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Dentre os pilares fundamentais do SUS, especialmente nas redes de urgências e emergências, estão a gestão eficiente dos recursos e a agilidade no atendimento. Sendo assim o uso racional de tecnologias diagnósticas um desafio estratégico, pois impactam diretamente no cuidado prestado a população. Dessa forma, a presente experiência relata a implementação do protocolo clínico para padronização de exames na UPA Central de Santos, iniciada em maio de 2025 e em andamento. O projeto foi desenvolvido por uma equipe multiprofissional, unindo as direções técnica e administrativa ao corpo clínico, com o objetivo de alinhar as condutas diagnósticas às melhores evidências científicas. A iniciativa consiste na valorização da propedêutica clínica em detrimento o modelo de medicina defensiva”. Ao estabelecer critérios precisos para exames complementares, valoriza-se a anamnese e reduz-se os exames desnecessários, fortalecendo a equidade, garantindo que o recurso financeiro seja direcionado aos casos de real necessidade, e a universalidade, uma vez que a otimização dos fluxos reduziu sensivelmente o tempo de espera. Consequentemente, a população beneficiada compreendida entre os munícipes de Santos e Baixada Santista que buscam atendimento a UPA Central, passaram a contar com um atendimento mais assertivo, seguro e ágil. Demonstrando que é possível qualificar a assistência e garantir a sustentabilidade econômica do sistema público através de protocolos de gestão baseados em evidências.
O propósito desse projeto realizado na UPA Central de Santos foi através da implementação de um protocolo clínico para a padronização de solicitações de exames laboratoriais, qualificar a assistência à saúde prestada a população, assegurando que cada pedido de exame seja fundamentado em critérios clínicos rigorosos, protegendo o usuário de intervenções invasivas e desnecessárias. Além de otimizar a gestão de recursos públicos, reduzindo o desperdício financeiro e de insumos, bem como aumentar a resolutividade da assistência prestada. Em última análise, os objetivos convergiram para o fortalecimento dos princípios de Equidade e Integralidade, garantindo que o suporte tecnológico do SUS seja utilizado de forma precisa, segura e oportuna para quem mais necessita.
A implementação do protocolo clínico para padronização de exames na UPA Central de Santos seguiu quatro etapas principais. Na primeira fase, realizou-se a análise do processo atual, verificando-se diariamente por um mês as principais inconformidades nas solicitações de exames laboratoriais. A partir desses dados, realizou-se a segunda fase do projeto, no qual a direção técnica realizou a elaboração do protocolo operacional padrão, baseado nas diretrizes do Ministério da Saúde e sociedades de especialidades. Através do qual estabeleceu-se que estariam disponíveis na unidade os exames laboratoriais básicos, enquanto os exames laboratoriais específicos necessários para o diagnóstico de certas patologias seguiriam com a validação e autorização da coordenação médica e/ou diretoria técnica. Na terceira etapa, foram realizadas capacitações e discussões de casos clínicos com os profissionais do corpo clínico, focando na importância da anamnese para a decisão diagnóstica. Consequentemente a quarta fase do projeto em curso, compreende o monitoramento contínuo através de auditorias de prontuários e painéis de indicadores financeiros e operacionais.
A implementação do protocolo clínico apresentou resultados expressivos, tanto na esfera assistencial quanto na gestão de recursos. No que tange à eficiência operacional, observou-se uma redução contínua e acentuada no volume de exames realizados ao longo dos três quadrimestres de 2025: o total de procedimentos caiu de 17.544 no primeiro período para 14.823 no segundo, atingindo 11.799 no terceiro. Esse movimento consolidou uma diminuição quantitativa de 32,74% na solicitação de exames entre o início e o fim do ciclo analisado. Esse declínio refletiu diretamente na sustentabilidade financeira da unidade. Os valores despendidos com exames laboratoriais reduziram de R$ 83.384,93 (1º quadrimestre) para R$ 73.060,92 (2º quadrimestre), chegando a R$ 66.000,00 no 3º quadrimestre. Com o resultado final apontando para uma economia de 20,85% nos gastos diretos com suporte diagnóstico. No âmbito do fluxo assistencial, o protocolo impactou na otimização da tomada de decisão clínica e consequentemente a diminuição das reavaliações desnecessárias.
A experiência na UPA Central de Santos demonstra que a gestão clínica rigorosa é indissociável da sustentabilidade do SUS. A reflexão central que emerge deste processo é que a redução de exames não representa uma restrição de acesso, mas sim a reafirmação da Integralidade, ao priorizar a soberania da clínica sobre o uso irracional dos exames complementares. Os resultados quantitativos, com redução de 32,74% no volume de exames e a economia de 20,85% nos custos, provam que o combate ao desperdício é uma ferramenta poderosa para a garantia da equidade, permitindo o reinvestimento de recursos para a assistência aos pacientes mais críticos. A otimização na tomada de decisão reflete o fortalecimento da universalidade, tornando a porta de entrada do sistema de saúde mais acessível a acolhedora. A expectativa é que a consolidação deste protocolo como cultura institucional, contribua como modelo para outras unidades da rede municipal. Concluímos assim que o sucesso do protocolo reside na sinergia entre as direções técnica e administrativa com o corpo clínico, provando que é possível oferecer um atendimento ágil, seguro e resolutivo, honrando os princípios fundamentais da saúde pública brasileira.
Protocolo de exames; otimização de recursos
ISABELA ROSSI PIRES, MAIANE ARAUJO CORREA, ANTÔNIO LUCAS DOS SANTOS