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O Grupo do Coração é uma estratégia de cuidado implementada em Campinas-SP para combater a fragmentação no tratamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Realizada em 18 Centros de Saúde ao longo de 2025, a iniciativa atendeu uma população de 300 pacientes majoritariamente idosos (mediana 67 anos) e feminina (74%), com alta prevalência de obesidade (49%). A justificativa central reside na necessidade de um modelo que transcenda a consulta tradicional, integrando o Matriciamento Terapêutico presencial entre a Atenção Primária (APS) e a Atenção Especializada (AE). A intervenção utilizou tecnologias leves de letramento em saúde para engajar pacientes de alto risco cardiovascular, promovendo adesão terapêutica e reorganização do processo de trabalho das equipes de saúde. A iniciativa continua em 2026.
O propósito foi qualificar o manejo cardiovascular através de quatro eixos: 1) Capacitar as equipes da APS no método Grupo do Coração, instrumentalizando-as para a escuta qualificada e manejo clínico avançado; 2) Desenvolver a autonomia do paciente e o engajamento no autocuidado, utilizando ferramentas visuais (Cartas do Coração) para identificar barreiras psicossociais; 3) Empoderar os usuários sobre a atividade física regular e programada como ferramenta terapêutica não farmacológica eficaz; 4) Realizar ajustes farmacológicos imediatos com especialistas in loco, visando a redução de fatores de risco (PA, Glicemia) e filas de espera.
Estudo descritivo de intervenção em 18 Unidades Básicas, com oferta de 85 períodos de grupo, e aproveitamento de 86% (73 atividades). A metodologia estruturou-se em encontros de grupo baseados em quatro pilares: 1) Triagem Clínica (sinais vitais e antropometria); 2) Educação em Saúde e Dinâmica Psicossocial, onde os pacientes utilizam as Cartas do Coração para mapear sentimentos (Sofrimento vs. Enfrentamento); 3) Movimento Ativo, com orientação prática de exercícios físicos adaptados; 4) Matriciamento Terapêutico, com discussão de casos em tempo real entre médicos de família e cardiologistas para conduta imediata. A análise estatística avaliou dados pareados (Início vs. Final) de 136 pacientes para variáveis clínicas e 59 para escores psicossociais, utilizando o teste de Wilcoxon. O desenvolvimento das atividades do Grupo do Coração pautou-se rigorosamente nas diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, tendo o projeto sido devidamente submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 85472624.9.0000.5453). Como garantia fundamental da autonomia e dos direitos dos usuários, a participação na intervenção foi condicionada à leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
A intervenção resultou em controle clínico agudo significativo: redução da Pressão Arterial Sistólica (mediana -10mmHg, p
A experiência demonstrou que o matriciamento presencial é uma ferramenta potente para a resolutividade na APS, garantindo acesso rápido a terapias especializadas. A capacitação das equipes permitiu um olhar integral, onde a escuta qualificada (via Cartas do Coração) e o incentivo à atividade física deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem centrais no plano terapêutico. O modelo validou que o sucesso clínico não depende apenas de fármacos, mas da construção de autonomia e enfrentamento pelo paciente, exigindo vigilância contínua tanto para os que estão em sofrimento quanto para os que se encontram em zona de conforto. O projeto do Grupo do Coração continua nos próximos anos e espera contribuir para aumentar a compreensão e capacidade de manejo integral dos pacientes de alto risco cardiovascular na Atenção Primária.
Atenção Primária,Matriciamento,Cardiologia.
SHEILA TATSUMI KIMURA MEDORIMA, PATRÍCIA MALASPINA, ANA CAROLINA GUALASSI VIGO, BÁRBARA SANAE ASSATO, FABIOLA MALAGA BARRETO, TATIANA RUYZ GUTIERREZ