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A implantação do Ambulatório Transgênero em Santana de Parnaíba, em junho de 2024, representou ampliação na garantia do acesso à terapia hormonal e ao acompanhamento multiprofissional da população trans no município. Entretanto, a experiência evidenciou que estruturar um serviço não é suficiente: é necessário que a rede aprenda a cuidar. A consolidação do atendimento exigiu investimento em educação permanente, especialmente na Atenção Básica, principal porta de entrada do SUS. Entre junho de 2024 e 2025, foram realizadas capacitações em diversas UBSs, junto às equipes de Serviço Social e do Núcleo de Prevenção e Atenção a Acidentes e Violências, alcançando aproximadamente 150 profissionais, entre agentes comunitários de saúde, recepcionistas, equipes multiprofissionais e gerentes. Fundamentada na Política Nacional de Saúde Integral da População LGBTQIAPN+ e no princípio da equidade, a iniciativa buscou qualificar o cuidado, reduzir barreiras institucionais e fortalecer o letramento em saúde da população trans, promovendo acolhimento humanizado e garantia do direito universal à saúde.
Promover educação permanente em saúde com foco em diversidade e identidade de gênero para profissionais da rede municipal de saúde de Santana de Parnaíba. Sensibilizar as equipes quanto ao dever institucional de garantir atendimento universal, humanizado e livre de discriminação, independentemente de convicções pessoais. Qualificar acolhimento, comunicação e fluxos de encaminhamento ao Ambulatório Transgênero. Fortalecer a equidade e a integralidade do cuidado à população trans no SUS municipal.
A experiência foi desenvolvida entre junho de 2024 e 2025 por meio de ações presenciais de educação permanente realizadas em Unidades Básicas de Saúde, equipe de assistentes sociais e equipe multiprofissional do NUPAV – Núcleo de Prevenção e Atenção a Acidentes e Violências. A metodologia adotou abordagem problematizadora, alinhada aos princípios da Educação Permanente em Saúde, partindo das situações reais vivenciadas pelas equipes no cotidiano do atendimento. Os encontros foram estruturados a partir do diálogo, da escuta qualificada e da análise crítica de casos concretos, favorecendo a reflexão sobre práticas institucionais e barreiras de acesso enfrentadas pela população trans. Foram trabalhados conceitos de identidade de gênero, orientação sexual, uso do nome social, direitos garantidos no SUS, legislação vigente e fluxos de acesso ao Ambulatório Transgênero. Estudos de caso e simulações permitiram que os profissionais identificassem dúvidas, inseguranças e preconceitos implícitos, promovendo ressignificação de práticas. Participaram aproximadamente 150 profissionais, incluindo agentes comunitários de saúde, recepcionistas, assistentes sociais, equipes multiprofissionais e gerentes. Ao final dos encontros, foram coletados feedbacks qualitativos. A condução priorizou a construção coletiva do conhecimento, fortalecendo o compromisso ético dos trabalhadores com a equidade, a universalidade e a humanização do cuidado.
A capacitação alcançou, aproximadamente, 150 profissionais da rede municipal, ampliando o conhecimento técnico sobre identidade de gênero e direitos da população trans, além de promover maior segurança no atendimento e redução de condutas inadequadas por desconhecimento. Observou-se melhora no acolhimento e maior adequação no uso do nome social. Houve aumento da procura pelo Ambulatório Transgênero e qualificação dos encaminhamentos realizados pela Atenção Básica. Destaca-se a relevância da formação dos Agentes Comunitários de Saúde, considerando que a população trans historicamente frequenta pouco a Atenção Básica, muitas vezes em razão de experiências prévias de exclusão. A qualificação dos Agentes Comunitários de Saúde possibilitou maior aproximação territorial, orientação qualificada e encaminhamento ao Ambulatório Trans, inclusive com esclarecimento de que o acesso pode ocorrer por demanda espontânea, sem necessidade de encaminhamento formal. As capacitações permanecem em curso, consolidando processo contínuo de qualificação. Os feedbacks foram predominantemente positivos, com reconhecimento da relevância da temática para prevenção de violências institucionais e promoção da saúde. A experiência contribuiu para consolidar o Ambulatório Trans como política pública municipal sustentada por rede qualificada e alinhada ao princípio da equidade.
A implantação de um serviço especializado demanda investimento contínuo em educação permanente para garantir sua efetividade. O cuidado à população trans não se sustenta apenas por protocolos, mas pela transformação das práticas cotidianas e das culturas institucionais. Ao qualificar aproximadamente 150 profissionais, o município avançou na consolidação da equidade como princípio concreto do SUS, ampliando acesso, reduzindo barreiras e fortalecendo o acolhimento humanizado. O SUS aprende quando reconhece suas próprias limitações, enfrenta resistências e investe na formação de seus trabalhadores. Aprende quando transforma conhecimento em prática e compromisso ético em ação. O SUS aprende quando transforma formação em acesso real e cuidado efetivo.
Educação Permanente,Ambulatório Transgênero
VALQUIRIA DE CONTO, GLADYS DA SILVA BARBOSA, SUELENE MACHADO SANTANA, RAFAEL RAFAINI LLORET, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE