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A violência é um problema de saúde pública, com impactos diretos na morbimortalidade, no sofrimento psíquico e na sobrecarga dos serviços do Sistema Único de Saúde. No municipio, a qualificação da vigilância das violências subsidia a tomada de decisão, o planejamento das ações e a organização da rede de cuidado. Em Marília/SP, observou-se a necessidade de superar a fragmentação das informações provenientes das notificações de violência registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), ampliando sua utilização como ferramenta estratégica de gestão. Durante o ano de 2025, o Painel Epidemiológico das Violências foi construído, de forma integrada pelo Núcleo de Informações, Vigilância Epidemiológica, Núcleo de Prevenção e Cuidado à Pessoa em Situação de Violência e Núcleo de Saúde Mental. A experiência realizada pela Secretaria Municipal da Saúde, iniciada em setembro de 2025, envolveu profissionais técnicos das áreas de vigilância, atenção psicossocial e gestão da informação. O painel permitiu analisar o perfil das vítimas e dos autores de violência, considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, vínculo autor-vítima, uso de álcool e presença de deficiência. O público beneficiado são gestores, equipes da saúde e a população em situação de violência, que passou a contar com estratégias de cuidado mais qualificadas e direcionadas à realidade epidemiológica local.
Desenvolver e implantar um painel epidemiológico das violências como ferramenta estratégica de gestão em saúde no município de Marília/SP. Qualificar a análise das notificações de violência registradas no SINAN, ampliando sua utilização para o planejamento das ações de prevenção, vigilância e cuidado. Subsidiar a organização da rede de atenção e proteção às pessoas em situação de violência, com base no perfil epidemiológico das vítimas e dos autores. Fortalecer a articulação intersetorial e intrassetorial entre VE, APS e Gestão, promovendo decisões baseadas em evidências. Contribuir para a redução da subnotificação e para a melhoria da qualidade das informações relacionadas às violências.
Trata-se de uma experiência de natureza descritiva e analítica, desenvolvida a partir da consolidação e análise dos dados de notificações de violências registradas no SINAN no ano de 2025. Inicialmente, foi instituído um grupo de trabalho envolvendo o NI, VE, Núcleo de Prevenção e Cuidado à Pessoa em Situação de Violência e Núcleo de Saúde Mental. Os dados foram extraídos, qualificados e organizados em painéis dinâmicos, permitindo análises por período, sexo, faixa etária, raça, cor, escolaridade, orientação sexual, identidade de gênero, tipo de violência, relação autor-vítima, uso de álcool, território do caso, unidade notificadora e presença de deficiência. Foram elaborados recortes específicos do perfil das vítimas e dos autores, possibilitando leituras comparativas e integradas. As atividades incluíram reuniões técnicas periódicas, validação dos indicadores, construção dos painéis visuais e discussão dos achados com as equipes assistenciais e de gestão. O painel passou a ser utilizado como instrumento permanente de apoio ao planejamento, à vigilância das violências e à definição de fluxos de cuidado no município, envolvendo serviços da APS, Atenção Especializada, Urgência e Emergência, Núcleo de Saúde Mental e VE.
No ano de 2025, o painel evidenciou expressivo volume de notificações de violência no município, possibilitando caracterização detalhada do perfil das vítimas e dos autores. Observou-se predominância de vítimas do sexo feminino, com maior concentração na faixa etária adulta e ocorrência significativa entre crianças e adolescentes. A distribuição por raça/cor indicou maior proporção de pessoas brancas e pardas, em consonância com o perfil demográfico local, além de percentual relevante de registros com informação ignorada, evidenciando a necessidade de qualificação do preenchimento. Quanto aos autores, verificou-se predominância de adultos com vínculo próximo às vítimas, como cônjuges, ex-cônjuges, cuidadores e pessoas conhecidas, reforçando o caráter doméstico e interpessoal das violências. O uso de álcool esteve presente em parcela significativa dos casos, configurando fator associado de risco. Identificou-se também número expressivo de vítimas com deficiência, sobretudo física e mental, indicando maior vulnerabilidade. As violências autoprovocadas foram igualmente registradas, demandando atenção específica da rede de saúde mental. A disponibilização do painel fortaleceu o uso estratégico das informações epidemiológicas na gestão, qualificou discussões técnicas com os serviços e subsidiou ações de busca ativa, acompanhamento longitudinal e articulação intersetorial, ampliando a visibilidade das violências como problema sanitário prioritário.
O Painel Epidemiológico das Violências em Marília/SP consolidou-se como estratégia de fortalecimento da vigilância, da gestão e do cuidado no SUS municipal. A experiência evidenciou que a integração entre núcleos técnicos e o uso sistemático dos dados do SINAN permitem compreender a complexidade das violências e orientar respostas mais qualificadas. Destacam-se o aprimoramento da análise epidemiológica, a articulação entre Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária à Saúde, Núcleo de Prevenção e Cuidado à Pessoa em Situação de Violência e Saúde Mental, além do apoio à organização e qualificação dos fluxos de cuidado no município. Como desafios, permanecem a melhoria do preenchimento das notificações, a redução de campos ignorados e a incorporação do painel pelas equipes assistenciais como ferramenta de planejamento, monitoramento e cuidado longitudinal. A perspectiva futura é consolidar o painel como instrumento permanente de gestão, ampliando seu uso na formação das equipes e no fortalecimento das políticas públicas de prevenção e cuidado às violências.
Vigilância em saúde; Violência; Saúde pública.
FABIANA MARTINS, ANDREA UCHIDA, VIVIAN MARTINELLI FUNAI, PALOMA APARECIDA LIBANIO NUNES, HUDISON SOARES BEZERRA, MARICLÁUDIA DAMACENO RIBEIRO, ADRIANA MAGALI DEZOTTI BATISTA, FLÁVIA BUENO PELOZO, MARIANNE GOMES BARBOSA ALVES, MARILZA DOS SANTOS FERREIRA DOMINGUES, JULIANA CARVALHO BORTOLETTO GOMES