Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Em 23/12/2024, a vigilância em saúde e departamentos assistenciais da secretaria de saúde de São José do Rio Preto reuniram-se com o Ministério da Saúde e CVE-SP, diante das notificações de dengue em plena ascensão, com aproximadamente 4.459 notificações, sendo que o máximo registrado na história desde 2022 (999 notificações), elevada positividade dos exames RT-PCR (55%) e a circulação dos sorotipos dengue 2 cosmopolitan e dengue 3. Como uma das estratégias de enfrentamento ao cenário de emergência que se configurava, foi instalado um polo de atendimento anexo à UPA para hidratação de pacientes suspeitos de dengue. Em 03/01/2025, foi decretada emergência em saúde pública por epidemia e 27/02/2025 foi publicado o gabinete de crise de arboviroses conjunto com a Força Nacional de Saúde. Diante desse contexto, a Secretaria Municipal de Saúde implementou estratégias ampliadas de enfrentamento à dengue, articulando ações de vigilância epidemiológica, controle vetorial, educação em saúde e fortalecimento da rede assistencial. A experiência ocorreu em todo o território urbano do município, com foco prioritário em áreas de maior risco, definidas a partir do monitoramento contínuo dos casos notificados, índices de infestação e características socioambientais. Participaram da experiência agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde, equipes da Vigilância Epidemiológica, Atenção Básica, serviços de urgência e emergência, além do apoio da Força Nacional d
Descrever a estratégia integrada que articule vigilância em saúde, controle do vetor, inovação tecnológica e qualificação da assistência à saúde para reduzir a incidência e a transmissão da dengue no município de São José do Rio Preto Como objetivos específicos, buscou-se intensificar a eliminação de criadouros do Aedes aegypti, qualificar o monitoramento epidemiológico, ampliar o acesso oportuno da população aos serviços de saúde, reduzir complicações e internações por dengue, utilizar de forma racional o controle químico conforme diretrizes nacionais e incorporar tecnologias inovadoras, como a Estação Disseminadora de Larvicida, além de fortalecer a resposta assistencial com apoio da Força Nacional do SUS e a implantação de centro específico para hidratação de pacientes.
Em relação ao monitoramento da epidemia, o município conseguiu manter as inserções imediatas das notificações no SINAN com a descentralização para os serviços privados e criação de “bots” de notificação com o sistema municipal, propiciando analise em tempo real e ser um dos primeiros municípios do país a decretar emergência por epidemia de dengue em 2025. A experiência foi desenvolvida por meio de ações coordenadas pela Secretaria Municipal de Saúde, Estadual e Ministério da Saúde. No eixo controle vetorial, foram intensificadas as visitas domiciliares realizadas pelos agentes de combate às endemias, com eliminação de criadouros, orientação à população e registro sistemático das condições ambientais com 1.002.388 de visitas e 44.846 visitas nos mutirões aos finais de semana. O monitoramento epidemiológico ocorreu de forma permanente, com análise diária e semanal das notificações e uso de indicadores como o ADL. O controle químico foi empregado de forma seletiva, incluindo nebulização costale veicular, borrifação intradomiciliar e tratamento perifocal. Como inovação tecnológica, foram implantadas aproximadamente 6 mil Estações Disseminadoras de Larvicida em regiões de maior risco einiciado projeto de monitoramento com armadilhas BG-Sentinel. No eixo assistencial, destacou-se a reorganização dos fluxos de atendimento, apoio da Força Nacional do SUS e implantação de um Centro de Hidratação, reduzindo a sobrecarga das unidades de urgência e prevenindo ag
Foram notificados 69.953 suspeitos de dengue, 14% da população do município de 504.166 habitantes com automação por “bots”. 50% destes é SUS dependente. Destes, 53.047confirmados e 41 óbitos. A estratégia integrada resultou em redução de 95,3% nos casos em 2025 em comparação a 2024, possibilitando o retorno do município à condição de endemia na SE 25 de 2025. Nas áreas com aumento de casos, houve maior capacidade de resposta como bloqueios de transmissão oportunos e intensificação das ações de campo. A cobertura vacinal/2025 em adolescentes foi de 32,83%. Os mutirões e visitas domiciliares ampliaram a conscientização da população, sobre a eliminação de criadouros no interior dos imóveis, com 80% dos focos do vetor. A inovação das EDLs e BRI contribuíram para a interrupção do ciclo do mosquito, potencializando os resultados das estratégias tradicionais. No eixo assistencial, os serviços assistenciais de emergência realizaram 289.978 atendimentos de dengue (aumento de 120,84%), sendo 44% destes na atenção básica e telemedicina. As internações foram mais impactantes, por ser área hiperendêmica, 1427 pacientes foram internados, 258,68% maior que 2024(ano epidêmico sem retorno a endemia). A atuação da Força Nacional do SUS e a criação do Centro de Hidratação com100 leitos qualificaram o atendimento, reduziram complicações clínicas e auxiliaram as unidades de saúde, com cuidado oportuno, fizeram 6.684consultas em 100 dias. Em relação às medicações aumenta
A experiência demonstrou que o enfrentamento de epidemias de dengue em municípios hiperendêmicos exige superar modelos fragmentados e adotar uma resposta sistêmica, integrada e baseada em dados em tempo real. A articulação entre vigilância epidemiológica, controle vetorial qualificado, inovação tecnológica e reorganização da assistência permitiu transformar um cenário de rápida escalada de casos em uma resposta coordenada, resolutiva e salvadora de vidas. Mais do que reduzir indicadores, a estratégia fortaleceu a capacidade estrutural do SUS municipal, integrou equipes, aproximou ciência e gestão e reposicionou a atenção básica como protagonista no cuidado às arboviroses. Evidenciou-se que tecnologia sem território não sustenta resultados, e que território sem integração não responde às emergências sanitárias. O legado da experiência não está apenas na redução de 2025, mas na construção de um modelo resiliente, replicável e preparado para novos desafios epidemiológicos. Consolidar essa capacidade é essencial para que o SUS permaneça responsivo, equitativo e capaz de proteger a população diante das mudanças climáticas, ambientais e sociais que ampliam o risco das arboviroses.
Emergência, dengue, hiperendemia, inovação
ANDREIA FRANCESLI NEGRI, RUBEM DE OLIVEIRA BOTTAS NETO, CAMILA SANTANA DE OLIVEIRA, ANA PAULA MUNHOZ BOLGUE GASPARINI, LEANDRO MUNHOZ DE BRITO, LIGIA CAVASSANI, DIENE HEIRI LONGHI TRAJANO, EVANDRO SCARSO DE BRITO, CARMEN LÍGIA FIRMINO MARQUES, GABRIELA GAGIGE, ANA PAULA MUNHOZ BOLGUE GASPARINI, NAYANE MARA BALBO, MARIA AMÉLIA ZANON PONCE DA ROCHA, PAULA CANOVA SODRE, ALESSANDRA GARCIA, ANDREA RENATA MUNHOLI, MILENA APARECIDA SCARPASSI, JOÃO PAULO GONÇALVES DA SILVA, ANA CAROLINA BOLDRIN CARDOSO, RODRIGO TADEU RODRIGUES SILVESTRE, FABIANA MONTEIRO JACINTO DE MELO, PAULO CESAR DOS ANJOS GASQUES, SUZIMEIRI BRIGATTI ALAVARSE CARON, VANESSA DA COSTA NASCIMENTO, LETÍCIA DE FREITAS GRECO, KARINA ELIAS SOUZA COSTA, MICHELA DIAS BARCELOS, JOÃO MARCOS CERON DA SILVA