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O Serviço de Atenção Especializada IST/AIDS (SAE) é o serviço de referência para acompanhamento das hepatites virais, HIV e profilaxias pré e pós exposição ao HIV para Atibaia e os municípios limítrofes (Bom Jesus dos Perdões, Piracaia, Nazaré Paulista, Joanópolis). O SAE também realiza acompanhamento da tuberculose e cuidado multiprofissional da população transexual, com hormonização. Mensalmente, a equipe do SAE realiza ações extramuros em locais variados nas quais são ofertados insumos de prevenção, testagem, aconselhamento e PrEP, bem como capacitações de testagem para ampliação das ofertas pela rede de saúde, ações educativas em escolas, empresas, entre outros. Essas ações são realizadas pelo próprio SAE ou em parceria com os equipamentos de saúde e da rede intersetorial. Neste projeto, foram realizadas visitas técnicas pela farmacêutica e psicóloga do SAE nas 17 unidades básicas de saúde da cidade para realizar educação permanente na temática das ISTs e propor intervenções nos territórios das unidades, visando à capacitação dos profissionais, desconstrução de mitos e preconceitos quanto às ISTs e ampliação do acesso dos usuários.
O intuito desta ação foi de realizar educação em saúde em IST/AIDS, sensibilizar as equipes da Atenção Primária em Saúde (APS) sobre a importância de ampliarem os trabalhos de promoção e prevenção junto às populações chave e prioritária, a partir do mapeamento dos seus territórios quanto aos locais de maior vulnerabilidade social (concentração de população em situação de rua, cenas de uso de substâncias psicoativas, locais de prostituição, bares, baladas, locais de festa, etc), assim como à população geral, bem como divulgar o trabalho realizado pelo SAE, estreitar laços com as equipes, aprimorar as estratégias de intervenção conjunta, entre outros.
Foram realizadas reuniões em todas as unidades da APS com duração de três horas, no formato de rodas de conversa, com temas pré-estabelecidos e espaço para trocas com as equipes. Os encontros foram estruturados em três momentos: inicialmente apresentadas as atividades realizadas pelo SAE, o cenário atual em relação ao HIV/AIDS, PEP/PrEP, hepatites virais, tuberculose e ambulatório trans. No segundo momento foi realizada aula expositiva e dialogada, abordando pontos importantes sobre o tema, como vias de transmissão, diferença entre populações chave e prioritárias, conceito da Mandala da Prevenção, importância da oferta de testagem para diagnóstico precoce, direito dos pacientes ao sigilo, orientação sexual e diversidade de gênero, respeito ao uso do nome social no atendimento a pessoa trans, preconceito e estigma, etc. Em seguida, após serem esclarecidas as dúvidas, propôs-se o mapeamento do território e ampliação de ações extra muros pelas equipes, com o apoio do SAE. Nas unidades de saúde da família, foi solicitada a presença dos agentes comunitários de saúde, gestor e/ou enfermeiro. Já nas unidades básicas de saúde, a presença da equipe de enfermagem, recepção, gestão e farmácia. Demais membros da equipe que tivessem disponibilidade também participaram. Posteriormente, foi mantido contato online para feedback sobre os locais de maior vulnerabilidade de cada território, planejamento conjunto e monitoramento das ações realizadas, esclarecimento de dúvidas, entre outros.
Nesses encontros, ao todo 139 trabalhadores da saúde de 8 categorias profissionais participaram desta intervenção. Destes, 84 trabalhadores eram agentes comunitários de saúde, 16 enfermeiros, 4 farmacêuticos, 9 gestores, 8 técnicos de enfermagem, 3 médicos, 9 estagiários do curso de psicologia, 1 motorista e recepcionistas. Como resultado, foram trabalhados preconceitos e visões do senso comum que alguns profissionais tinham a respeito das IST/AIDS e das vivências da população trans, as equipes se apropriaram e compreenderam melhor sobre o acompanhamento realizado no SAE e da importância de ser realizado trabalho preventivo sistemático junto à população, com orientações quanto à prevenção, oferta de testagem e insumos. Como frutos do projeto, foi possível ampliar os locais de parcerias para a distribuição de insumos de prevenção e realização de testagem nos territórios, como em restaurantes, lanchonetes, mercadinhos, barbearias, adegas, tabacarias, bares com eventos musicais, praças, terminal rodoviário, sítios, clínicas e comunidades terapêuticas. Vimos que as equipes têm mantido diálogo com os locais para trabalho longitudinal em relação às ISTs, bem como outras demandas de saúde. Quanto ao monitoramento, algumas equipes mantêm vigilância conjunta do número de casos com o SAE, no intuito de identificar tendências e vulnerabilidades do território, a adesão ao tratamento, entre outros.
A partir desse projeto, percebemos que as equipes de saúde sentiram-se mais à vontade em procurar a equipe do SAE, demonstraram maior abertura para discutir casos complexos para acompanhamento em conjunto, ampliaram as ações preventivas em conjunto nas escolas estaduais e pensaram em estratégias para acessar os locais onde se encontram as populações mais vulneráveis. Algumas equipes foram melhor sucedidas do que outras, a depender da abertura dos profissionais e da comunidade. A partir desta experiência, o SAE também pensou em outras ações junto às equipes ao longo do ano de 2025, como a capacitação sobre tuberculose, treinamento para os farmacêuticos da Atenção Básica sobre a dispensação da PEP, ampliação das ofertas de treinamento para a realização de testes rápidos. Além disso, foram realizadas divulgações das campanhas de Julho Amarelo e Dezembro Vermelho nas mídias (Rede Vanguarda), foi ampliada a presença nas empresas e a participação em SIPATs, nos eventos da cidade, membros do SAE passaram a compor o grupo técnico interinstitucional (GTI) do Programa Saúde na Escola (PSE), observou-se uma maior participação das unidades de atenção básica nas ações extramuros de prevenção e testagem de IST, entre outras.
educação permanente, IST, AIDS, Atenção Primária
JULIANA FIGUEIREDO DE OLIVEIRA, GLAUCIA ADRIANE TEIXEIRA, DENISE CRISTIAN QUIRINO DE OLIVEIRA CHINEN