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A escolha do município de Jundiaí como cenário de estudo é estratégica. O município apresenta um perfil demográfico diferenciado, onde 18,63% da população possui 60 anos ou mais, uma taxa superior à média nacional de 15,6%. Além disso, Jundiaí figura entre as melhores cidades do país para envelhecer e possui o Selo Pleno do Programa SP Amigo do Idoso . Investigar a violência neste contexto é fundamental, pois permite desvelar vulnerabilidades que persistem mesmo em territórios com altos índices de desenvolvimento humano e redes de proteção estruturadas.
Descrever as características da violência contra pessoas idosas no município de Jundiaí, no período de 2018 e 2023.
Estudo epidemiológico, observacional e transversal, baseado em dados secundários do SINAN, conduzido em parceria com a Vigilância Epidemiológica municipal. Foram analisadas 179 notificações de violência interpessoal e autoprovocada envolvendo pessoas com 60 anos ou mais, residentes em Jundiaí, no período de 2018 a 2023. As variáveis incluíram perfil sociodemográfico, tipologia da violência, vínculo com o agressor, local de ocorrência e encaminhamentos realizados. Os dados foram organizados por período (pré, durante e pós-pandemia), permitindo análise comparativa para subsidiar planejamento estratégico da gestão. Foram utilizadas frequências absolutas e relativas, com aplicação de testes estatísticos (p
A análise das notificações entre 2018 e 2023 evidenciou aumento progressivo dos registros: 48 casos (26,8%) no período pré-pandemia, 55 (30,7%) durante a pandemia e 76 (42,5%) no pós-pandemia. Observou-se aumento significativo das notificações no período pós-pandemia, sendo a maioria das vítimas do sexo feminino, com idade entre 60 e 69 anos. A violência ocorreu predominantemente no domicílio, sendo os principais suspeitos familiares, especialmente filhos e parceiros. As tipologias mais frequentes foram violência física, psicológica/moral e negligência. A presença de deficiência ou transtornos em algumas vítimas, assim como a reincidência dos episódios de violência, evidenciou um cenário de maior vulnerabilidade. Os encaminhamentos mais comuns foram para serviços de saúde e assistência social. Esta análise pode subsidiar ações de capacitação das equipes da Atenção Primária e fortalecer a articulação com a assistência social.
O estudo demonstrou a importância da vigilância epidemiológica como ferramenta estratégica de gestão municipal. O aumento das notificações no pós-pandemia sinaliza maior visibilidade do problema e necessidade de ações estruturadas e intersetoriais. Os achados subsidiaram a qualificação das notificações e fortalecimento da rede de proteção à pessoa idosa no município. Conclui-se que a utilização sistemática de dados epidemiológicos fortalece a tomada de decisão, qualifica o planejamento em saúde e contribui para respostas mais efetivas no âmbito do SUS municipal.
Abuso de Idosos, Pandemia COVID-19, Vigilância
ADRIANA ALVES DE MOURA, RAFAEL BRAGA ESTEVES, JOSÉ EDUARDO MARTINELLI, ROBERTA AP. RIBEIRO PIEROBON