, limitações funcionais, condições osteomusculares e comprometimento da mobilidade, situações diretamente associadas ao processo de envelhecimento. A regulação do acesso, conforme diretrizes do SUS, busca organizar e priorizar fluxos assistenciais com base em critérios técnicos e equidade, sendo ferramenta estratégica para garantir acesso oportuno, especialmente à população idosa, mais vulnerável às perdas funcionais decorrentes do tempo de espera. Diante de fila superior a 100 usuários e protocolo já insuficiente para a demanda local, tornou-se necessária reorganização do processo regulatório com fortalecimento do matriciamento e da articulação entre os níveis de atenção, assegurando cuidado mais resolutivo, humanizado e alinhado ao envelhecimento saudável.
Promover regulação qualificada do acesso à fisioterapia, com prioridade técnica para a população idosa em situação de maior vulnerabilidade funcional; fortalecer a coordenação do cuidado entre APS e Atenção Especializada; reduzir a fila de espera com maior equidade; institucionalizar processo contínuo de matriciamento e monitoramento dos fluxos assistenciais, garantindo cuidado integral ao envelhecer.
A coordenação do Centro de Fisioterapia realizou uma série de reuniões de matriciamento com as equipes das sete Estratégias Saúde da Família, inserindo-se nas reuniões de equipe já programadas nas UBS. Esses encontros integraram aspectos de regulação do acesso, protocolos técnicos, critérios prioritários e responsabilidades compartilhadas, conforme preconizado na política regulatória do SUS. O processo incluiu o mapeamento da demanda atual e a identificação dos pacientes em fila de espera para fisioterapia, seguido da apresentação detalhada do funcionamento do serviço especializado, sua capacidade instalada e dos critérios clínicos utilizados para priorização dos atendimentos. Realizou-se escuta ativa das equipes da APS, com reconhecimento das principais barreiras relacionadas aos encaminhamentos e proposição de ajustes técnicos e operacionais. Por fim, foram pactuados critérios de encaminhamento e definidas cotas proporcionais por unidade, além da implementação de mecanismos estruturados de contrarreferência, fortalecendo a coordenação do cuidado na rede. Esse fluxo foi sistematizado em instrumento compartilhado, alinhado à lógica de condução da regulação do acesso, integrando a APS como gestor principal do percurso do usuário na Rede de Atenção à Saúde. Adicionalmente, realizou-se monitoramento contínuo dos encaminhamentos e da fila, com feedback periódico às UBS, estimulando ajustes e responsividade no processo de regulação.
Esta experiência demonstrou que matriciamento técnico e regulação qualificada do acesso podem reorganizar fluxos de encaminhamento e melhorar a coordenação do cuidado em uma RAS municipal, fortalecendo a APS como eixo e ponto estratégico de gestão do cuidado. A integração entre APS e Atenção Especializada favoreceu redução de filas, maior clareza de critérios clínicos e maior corresponsabilização entre serviços, sendo fundamentais para garantir cuidado oportuno e integral à população idosa no SUS. Entretanto, a recuperação progressiva da demanda ressalta que a regulação do acesso e o matriciamento devem ser processos contínuos e institucionalizados, apoiados por ações de educação permanente, monitoramento de desempenho e pactuação de indicadores. A experiência corrobora diretrizes recentes sobre integração assistencial e coordenação do cuidado, alertando que avanços estruturais dependem de sustentação coletiva e práticas sistemáticas, alinhadas às políticas nacionais de regulação e à lógica de organização da RAS. Dessa forma, a vivência em Bastos apresenta uma contribuição replicável para outros municípios, sinalizando que a articulação entre pontos da rede e a qualificação dos encaminhamentos são estratégias essenciais para um SUS mais resolutivo, eficiente e centrado nas necessidades de saúde da população.
A experiência reafirma que envelhecer com dignidade no SUS exige mais do que oferta de serviços, e sim, requer organização da rede, regulação qualificada do acesso e articulação permanente entre a Atenção Primária e a Atenção Especializada. Ao enfrentar a fila de fisioterapia, o município não apenas reorganizou fluxos, mas protegeu a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida de pessoas idosas, prevenindo agravamentos e perdas evitáveis. A consolidação do matriciamento como prática contínua fortalece a APS como coordenadora do cuidado e reafirma o SUS como política pública capaz de sustentar a longevidade com equidade, integralidade e compromisso social.
Acesso Efetivo aos Serviços de Saúde
MATHEUS LUIS LEITE COCA