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A sífilis gestacional permanece como agravo prioritário no Sistema Único de Saúde, em virtude do risco de transmissão vertical e de desfechos perinatais evitáveis. No município de Pitangueiras/SP, a análise dos indicadores entre 2022 e 2023 evidenciou fragilidades no diagnóstico precoce e na adequação terapêutica durante o pré-natal, com diagnóstico no primeiro trimestre variando de 38,4% a 42,8% e tratamento adequado entre 61,5% e 71,4%, revelando lacunas na organização da linha de cuidado. Diante desse cenário, em janeiro de 2024, a Vigilância Epidemiológica do município instituiu estratégia estruturada de monitoramento nominal das gestantes com sífilis, integrada às sete Unidades Básicas de Saúde e à Santa Casa de Pitangueiras. A iniciativa envolveu médicos, enfermeiros da Atenção Primária e profissionais da vigilância, com acompanhamento sistemático dos casos, discussão mensal intersetorial e reorganização dos fluxos assistenciais. A experiência beneficiou diretamente aproximadamente 380 gestantes em 2024 e 370 em 2025, qualificando a governança clínica e epidemiológica no SUS municipal e fortalecendo a integração entre vigilância e assistência.
Qualificar a linha de cuidado da sífilis gestacional por meio da implantação de monitoramento nominal sistemático; ampliar o diagnóstico no primeiro trimestre; elevar a proporção de tratamento adequado das gestantes notificadas; e consolidar a integração entre Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária e serviço hospitalar municipal.
Relato de experiência com análise descritiva comparativa antes e após a intervenção. A partir de janeiro de 2024, foi implantada planilha nominal própria da Vigilância Epidemiológica para acompanhamento individualizado das gestantes notificadas, incluindo idade gestacional ao diagnóstico, classificação clínica, esquema terapêutico, tratamento de parceiro e desfecho gestacional. Instituíram-se reuniões mensais com enfermeiros das sete Unidades Básicas de Saúde para discussão caso a caso e pactuação de condutas. Houve ampliação da testagem com oferta rotineira de VDRL e teste rápido na Santa Casa de Pitangueiras e nas UBS, além da descentralização da administração de penicilina benzatina em toda a rede municipal. Indicadores assistenciais e epidemiológicos passaram a ser monitorados sistematicamente, permitindo intervenção oportuna e acompanhamento longitudinal dos casos.
Após a implantação da estratégia, o diagnóstico no primeiro trimestre elevou-se de 42,8% (2023) para 72,7% (2024), mantendo-se em 70,8% (2025). A proporção de tratamento adequado aumentou de 71,4% (2023) para 81,8% (2024), permanecendo em 79,1% (2025). As notificações cresceram de 14 (2023) para 22 (2024) e 24 (2025), refletindo maior sensibilidade da vigilância e ampliação da detecção. A descentralização terapêutica fortaleceu a resolutividade da Atenção Primária e reduziu barreiras de acesso ao tratamento. Persistem desafios relacionados ao tratamento de parceiros, cuja proporção reduziu de 85,7% (2023) para 68,1% (2024) e 58,3% (2025), configurando eixo crítico para redução sustentada da transmissão vertical. A taxa de sífilis congênita manteve-se oscilante, variando de 9,8 a 13,4 por 1.000 nascidos vivos no período analisado.
A implantação do monitoramento nominal consolidou modelo municipal de governança epidemiológica integrado à assistência, estruturando o processo de trabalho e qualificando a linha de cuidado da sífilis gestacional. A experiência demonstra que instrumentos organizacionais de baixo custo, aliados à integração entre vigilância e atenção primária, produzem ganhos consistentes na oportunidade diagnóstica e na adequação terapêutica. A continuidade da estratégia em 2026 evidencia sua institucionalização como política pública municipal. O enfrentamento da baixa adesão de parceiros constitui prioridade estratégica para ampliar o impacto na redução da sífilis congênita. Trata-se de experiência replicável, com potencial de contribuir para o fortalecimento da Vigilância em Saúde e da governança do SUS em municípios de pequeno porte.
Sífilis gestacional, SUS municipal, Vigilância
LUCAS ALVES DE SOUZA SANTANA, MARIELA LÚCIA CERISSA, ELKA ALVES, LUIZA FERNANDA MACHADO HERNANDEZ, MARCELO SAHIUM BARRIONOVO