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A avaliação do freio lingual faz parte do exame físico do recém-nascido, no entanto, para fins do cumprimento da Lei nº 13.002 de 20 de junho de 2014, que impõe a aplicação de um protocolo com base nas evidências científicas disponíveis, recomenda-se a utilização do Protocolo Bristol (Bristol Tongue Assessment Tool) por profissional capacitado da equipe de saúde que atenda mãe e recém-nascido na maternidade. A literatura não é consensual quanto ao melhor teste diagnóstico (“padrão ouro”) para a identificação da anquiloglossia, sendo que vários protocolos vêm sendo propostos, inclusive no Brasil. Sendo assim, a escolha de um Protocolo para a implementação em todas as maternidades brasileiras levou em consideração a praticidade de aplicação, validação envolvendo profissionais não especialistas em disfunções orofaciais e capacidade de predição de problemas na amamentação, que justifiquem a indicação de intervenções para resolver o freio lingual.
O objetivo é identificar precocemente a anquiloglossia (língua presa) e possíveis limitações de movimento da língua que podem afetar a amamentação, mastigação e fala. Anquiloglossia é uma anomalia congênita que ocorre quando uma pequena porção de tecido embrionário, que deveria ter sofrido apoptose durante o desenvolvimento, permanece na face ventral da língua. Caracteriza-se por um freio lingual anormalmente curto e espesso ou delgado, que pode restringir em diferentes graus os movimentos da língua. A espessura, elasticidade e o local de fixação do freio na língua e no assoalho da boca podem variar amplamente na anquiloglossia. A conduta frente a um recém-nascido com teste positivo para anquiloglossia deve sempre levar em consideração se essa condição interfere ou não na amamentação, causando desde desconforto até lesões nas mamas da mãe, levando ao abandono da amamentação.
O teste da “língua presa” no recém-nascido é rápido, indolor e deve ser realizado por um profissional de saúde qualificado e capacitado. Verifica-se a anatomia e funcionalidade da língua, bochechas e lábios. Observa-se o movimento da língua e a fixação do freio lingual, enquanto chora e suga para avaliar a função da língua. O ideal ser realizado na maternidade, antes da alta hospitalar, entre 24 e 48 horas de vida. Pode ser realizado até os 6 meses de vida, sendo a avaliação nos primeiros 30 dias a mais recomendada. O Protocolo Bristol (Reino Unido) foi desenvolvido com base em prática clínica e com referência à Ferramenta de Avaliação da Função do Frênulo Lingual, que fornece uma medida objetiva e de execução simples da gravidade da anquiloglossia, auxiliando na seleção dos lactentes para intervenção cirúrgica (frenotomia) e na monitorização do efeito desse procedimento. No Brasil, Martinelli et al (2012) propuseram um protocolo baseado na revisão de literatura considerando as variações anatômicas do freio lingual, bem como as funções de sucção e deglutição. Foi um grande avanço para o diagnóstico da interferência do freio nos movimentos da língua durante a amamentação. Entretanto, sua aplicação se mostrou muito complexa e longa, indicando necessidade de adequações para se tornar um instrumento de fácil aplicação. Uma adaptação desse protocolo tem sido utilizada nas policlínicas e unidades de referência de saúde da prefeitura do município de Santos – SP.
A anquiloglossia tem sido apontada como um dos fatores que podem interferir negativamente na amamentação, diminuindo a habilidade do recém-nascido para fazer uma pega e sucção adequadas, dificultando o adequado estímulo à produção de leite e o esvaziamento da mama e causando dor nas mães durante a amamentação. Embora as evidências científicas sobre a associação entre anquiloglossia e dificuldades na amamentação não sejam grandes, alguns testes tem sido propostos para facilitar a identificação de alterações no freio lingual que potencialmente podem interferir na mobilidade da língua. É importante levar em consideração a possibilidade de eventos adversos, tais como hemorragias e também recidivas. Dessa forma, o procedimento cirúrgico deverá ser realizado por cirurgião-dentista capacitado e amparado, segundo o exercício legal de sua profissão.
É importante identificação precoce permitindo um tratamento rápido, se necessário, através do dentista capacitado para realização da frenotomia lingual, para prevenção de problemas futuros, evitar dificuldades com a amamentação, mastigação, respiração e desenvolvimento da fala. E saúde geral, ajuda a evitar o estresse tanto para a criança quanto para a mãe durante a amamentação e a desenvolver a saúde oral e sistema estomatognático do bebê. Vale ressaltar, quando houver dificuldades na amamentação, independente do resultado do Protocolo, é importante que a mãe e o recém-nascido recebam o acolhimento e suporte necessário da equipe de aleitamento na Rede de Atenção Básica de Saúde.
amamentação, frenotomia, anquiloglossia
LUCIANA TANAKA DE CASTRO, LUCIANA TORRES PACHECO GUIMARÃES, DÉBORA PEREIRA SILVEIRA, RENATA HELISA BENATTI CAFÉ, CIDCLEIDE CARVALHO RIBEIRO, DANIELA PASSARELLI BENTO BUENO DE SOUSA, RENATA TARPANI BERRETTINI, FERNANDA D’AGOSTINO ROMANINI DE FREITAS, ANDRESSA MARTINEZ