Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Com os avanços das tecnologias voltadas à manutenção da saúde humana, a expectativa de vida da população no mundo tem aumentado ao longo das últimas décadas. Nesse contexto, observa-se também o crescimento da incidência de doenças e transtornos mentais entre a população idosa. A oferta de um cuidado integral em saúde mental, voltado à prevenção do suicídio nesse grupo, configura-se como um dos grandes desafios de saúde pública. Nesse cenário, a implementação de um instrumento norteador, desenvolvido entre os serviços da secretaria municipal de Saúde – Vigilância de violências, unidades de saúde da atenção básica e atenção especializada, representou um marco importante em todo o município de São José do Rio Preto/SP. Implantada em março de 2017, essa iniciativa teve o propósito de reduzir o tempo de espera para o acolhimento das violências autoprovocadas na população idosa e permanece em funcionamento até os dias atuais. A implementação desta ferramenta de monitoramento dos casos notificados de violência autoprovocada, com sua classificação de risco, tem como mecanismo baseado em variáveis como a quantidade de reincidências de violências, para conduzir os profissionais de saúde na busca ativa e na oferta de atenção integral à população idosa, estendendo-se, quando necessário ao seu núcleo familiar.
Apresentar a estratégia da criação da linha de cuidado de prevenção ao suicido estratificada por território sanitário por meio do monitoramento dos casos de violência autoprovocada/tentativa de suicido que tiveram como vítimas pessoas idosas residentes no município de São José do Rio Preto/SP, com o propósito de reduzir o tempo de espera para o acolhimento e implementar ações de prevenção de recidivas, em consonância a Portaria n° 1.271/2014, que define a violência autoprovocada como agravo de notificação imediata e ampliar o acesso aos serviços de prevenção e proteção disposto na Lei nº 13.819/2019.
Diante do cenário do município de São José do Rio Preto, das notificações de violência autoprovocada por tentativas de suicídios em pessoas com 60 anos ou mais foi incorporado uma ferramenta de monitoramento das vítimas de violência autoprovocada, com o objetivo de reduzir o tempo de espera para o acolhimento às pessoas em situação de violência para o cuidado em saúde mental. A ferramenta foi desenvolvida pela Vigilância de violências e é compartilhada com as unidades de atenção básica e serviços especializados para o seguimento, monitoramento dos casos e ações pertinentes, permitindo um linha de cuidados específico que utiliza um sistema de classificação de risco, baseado em variáveis como tipo de violência sofrida e reincidência do caso, para conduzir os profissionais de saúde na busca ativa e na oferta de atenção integral às vítimas, estendendo-se, quando necessário, ao núcleo familiar.
O município de São José do Rio Preto registrou no banco SINAN VIOLENCIA 7654 notificações de violência autoprovocada por tentativa de suicido, nos últimos dez anos (2015-2025), 288 casos tiveram como vítimas pessoas com 60 anos e mais. A implementação da planilha de monitoramento proporcionou maior organização dos casos na busca ativa, por meio da classificação de risco. Observou-se uma elevada efetividade na oferta de cuidado integral em tempo oportuno, com encaminhamentos adequados aos serviços necessários. A ferramenta também conferiu maior visibilidade e agilidade aos casos de maior urgência, além de contribuir para a sensibilização dos profissionais da rede quanto à priorização do acesso, ao acolhimento e à assistência integral às vítimas de violência.
A Vigilância de Violências exerce papel central na integração das informações entre as unidades de atenção básica e os serviços de atenção psicossocial (CAPS) do município. Essa articulação tem promovido resultados exitosos na promoção do acesso a condições dignas de cuidado, fortalecendo a oferta de atenção integral e o tratamento em saúde mental, além de contribuir para a prevenção de reincidências e óbitos por causas evitáveis.
Violência, Suicídio, Autoprovocado, Monitoramento
JOÃO MARCOS CERON DA SILVA, RITA DE CASSIA VILLELA, ANDRÉIA FRANSCELI NEGRI, RUBEM DE OLIVEIRA BOTTAS NETO, KARINA ELIAS DE SOUZA, GABRIELA GAGIGE