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A população trans no Brasil enfrenta barreiras significativas no acesso à saúde, educação, trabalho e direitos básicos, refletindo em maior vulnerabilidade social e em piores indicadores de saúde. A Atenção Básica, como porta de entrada do SUS, tem papel fundamental na garantia de cuidado humanizado, livre de discriminação e pautado na equidade. A experiência da UBS Vila Nova, no município de Registro, em articulação com o CRAS Vila Nova, surge a partir de demandas reais do território, evidenciadas por relatos de pessoas trans que buscavam acolhimento, hormonioterapia, apoio psicológico e acesso a direitos. A partir dessas vivências, foi estruturada uma estratégia intersetorial com foco na inclusão, na escuta qualificada e no fortalecimento de vínculos. O trabalho demonstra como ações locais, construídas de forma coletiva, podem ampliar o acesso ao cuidado integral, reduzir barreiras institucionais e promover respeito à identidade de gênero, transformando a Atenção Básica em um espaço efetivamente inclusivo. Que esta sendo expandido para todo município e apresentado a nível Regional.
Compartilhar a experiência da UBS Vila Nova no acompanhamento de pessoas trans no território. Apresentar os desafios enfrentados na Atenção Básica quanto ao acesso, acolhimento e encaminhamento ao Processo Transexualizador do SUS. Descrever a construção do grupo intersetorial UBS e CRAS como estratégia de inclusão social e cuidado integral. Promover a reflexão sobre práticas humanizadas, respeito ao nome social e fortalecimento de políticas públicas locais voltadas à população trans.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido na UBS Vila Nova, município de Registro (SP), em articulação com o CRAS Vila Nova. A iniciativa teve início a partir da escuta de demandas espontâneas de pessoas trans atendidas na unidade, que revelaram dificuldades no acesso à hormonioterapia, à saúde mental especializada e ao Processo Transexualizador do SUS. Realizou-se mapeamento territorial da população trans e articulação intersetorial com Secretaria Municipal de Saúde, AME, Vigilância em Saúde, Defensoria Pública e Centro de Referência para a População Trans (CRT). Foi instituído grupo com encontros periódicos, garantindo espaço seguro de escuta qualificada, educação em saúde e orientação sobre direitos sociais. As ações incluíram rodas de conversa sobre saúde integral, IST/HIV, doenças crônicas, saúde mental, autocuidado e acesso a benefícios sociais, além de encaminhamentos conforme demandas identificadas.
Observou-se aumento da procura por serviços de saúde por pessoas trans, com maior adesão ao acompanhamento na Atenção Básica. Houve fortalecimento do vínculo entre usuários, ampliando a confiança nos serviços. A articulação intersetorial possibilitou encaminhamento ao serviço especializado (CRT), acesso a benefícios sociais e orientação jurídica em casos de discriminação. Os relatos dos participantes evidenciaram necessidades relacionadas à qualificação profissional, preparo técnico das equipes e enfrentamento do preconceito na comunidade. Como desdobramento, houve sensibilização dos profissionais de saúde e assistência social, além da criação do Grupo Condutor Regional de Identidade e Vivência Trans na DRS XII, ampliando o debate para além do território local, e o estudo de criação municipal do ambulatório para pessoas trans.
A experiência demonstra que a Atenção Básica pode ser protagonista na promoção da equidade e inclusão da população trans, desde que pautada na escuta ativa, no respeito à identidade de gênero e na articulação intersetorial. Os relatos evidenciam que o acesso isolado aos serviços não garante resolutividade, sendo essencial qualificação contínua das equipes e transformação das práticas institucionais. O grupo mostrou-se estratégia potente para fortalecimento de vínculos, ampliação do acesso e construção de políticas locais mais inclusivas. A inclusão começa pela escuta e pelo reconhecimento das demandas reais do território, reafirmando o SUS como espaço de cuidado integral, humano e democrático.
Atenção Básica, Pessoas Trans, Equidade.
BRUNA URSULINO DE OLIVEIRA