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O município de Paraguaçu Paulista enfrentou três anos consecutivos de epidemia de dengue sem utilizar inseticida, “fumacê” ou nebulização, adotando como estratégia central a integração territorial entre Atenção Primária à Saúde (APS) e Vigilância em Saúde. A gestão promoveu a descentralização dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) para atuação integrada com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), além da descentralização da digitação das notificações nas próprias unidades de saúde, permitindo acesso oportuno às informações e bloqueio imediato das áreas notificadas. Com foco em vigilância ativa, educação em saúde e mobilização comunitária, o município reorganizou fluxos, qualificou notificações e fortaleceu ações ambientais, demonstrando que o enfrentamento das arboviroses pode ocorrer de forma eficaz mesmo sem uso de inseticidas.
3 – OBJETIVOS Objetivo Geral Reduzir casos de dengue sem utilização de inseticida, por meio de estratégias integradas de vigilância territorial e mobilização social. Objetivos Específicos • Integrar ACE e ACS no território. • Descentralizar notificações e sua digitação nas unidades. • Reduzir o tempo entre notificação e bloqueio. • Qualificar fichas e encerramentos laboratoriais. • Ampliar ações educativas nas escolas. • Realizar mutirões ambientais periódicos. • Fortalecer participação comunitária no controle de criadouros.
Os ACE foram descentralizados para atuação conjunta com os ACS nas equipes de APS, permitindo identificação precoce de casos suspeitos e bloqueio imediato das áreas. A digitação das notificações foi descentralizada nas unidades de saúde, com envio oportuno pela Santa Casa de Paraguaçu Paulista e acompanhamento territorial até o encerramento dos casos, preferencialmente por critério laboratorial. Foram realizadas capacitações em arboviroses com apoio do Grupo de Vigilância Epidemiológica, reuniões periódicas de monitoramento e apresentação da situação epidemiológica na Câmara Municipal. Os mutirões “Paraguaçu contra a Dengue” ocorreram duas vezes ao ano, com coleta média de 110 toneladas de resíduos por edição, retirando móveis velhos, eletrodomésticos quebrados, pneus e objetos acumuladores de água. Na campanha “Natal sem Dengue”, foram recolhidos em média 17 bags de materiais inservíveis por ano nas escolas municipais. Foi implantada também a Gincana Escolar contra a Dengue, com duração de dois meses, envolvendo escolas municipais do 1º ao 5º ano. A mobilização recolheu cerca de 20 bags de materiais de risco. Durante a gincana, agentes de saúde e professores orientaram os estudantes sobre o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti e as principais formas de prevenção. Os alunos aprenderam a identificar e eliminar criadouros e a conscientizar suas famílias sobre a importância da rotina de cuidado com os quintais. A premiação incluiu troféus de 1º, 2º e 3º lugar, como incentivo.
Mesmo sem “fumacê” ou nebulização por três anos, os casos confirmados reduziram de 3.069 em 2024 para 517 em 2025 e apenas 3 casos em 2026 até o período analisado. Em 2025, Paraguaçu Paulista foi o município com menor número de casos de dengue na área do GVE. Os mutirões semestrais retiraram em média 110 toneladas de resíduos por edição, eliminando potenciais criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. A campanha “Natal sem Dengue” recolheu cerca de 17 bags anuais e a Gincana Escolar contra a Dengue recolheu aproximadamente 20 bags adicionais de materiais de risco, fortalecendo a educação em saúde e a participação familiar. A descentralização dos ACE e da digitação das notificações reduziu o tempo entre diagnóstico e bloqueio, qualificando a resposta epidemiológica e aumentando a resolutividade no território.
A experiência demonstra que é possível enfrentar a dengue sem “fumacê” por meio de gestão integrada, vigilância territorial ativa e mobilização comunitária contínua. A descentralização dos ACE e das notificações fortaleceu o cuidado no território e permitiu respostas rápidas. As ações ambientais e educativas, especialmente nas escolas, mostraram-se estratégicas para mudança de comportamento e sustentabilidade das ações. Os resultados posicionam Paraguaçu Paulista como referência regional no controle sustentável das arboviroses, evidenciando que políticas intersetoriais, educação permanente e participação social são determinantes para o sucesso no SUS.
Dengue, Vigilância, APS, Educação em Saúde, SUS
DEISE PEREIRA RAMALHO DA SILVA, DIALA SAVIAN WEGNER, BIANCA RODRIGUES DA SILVA SANTOS, EGYDIO TONINI NOGUEIRA NETO