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O envelhecimento populacional tem ampliado a demanda por atendimentos de urgência e transferências hospitalares, impactando especialmente municípios de pequeno porte como Bastos/SP. O crescimento da população idosa com multimorbidades elevou as solicitações via CROSS, aumentou a permanência no Pronto-Socorro Municipal e evidenciou dependência regional de leitos clínicos e de UTI. A retenção prolongada de pacientes aguardando regulação comprometia o fluxo assistencial e a capacidade de resposta local. Em junho de 2025, a Secretaria Municipal de Saúde implantou a estratégia “Rede em Alerta”, integrando Pronto-Socorro, regulação e Atenção Primária. A iniciativa envolveu equipe médica, enfermagem, gestão e Agentes Comunitários de Saúde, beneficiando idosos atendidos na urgência e acompanhados na rede básica. A inovação consistiu em transformar dados de transferências hospitalares em instrumento ativo de gestão, orientando decisões estratégicas e fortalecendo a coordenação do cuidado ao idoso no SUS municipal.
Analisar o perfil das transferências hospitalares de idosos atendidos no Pronto-Socorro Municipal entre junho e dezembro de 2025 e implantar estratégia baseada em dados assistenciais para qualificar a gestão das transferências. Identificar causas prioritárias e fatores potencialmente evitáveis. Reorganizar fluxos, ampliar a resolutividade local e fortalecer o seguimento pós-alta pela Atenção Primária.
Estudo observacional, descritivo e retrospectivo, realizado no Pronto-Socorro Municipal de Bastos/SP. Foram incluídos pacientes com 60 anos ou mais transferidos via CROSS entre junho e dezembro de 2025. Os dados foram extraídos do SIRESP e relatórios internos, analisando causas clínicas, especialidades demandadas e hospital de destino. A partir da análise, implementaram-se ações estratégicas: ampliação de exames de imagem com laudo médico, reorganização do fluxo de estabilização clínica, linha rápida de cuidado ao idoso com retorno à UBS em até 72 horas, checklist de alta segura e monitoramento domiciliar por Agentes Comunitários de Saúde.
Foram registradas 128 transferências hospitalares de idosos no período analisado, predominando faixa etária entre 70 e 80 anos. Clínica Médica representou 41% das transferências, Ortopedia 30%, Cardiologia 18% e Neurologia 11%. Aproximadamente 80% das transferências ortopédicas decorreram de quedas da própria altura. Após a implantação da estratégia, observou-se reorganização dos fluxos internos, qualificação da estabilização clínica e fortalecimento do seguimento pós-alta pela Atenção Primária. A análise permanente dos dados consolidou cultura de decisão baseada em evidências no SUS municipal.
A estratégia “Rede em Alerta” promoveu mudança organizacional ao transformar dados de transferências em ferramenta estratégica de gestão. A experiência fortaleceu a coordenação do cuidado ao idoso, integrou urgência e Atenção Primária e ampliou a capacidade local de resposta ao envelhecimento populacional. Trata-se de iniciativa de baixo custo, com alto potencial de replicabilidade em municípios de pequeno porte.
ENVELHECIMENTO, GESTÃO, ESTRATÉGIA, ORGANIZAÇÃO
JANAINY DAYANI PACHECO DE CAMPOS PINTO, CLEONICE FERREIRA COSTA