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A experiência descreve a implantação de teleatendimentos realizados por médico de família com o objetivo de ampliar a oferta assistencial da Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Monte Azul Paulista. A iniciativa foi desenvolvida por meio de parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Monte Azul Paulista e a Universidade de São Paulo, fortalecendo a integração ensino-serviço e a qualificação do cuidado na Estratégia Saúde da Família (ESF). O projeto foi estruturado para ampliar o acesso às consultas médicas, reduzir a demanda reprimida e manter o cuidado coordenado pela equipe da ESF. Diferentemente de um modelo voltado para especialidades isoladas, os teleatendimentos foram realizados por médico de família, assegurando abordagem integral, centrada na pessoa, com foco na longitudinalidade e na resolutividade da APS. A estratégia possibilitou ampliar a capacidade de atendimento sem necessidade imediata de expansão física ou contratação adicional presencial, utilizando tecnologia como ferramenta complementar ao cuidado. Em setembro de 2025, foram realizados 61 teleatendimentos, evidenciando impacto direto na ampliação da oferta médica no território.
Objetivo geral: Ampliar a oferta de consultas médicas na APS por meio de teleatendimentos realizados por médico de família. Objetivos específicos: Reduzir a demanda reprimida por consultas médicas na ESF. Fortalecer a resolutividade da Atenção Primária. Manter a coordenação do cuidado pela equipe local. Diminuir encaminhamentos desnecessários para outros níveis de atenção. Monitorar indicadores assistenciais e de satisfação dos usuários.
A iniciativa foi organizada a partir de planejamento conjunto entre gestão municipal e universidade. Após diagnóstico da demanda reprimida por consultas médicas na ESF, estruturou-se agenda específica de teleatendimento com médico de família vinculado à universidade. Os usuários eram previamente acolhidos e avaliados pela equipe da unidade. Quando identificada necessidade de consulta médica e diante de limitação de agenda presencial, o paciente era inserido na agenda de teleatendimento. As consultas ocorreram em sala reservada na unidade de saúde, com suporte da equipe local, garantindo sigilo e continuidade do cuidado. O médico de família realizou avaliação clínica, revisão terapêutica, solicitação e análise de exames, renovação de receitas e definição de condutas, mantendo registro em prontuário e articulando seguimento com a equipe da ESF. Foram monitorados indicadores como número de atendimentos, taxa de ocupação da agenda, absenteísmo, resolutividade e satisfação dos usuários (NPS), permitindo avaliação sistemática do impacto da estratégia.
No mês de setembro de 2025, foram realizados 61 teleatendimentos médicos, ampliando significativamente a oferta de consultas na APS municipal. A taxa de ocupação da agenda foi de 80,10%, demonstrando adequada organização do fluxo e boa adesão da população. O absenteísmo registrado foi de 29,17%, apontando oportunidade de aprimoramento nos mecanismos de confirmação de consultas. Ainda assim, a estratégia contribuiu para absorver parte importante da demanda reprimida. A resolutividade alcançou 89,58%, evidenciando que a maioria dos casos foi solucionada no próprio âmbito da Atenção Primária, sem necessidade de encaminhamento para outros níveis de atenção. A satisfação dos usuários atingiu 100% no Net Promoter Score (NPS), indicando elevada aprovação da modalidade de atendimento e percepção positiva quanto ao acesso e à qualidade do cuidado ofertado.
A realização de teleatendimentos por médico de família mostrou-se estratégia eficaz para ampliar a oferta assistencial na APS de Monte Azul Paulista. A iniciativa fortaleceu a resolutividade da ESF, reduziu a demanda reprimida e manteve a coordenação do cuidado no território. Os indicadores demonstram viabilidade técnica, alta satisfação dos usuários e impacto positivo na organização do processo de trabalho. Apesar do absenteísmo identificado, os resultados apontam potencial de consolidação e expansão da estratégia. A experiência evidencia que a incorporação da telemedicina na APS, quando conduzida por médico de família e integrada à equipe local, constitui ferramenta potente para qualificação do cuidado e fortalecimento do SUS em municípios de pequeno porte.
Telemedicina, APS, ESF, Inovação em saúde
YAGO TOLEDO SILVA, GRAZIELA PRIOLI ARAÚJO COSTA