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A Influenza Aviária é uma doença infecciosa causada por vírus Influenza A, subtipo H5N1. Afeta, principalmente, aves, mas pode acometer também mamíferos, inclusive seres humanos.Nas aves, a doença causa quadros respiratório e neurológico. As aves aquáticas são consideradas reservatório natural do vírus. Em humanos, a doença pode provocar sintomas gripais típicos, conjuntivite e quadro gastrintestinal. Não há, até o momento, registro da doença em humanos em território nacional. No Brasil, a doença em aves é alvo de vigilância por parte de órgãos de Defesa Animal. As diretrizes de controle da doença emanam do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e são implementadas pelas pastas estaduais. No Estado de São Paulo, a vigilância da doença compete aos Escritórios de Defesa Agropecuária (EDA). Embora a transmissão para humanos seja considerada rara, a doença apresenta alta letalidade, podendo chegar a 60%. Além de aves domésticas e seres humanos, a doença representa risco para aves da fauna silvestre. Por esta razão, no município de Barueri, foi estabelecido um fluxo de atendimento dos casos suspeitos em aves, que inclui órgãos da saúde (Departamento Técnico de Controle de Zoonoses – DTCZ) do meio ambiente (Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS), segurança pública (Guarda Civil Ambiental) e, na esfera estadual, EDA de Santos.
Relatar detecção de ave silvestre que apresentou resultado laboratorial positivo para a doença.
Em julho de 2025, o DTCZ acolheu notificação de relato de óbito de ave silvestre em um condomínio residencial. Equipe procedeu ao resgate do cadáver, que foi, então, submetido à necropsia.
O cadáver foi localizado às margens de um lago de condomínio residencial. No local, há aves aquáticas domésticas e silvestres, inclusive, migratórias. À época, o animal em questão foi o único a ser detectado morto em um grupo de mais de 100. Como a carcaça estava parcialmente consumida, foi possível apenas concluir que se tratava de ave da família Anatidae, que inclui patos, gansos e cisnes. Nenhuma alteração digna de nota foi observada à necropsia, devido ao estado do cadáver. Ainda assim, a equipe conseguiu coletar fragmentos de rim e cérebro, que foram encaminhadas para exame histopatológico e pesquisa molecular no Instituto Adolfo Lutz Central. O exame histopatológico revelou, no fragmento de cérebro, meningoencefalite multifocal associada à necrose. Na pesquisa molecular, foi detectada a presença de vírus da Influenza subtipo H5N1. Diante do caso positivo, foram desencadeadas ações de vigilância e prevenção, direcionadas às populações humana e animal, por parte das equipes da vigilância epidemiológica municipal, DTCZ, EDA e CETAS. O DTCZ elaborou texto sobre o caso e sugeriu publicação nos canais oficiais da prefeitura. O objetivo era alertar a população sobre a possibilidade de circulação do vírus na região a fim de incrementar a vigilância da doença nas aves e, principalmente, permitir que as pessoas que apresentassem sintomas pudessem buscar atendimento médico oportuno.
A vigilância em epizootias é fundamental para detecção precoce de doenças que possam representar risco para a saúde pública, como a Influenza Aviária, Raiva e a Febre Amarela. Sabe-se, no entanto, que essa vigilância é incipiente no país. Ao longo do ano, mais 7 (sete) aves foram encontradas doentes ou mortas no local. Nenhum outro animal positivo foi detectado. No entanto, o vírus é sabidamente transportado por aves migratórias, o que exige vigilância constante. O fato de ter sido possível a realização de diagnóstico em amostra coletada de uma carcaça parcialmente consumida mostra a importância de se manter uma vigilância ativa e, sempre que possível, proceder à coleta de amostras. Gestores, equipes técnicas e população devem estar sempre alertas à possibilidade de surgimento de agravos que ponham em risco a saúde pública e prontas para adotar medidas imediatas. À medida que os órgãos municipais de vigilância em zoonoses se aprimoraram, o número de amostras coletadas aumenta. Cabe aos gestores nos níveis estadual e federal garantir rede laboratorial capaz de absorver essa demanda e garantir vigilância efetiva de zoonoses no território nacional, de forma a prevenir a ocorrência de casos humanos das doenças.
Vigilância de Zoonoses, Influenza Aviária
VICTOR LOPES DA SILVA, PAULA DE SOUZA NUNES, LEONARDO PEIXOTO JACON, MARTA CHAVES PEREIRA DE LIMA