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O Jardim Terapêutico da UBS São Camilo constitui uma experiência de promoção da saúde, cuidado integral e fortalecimento comunitário no território da Atenção Básica de Jundiaí. A iniciativa fundamenta-se nos princípios da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) e da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), que reconhecem o território, o vínculo e as práticas comunitárias como estratégias estruturantes do cuidado no SUS. Dialoga ainda com referenciais da Educação Popular em Saúde e dos Determinantes Sociais da Saúde, compreendendo o ambiente, a cultura e os vínculos sociais como dimensões constitutivas do processo saúde-doença. O contato com a natureza, o cultivo de plantas e o trabalho coletivo são reconhecidos como práticas terapêuticas promotoras de bem-estar físico e mental. Inserida em território periférico marcado por vulnerabilidades sociais, a UBS identificou demandas relacionadas ao sofrimento psíquico, isolamento social e fragilização comunitária. O jardim terapêutico emerge, assim, como estratégia interprofissional e participativa que integra saúde, meio ambiente e saberes populares, fortalecendo a UBS como espaço vivo de cuidado, pertencimento e produção de vida.
Promover a saúde física e mental de usuários da UBS São Camilo por meio da implantação e manutenção de um jardim terapêutico. Fortalecer vínculos comunitários, o protagonismo dos usuários e a corresponsabilização pelo cuidado. Estimular práticas sustentáveis, educação ambiental e o contato com a natureza como recurso terapêutico. Valorizar o trabalho interprofissional da Atenção Básica e da equipe e-Multi, integrando saberes técnicos e populares no cuidado em saúde. Mapear, valorizar e fortalecer os saberes ancestrais e populares da comunidade relacionados às plantas medicinais, ervas e formas tradicionais de cuidado.
O projeto é desenvolvido de forma contínua na UBS São Camilo, por meio de encontros semanais, com duração média de duas horas, envolvendo usuários da unidade, profissionais de saúde e membros da comunidade. A iniciativa é construída de maneira interprofissional e participativa, com a atuação de liderança comunitária, agentes comunitários de saúde, profissional de Educação Física vinculada às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e farmacêutico da unidade. As atividades contemplam planejamento coletivo, preparo do solo, plantio, manejo e cuidado das plantas medicinais e ornamentais, além de rodas de conversa, trocas de saberes e momentos de convivência. São realizadas oficinas terapêuticas, como a de kokedama, integrando cuidado manual, expressão criativa e relaxamento. O grupo participa ainda de capacitações promovidas por equipamentos institucionais do município e estabelece parcerias para doação de mudas, fortalecendo a articulação intersetorial. O território é reconhecido como espaço ampliado de cuidado, com mapeamento gradual de hortas comunitárias e saberes populares relacionados às plantas medicinais. O processo favorece o protagonismo dos usuários, que assumem progressivamente responsabilidades na organização e manutenção do jardim.
O Jardim Terapêutico consolidou-se como estratégia eficaz de promoção da saúde física e mental na Atenção Básica, atingindo os objetivos propostos. A redução do isolamento social e o fortalecimento dos vínculos comunitários foram observados por meio da participação regular nos encontros semanais, rodas de conversa, oficinas terapêuticas e passeios pelo território. O estímulo ao protagonismo e à corresponsabilização foi promovido à medida que usuários assumiram tarefas de planejamento, cuidado das plantas e organização das atividades, ampliando autonomia e senso de pertencimento. O contato com a natureza e práticas sustentáveis, como o manejo de hortas e oficinas de kokedama, contribuiu para bem-estar físico e emocional, integrando educação ambiental e cuidado terapêutico. As capacitações técnicas e o mapeamento de saberes populares permitiram reconhecer e valorizar o conhecimento tradicional da comunidade, alinhando-se à valorização de saberes ancestrais prevista nos objetivos. A intersetorialidade entre equipe da UBS, liderança comunitária e equipamentos institucionais fortaleceu a UBS como espaço de cuidado ampliado, participativo e sustentável. Os resultados evidenciam coerência entre ações e objetivos, mostrando que as atividades desenvolvidas promoveram saúde, sustentabilidade, aprendizado coletivo e fortalecimento comunitário.
O Jardim Terapêutico da UBS São Camilo evidencia a potência das práticas comunitárias, ambientais e coletivas como estratégias de promoção da saúde física, mental e social no SUS. Ao integrar usuários, profissionais de saúde, liderança comunitária e equipamentos do território, o projeto fortalece vínculos, promove autonomia e amplia as possibilidades de cuidado na Atenção Básica. A continuidade do projeto, com foco no mapeamento e valorização dos saberes ancestrais da comunidade sobre plantas medicinais, reafirma o compromisso com a educação popular em saúde, a valorização da cultura local e a construção coletiva do cuidado. Entre os possíveis desafios para manutenção do grupo destacam-se a disponibilidade de recursos materiais e humanos, a necessidade de engajamento contínuo dos participantes e condições ambientais favoráveis. Reconhecer esses aspectos permite planejar estratégias de sustentabilidade e ampliação da iniciativa, garantindo replicabilidade em outros territórios.
Promoção da saúde, Comunidade, Sustentabilidade
ALINE CRISTINA DE OLIVEIRA LONGUI, JOSÉ FERREIRA DE SOUSA, DANIEL GUIMARÃES DE CASTRO