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As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) foram criadas em 2008 com a finalidade de oferecer resposta rápida e resolutiva a doenças agudas e descompensações de doenças crônicas de baixa e média complexidade. Um dos maiores desafios enfrentados pelos serviços de urgência e emergência, diante do grande volume de atendimentos, é a organizar os fluxos assistenciais, de modo a assegurar um cuidado eficiente e resolutivo, possibilitando uma experiência satisfatória ao usuário do serviço de saúde. A UPA Vicente Missiano (ou UPA Centro de Osasco), referência no atendimento de urgências no município, enfrentava um cenário de superlotação e prolongado tempo de espera, principalmente em casos classificados como azuis e verdes pelo Protocolo de Manchester. Esses pacientes competiam por espaço e equipe com casos críticos, gerando sobrecarga assistencial e insatisfação. Diante desse cenário, a equipe de gestão técnica e assistencial implantou o Sistema Fast Track, modelo já consolidado baseado em fluxo rápido para resolver casos de baixa complexidade, com equipe exclusiva e atendimento direcionado, otimizando o fluxo interno da unidade. A proposta surgiu da necessidade de otimizar recursos, ampliar a resolutividade e reduzir o tempo de resposta sem comprometer a segurança assistencial. A iniciativa foi fundamentada nas diretrizes da Política Nacional de Atenção às Urgências e na busca por qualificação do acesso e humanização, priorizando eficiência, acolhimento e continuidade do cuidado.
Track na UPA Centro de Osasco com a finalidade de qualificar o acesso ao atendimento de baixa complexidade, reorganizando o fluxo assistencial e garantindo maior eficiência no cuidado em urgência. O propósito final é reduzir o tempo de espera para atendimento médico dos pacientes classificados como baixa prioridade, diminuir a taxa de evasão antes da consulta, otimizar a utilização dos recursos disponíveis e reduzir a sobrecarga da equipe no pronto atendimento geral, promovendo maior resolutividade, segurança assistencial e humanização do cuidado. Busca-se ainda aprimorar a distribuição das demandas entre as equipes, favorecer maior previsibilidade no fluxo interno da unidade e fortalecer a integração com a Atenção Primária à Saúde.
Trata-se de um estudo descritivo, na modalidade de relato de experiência, baseado na vivência da equipe de gestão técnica e assistencial da UPA Vicente Missiano, em Osasco (SP), durante a implantação do Sistema Fast Track, iniciada em setembro de 2025. A implementação ocorreu de forma participativa e multiprofissional, com reuniões entre Direção Técnica, Gerência Médica, Coordenação de Enfermagem e equipe médica, e Diretoria de Urgências e Emergências (DGUE) do município. Inicialmente, realizou-se um diagnóstico situacional para identificar gargalos e definir indicadores de espera, evasão satisfação. Em seguida, elaborou-se um projeto piloto com fluxogramas, critérios de elegibilidade para atendimento no Fast Track e padronização das condutas. Prosseguiu-se com a criação do consultório exclusivo de atendimento, concentrando os casos de menor complexidade em um espaço exclusivo, onde a consulta médica e a administração de medicações orais ou intramusculares ocorrem de forma integrada. As equipes médicas e de enfermagem foram treinadas no novo modelo e nos protocolos de risco, com reuniões semanais antes e durante a implementação. Após a implantação, indicadores de desempenho e relatos qualitativos de profissionais e usuários orientaram ajustes e consolidaram o Fast Track como estratégia permanente.
Após a implementação, observou-se uma redução importante no tempo de espera para atendimento médico dos pacientes de baixa complexidade. O tempo médio total de permanência na unidade diminuiu em média 30 minutos por paciente, liberando fluxos e ampliando a capacidade de resposta da equipe de emergência. A taxa de evasão antes do atendimento reduziu de forma substancial e houve melhora expressiva na satisfação dos usuários, avaliada por pesquisa interna e relatos espontâneos. O Fast Track também favoreceu a organização do fluxo interno, reduzindo interrupções no pronto atendimento geral e permitindo maior foco da equipe médica nos casos de urgência verdadeira. Os resultados consolidaram a estratégia como modelo de gestão replicável para outras UPAs do município, fortalecendo a integração com a Atenção Primária e demonstrando que inovação em gestão pode gerar impacto direto na eficiência e humanização do cuidado.
a experiência de implantação do Sistema Fast Track na UPA Centro de Osasco demonstrou que é possível conciliar agilidade, resolutividade e humanização em um ambiente de alta demanda. A iniciativa reforçou a importância da gestão clínica ativa e da integração entre as equipes médica e de enfermagem para otimizar fluxos e garantir segurança assistencial. Os resultados obtidos evidenciam que medidas estruturadas de organização do cuidado produzem impacto mensurável na eficiência e satisfação do usuário. O modelo se mostrou replicável e sustentável, podendo ser adaptado a outras unidades de urgência do município, servindo como ferramenta de qualificação do acesso e fortalecimento da política de acolhimento com classificação de risco. O Relato reforça que inovar na gestão é também cuidar, transformando processos em resultados clínicos e humanos concretos.
UPA, FAST TRACK, CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
HENRIQUE JOSÉ ALVIM DO AMARAL CALAÇA, MARCOS PAULO FERREIRA RIOS, ISEL DE VARONA MIYARES, MARIANE DO NASCIMENTO FURTADO SOARES, JAQUELINE FERREIRA DA SILVA DOMANOSKI, BERNADETE DE FÁTIMA PICCOLI GOMES, MILTON CESAR DE OLIVEIRA, JOSÉ RUDIMAR SANTA CATARINA