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O envelhecimento populacional impõe à Estratégia Saúde da Família (ESF) o desafio de promover uma longevidade digna, com equidade, participação social e fortalecimento dos vínculos comunitários. Superar práticas centradas exclusivamente no modelo biomédico exige reconhecer a pessoa idosa como sujeito ativo de direitos, saberes e experiências, valorizando sua autonomia, protagonismo e inserção social ao longo do curso de vida. Nesse contexto, estimular relações intergeracionais capazes de promover empatia, respeito e esperança entre diferentes ciclos de vida contribuem para o envelhecimento ativo e saudável, reduzem estigmas relacionados à idade e fortalecem redes de apoio social, ampliando o cuidado para além da dimensão clínica configurando-se como estratégias potentes de promoção da saúde na ESF. A atuação da equipe eMulti junto à ESF potencializa a territorialização do cuidado e a articulação intersetorial, viabilizando práticas que valorizam a memória social, as narrativas de vida e o compartilhamento de saberes da pessoa idosa, ao mesmo tempo em que promovem formação cidadã e corresponsabilização entre adolescentes. Nesse cenário, foi desenvolvida uma intervenção intergeracional no território da ESF Santa Edwiges, em Bauru/SP, no período de 23 a 30 de setembro de 2025, em parceria com o Centro de Convivência do bairro e a escola local, por meio do Programa Saúde na Escola.
Descrever a prática intergeracional desenvolvida na unidade Santa Edwiges (Bauru/SP), caracterizando-a como uma estratégia de fomento ao envelhecimento ativo, à alteridade e à consolidação de laços de solidariedade entre os segmentos juvenis e a população idosa.
As atividades ocorreram no território da ESF Santa Edwiges, em Bauru/SP, no período de 23 a 30 de setembro de 2025, em parceria com o Centro de Convivência do bairro e a escola local, por meio do Programa Saúde na Escola, através de 03 etapas interligadas. A equipe atuou como facilitadora do processo, garantindo diálogo horizontal, escuta ativa e corresponsabilização, sem hierarquização dos saberes. Estes espaços foram dedicados à discussão sobre o envelhecimento digno, onde os participantes puderam expressar suas percepções sobre o envelhecer e a importância da rede de apoio social. Na 1ª etapa, realizou-se uma ação com pessoas idosas vinculadas ao Centro de Convivência do bairro, com rodas de conversa, confecção de varal com escrita de frases, conselhos e mensagens de esperança dirigidas a si mesmas e a outras gerações, valorizando os saberes, a memória e o protagonismo do envelhecer. Na 2ª etapa, o varal de mensagens foi levado à escola onde os adolescentes realizaram a leitura coletiva das mensagens, seguida de momentos de reflexão, diálogo e produção de respostas escritas, expressando sentimentos, aprendizados e compromissos de respeito e cuidado com a longevidade. Na 3ª etapa, o varal retornou ao grupo de idosos, possibilitando a leitura das respostas dos adolescentes, promovendo reconhecimento, pertencimento e fortalecimento dos vínculos intergeracionais.
A experiência evidenciou que ações intergeracionais constituem uma potente estratégia de Promoção da Saúde. Entre as pessoas idosas, observou-se fortalecimento da autoestima, do sentimento de pertencimento e do reconhecimento social, ao ocuparem o lugar de protagonistas e transmissores de saberes e afetos. A escrita e o retorno das mensagens favoreceram ressignificações do envelhecer, associadas à esperança, utilidade social e dignidade. Entre os adolescentes, a ação promoveu reflexões sobre o ciclo de vida, empatia e respeito à pessoa idosa, contribuindo para a desconstrução de estigmas e do idadismo. Conforme exemplos abaixo: ●“Eu te amo Vó” ●Meu querido, não tente caber em sapatos que apertam seus pés só para agradar os outros” ●Eu já vi muitas tempestades passarem, e sabe o que aprendi? Nenhuma delas dura para sempre” ●Não tenha pressa de crescer” ●A inteligência é boa, mas a bondade é o que realmente abre portas”
A experiência reafirma que o envelhecer com dignidade e equidade exige políticas públicas que promovam a integração entre gerações, valorizem a pessoa idosa como sujeito ativo e fortaleçam vínculos comunitários. As ações intergeracionais mostraram-se estratégias efetivas de Promoção da Saúde na ESF, ao estimular empatia, respeito, esperança e corresponsabilização entre adolescentes e idosos. De forma transversal, a iniciativa ampliou vínculos comunitários, fortaleceu a integração entre saúde, educação e assistência social e reforçou a intergeracionalidade como potencial de impacto positivo na prevenção de sofrimento psíquico e no fortalecimento das redes de apoio. Conclui-se que a intergeracionalidade, quando incorporada às práticas da ESF e articulada ao PSE, qualifica o cuidado, amplia o sentido de pertencimento e contribui para comunidades mais solidárias, resilientes e inclusivas.
Promoção em Saúde, Escolar
ÉRICA CRISTINA MACHADO DA SILVA, IEDA PAPILLE DOS SANTOS, GIZELE ARAUJO VALADÃO GOMES, JÉSSICA FARIA BARBOSA