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A intoxicação exógena configura-se um relevante problema de saúde pública, com impacto significativo na morbimortalidade e na organização dos serviços de saúde. Apesar da obrigatoriedade de notificação, ainda observamos inconsistências no preenchimento das fichas e fragilidades no processo de investigação epidemiológica, o que compromete a qualidade das informações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). No monitoramento desses agravos, utiliza-se o SINAN, principal ferramenta do Sistema Único de Saúde (SUS) para registro, investigação e acompanhamento das notificações, sendo um instrumento essencial para o monitoramento do perfil epidemiológico, identificação de fatores de risco, planejamento de ações preventivas e políticas públicas de saúde. A qualificação permanente dos profissionais da rede de saúde é fundamental para assegurar notificações oportunas, completas e consistentes. Além disso, a investigação epidemiológica adequada possibilita compreender as circunstâncias dos casos e subsidiar ações intersetoriais de prevenção e controle. Nesse contexto, a Vigilância Epidemiológica de Jundiaí realizou, entre março e dezembro de 2025, um ciclo de capacitações voltado à Investigação Epidemiológica e à Notificação Compulsória de Intoxicação Exógena, contemplando diferentes pontos da rede assistencial do município. Foram capacitados médicos, enfermeiros, profissionais administrativos e demais trabalhadores envolvidos no processo.
Objetivo geral Utilizar a exposição dialogada como estratégia pedagógica para qualificar o preenchimento da ficha de notificação, aprimorar a investigação epidemiológica das intoxicações exógenas e fortalecer a integração entre os serviços de saúde. Objetivos específicos • Apresentar o cenário municipal das intoxicações exógenas no ano de 2024; • Descrever o perfil epidemiológico da população acometida; • Padronizar orientações quanto ao preenchimento adequado da ficha de notificação no SINAN; • Reforçar a importância da investigação epidemiológica oportuna e qualificada; • Discutir os avanços no cuidado às pessoas vítimas de intoxicação, especialmente nos casos relacionados à tentativa de suicídio; • Alinhar fluxos e responsabilidades no processo de notificação no município; • Fortalecer a integração entre os serviços de saúde e a Vigilância Epidemiológica.
Foram realizados encontros presenciais, por meio de exposição dialogada, com apresentação de dados municipais consolidados de 2024 e discussão técnica junto aos profissionais da rede de saúde. Contou com a participação de diferentes pontos da rede assistencial, incluindo: • Encontro do Colegiado Gestor da Saúde; • Encontro Técnico de Enfermagem; • 5 hospitais públicos e privados; • 4 Prontos Atendimentos; • 1 Unidade de Pronto Atendimento; • 1 CAPS Adulto; • 18 Unidades Básicas de Saúde. Participaram aproximadamente 500 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e equipes administrativas. Durante as capacitações, foram abordados os seguintes conteúdos: • Número de notificações, principais agentes tóxicos e distribuição por faixa etária e sexo; • Circunstâncias das intoxicações (acidental, tentativa de suicídio, uso abusivo, entre outras); • Etapas da investigação epidemiológica e sua relevância para a qualificação dos dados; • Perfil das intoxicações conforme o tipo de serviço; • Principais inconsistências identificadas nas fichas de notificação; • Orientações técnicas para o preenchimento adequado dos campos essenciais; • Reforço do fluxo municipal de notificação, destacando as responsabilidades do serviço notificante, o encaminhamento oportuno à Vigilância Epidemiológica, a inserção e qualificação no SINAN e os encaminhamentos específicos ao CEREST, UBS e CAPS de referência nos casos de tentativa de suicídio.
Observou-se: • Maior aproximação entre os serviços de saúde e a Vigilância Epidemiológica; • Ampliação do conhecimento sobre o perfil municipal das intoxicações exógenas; • Melhor compreensão da relevância da investigação epidemiológica para a qualificação dos dados; • Discussão técnica sobre os tipos de intoxicação mais frequentes no território e suas especificidades conforme o serviço; • Sensibilização quanto à importância da notificação completa e oportuna; • Fortalecimento da articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) nos casos de tentativa de suicídio; • Maior clareza quanto às atribuições de cada ponto da rede no processo de notificação e investigação.
O ciclo de capacitações iniciado em março de 2025, com a participação de cerca de 500 profissionais, contribuiu para o fortalecimento da vigilância das intoxicações exógenas no município de Jundiaí. A iniciativa qualificou o processo de notificação e investigação, aprimorou o entendimento do cenário municipal e consolidou a integração entre assistência e vigilância, promovendo maior consistência e confiabilidade das informações registradas no SINAN. Foi assegurado espaço para esclarecimento de dúvidas e alinhamento técnico com as equipes, favorecendo a integração entre assistência e vigilância. Destaca-se que dados qualificados no SINAN são fundamentais para subsidiar o planejamento, a implementação e a avaliação de políticas públicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e da gestão municipal, permitindo a definição de estratégias de prevenção, controle e cuidado baseadas em evidências epidemiológicas confiáveis.
Notificação, Investigação, Intoxicação Exógena
ELAINE CRISTINA ZANETTI FONSECA, ROBERTA APARECIDA RIBEIRO PIEROBON, CAROLINA DE AZEVEDO NEVES SEVERIANO