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A inclusão de pessoas com deficiência nos serviços de saúde representa um desafio ético, social e profissional que exige reflexão e ação contínua. A deficiência é compreendida pela perspectiva biopsicossocial, na qual as limitações do indivíduo interagem com barreiras ambientais, dificultando sua plena participação na sociedade (Brasil, 2015). As práticas inclusivas buscam eliminar barreiras físicas, comunicacionais, atitudinais e institucionais, garantindo acesso equitativo e respeitoso aos usuários. O capacitismo, presente de forma sutil ou estrutural, evidencia a necessidade de sensibilização e capacitação das equipes (Brasil, 2024). Muitos profissionais relatam insegurança, falta de preparo técnico e ausência de recursos adequados, comprometendo a qualidade do cuidado e reforçando obstáculos existentes. Nesse cenário, a implementação de estratégias educativas no trabalho em saúde contribui para renovar práticas profissionais e reorganizar processos, permitindo superar os desafios cotidianos enfrentados pelos trabalhadores (Amorim; Liberali; Medeiros Neta, 2018). A Educação Permanente em Saúde (EPS) surge como ferramenta essencial para qualificação profissional, estimulando reflexão crítica, empatia e o desenvolvimento de práticas inclusivas no atendimento às pessoas com deficiência.
Planejar e implementar uma ação de Educação Permanente em Saúde (EPS) voltada à qualificação de profissionais de uma USF para o atendimento a pessoas com deficiência. Estimular reflexão sobre barreiras de acessibilidade e atitudes capacitistas. Incentivar mudanças no atendimento e na organização dos serviços de saúde visando um atendimento equitativo. Fortalecer a capacitação contínua e a sensibilização dos profissionais de saúde.
A ação foi desenvolvida por residentes do programa de Residência Multiprofissional em Atenção Primária à Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde de Santos/SP, após conclusão do curso de Práticas Inclusivas desenvolvido pela UNIFESP em parceria com a Prefeitura de Santos/SP e estruturou-se em quatro etapas principais. Inicialmente, realizou-se uma apresentação conceitual, oferecendo uma breve contextualização sobre pessoas com deficiência, práticas inclusivas e capacitismo, utilizando linguagem acessível e fundamentação legal. Em seguida, foi conduzida a dinâmica “Na pele do outro”, uma vivência narrativa guiada que incluiu simulações sensoriais e cognitivas, permitindo aos participantes experimentar os obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência ao acessar os serviços de saúde. A terceira etapa consistiu na análise de barreiras, em que foram distribuídos papéis com situações exemplificando barreiras físicas, comunicacionais, atitudinais e institucionais, incentivando a reflexão coletiva sobre estratégias para superá-las. Por fim, o encontro foi encerrado com uma discussão sobre a experiência vivida e a entrega de um folder com orientações para aplicação dos conceitos no cotidiano profissional, reforçando a importância da inclusão e das práticas acessíveis.
A aplicação da EPS com os profissionais da USF demonstrou impacto positivo na sensibilização sobre inclusão de pessoas com deficiência. Observou-se que a dinâmica “Na pele do outro” promoveu reflexão sobre barreiras físicas, comunicacionais, atitudinais e institucionais, aumentando a percepção dos participantes sobre os obstáculos enfrentados pelos usuários nos serviços de saúde. Durante a análise de barreiras, os profissionais identificaram práticas capacitistas e reconheceram a necessidade de mudanças concretas no atendimento cotidiano. Ao final do encontro, por meio da discussão coletiva e do material complementar distribuído, foi possível perceber maior comprometimento dos participantes com estratégias de inclusão, como adequação da comunicação, respeito à autonomia do paciente, observação das condições de acessibilidade física e organização de rotinas mais inclusivas. Além disso, a experiência favoreceu o fortalecimento do trabalho em equipe e da empatia, elementos essenciais para a humanização do atendimento. Estes resultados indicam que a EPS é uma ferramenta eficaz para promover mudanças de atitude e conscientização sobre direitos das pessoas com deficiência, sendo recomendada para implementação contínua e ampliada a outras equipes de saúde.
A implementação da EPS demonstrou ser uma ferramenta eficaz para sensibilizar os profissionais da USF Alemoa sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência nos serviços de saúde. A vivência prática aliada à reflexão teórica promoveu maior compreensão sobre barreiras de acessibilidade e capacitismo, contribuindo para mudanças de atitude e ampliação da percepção sobre direitos e necessidades específicas dos usuários. A manutenção e o aprimoramento dessas estratégias são fundamentais para fortalecer uma cultura de atendimento inclusivo, ético e equitativo, reforçando que a inclusão é um direito de todos, e não um benefício opcional.
PESSOA COM DEFICIÊNCIA,EPS,PRÁTICAS INCLUSIVAS
MARIANA GONÇALVES MANETTA, CAROLINE GOMES MELO SILVA, MONIQUE VICTÓRIA CARVALHO DE OLIVEIRA, KARINA ROBERTA VIEIRA DE ALMEIDA, ANNA BEATRIZ LOPES FEITOSA