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O Centro de Convivência, Cultura, Trabalho e Geração de Renda – CECCO é um serviço da Secretaria Municipal de Promoção de Saúde de Jundiaí, criado em 2016 com objetivo de promover autonomia, qualidade de vida e inclusão social, por meio de ações intersetoriais e multiprofissionais que visam potencializar formas mais amplas de intervir na saúde do indivíduo, ofertando espaços de sociabilidade em que as diferenças de ordem diversas não sejam negadas, mas sim assimiladas (Brasil, 2024). Assim, esperamos que no CECCO possam conviver e trocar experiências pessoas de diferentes idades, condições socioeconômicas, potencialidades e dificuldades, de forma a garantir a inclusão destas diferenças no laço social. Para participar de atividades não é necessário encaminhamento, porém há um esforço da instituição para trazer ao laço social pessoas que estejam em situação de vulnerabilidade, por diferentes motivos. Neste contexto, o CECCO Jundiaí recebeu oito computadores e uma impressora do Programa Viver (Brasil, 2019) para abrigar cursos de Letramento Digital para Pessoas Idosas. Enquanto aguardamos a aquisição formal de curso de informática, foram realizadas experiências de ensino de uso de dispositivos eletrônicos de comunicação com conviventes de diferentes idades que tivessem interesse. A proposta foi conduzida pela gestora local, visando promoção de saúde a partir de indicadores sociais – acesso e segurança no uso de redes sociais virtuais, problemática comum a muitos conviventes.
ampliar acesso e manejo seguro de redes sociais virtuais para conviventes que demonstram dificuldades, de forma espontânea e sem recorte etário; garantir que os equipamentos recebidos pelo Ministério de Desenvolvimento Humano pudessem ser utilizados por conviventes, independentemente do início da oferta de cursos vinculados ao Programa Viver; produzir estratégias para ampliar repertórios de comunicação, a partir de redes sociais virtuais, em aparelhos móveis dos próprios conviventes; promover experiências de trocas de saberes entre pares e convivência intergeracional; ampliar o reconhecimento de situações de riscos e exposição nas redes sociais.
Inicialmente, foram observadas dificuldades apresentadas em aula inaugural (dezembro de 2024), com profissional de tecnologia. Em seguida, a gestora local assumiu encontros mensais com os interessados em continuar com estas experiências, iniciando com as principais barreiras relatadas e observadas no manejo de microcomputadores. Foram realizados, então, encontros para treino de cursor (lousa branca e ponteiras eletrônicas), para que os envolvidos pudessem experimentar o manejo de mouse com mais confiança e destreza. Em encontros seguintes, foram realizados treinos de abertura de área de trabalho, uso de teclado e mouse, para em seguida complementar o treino de cursor no programa Paint. Os participantes passaram a compor figuras e pinturas, além de iniciar experiência de pesquisas no Google com imagens para compor suas atividades no Paint e/ou assuntos de interesse. A partir de agosto de 2025, atendendo à demanda, foram feitos treinos de uso de redes sociais nos próprios smartphones dos aprendizes, sobretudo no aplicativo WhatsApp, para o qual muitas dúvidas eram direcionadas. Os encontros mensais foram mantidos com a temática de grupos de WhatsApp, captação e envio de imagens pelo aplicativo, além de registros de dados de contatos nos aparelhos eletrônicos. A profissional sempre pontuava questões como boas práticas nas redes sociais e riscos nessas interlocuções. Nos dois últimos meses, um jovem cumprindo medida socioeducativa passou a colaborar com a técnica nos encontros.
Entre janeiro e dezembro de 2025, foram realizados onze encontros de letramento digital com uma média de seis participantes por encontro. Foi interessante observar o interesse de pessoas com diferentes perfis psicossociais (usuários da RAPS ou não), etários (desde 10 até 78 anos) e até mesmo trabalhadores do próprio CECCO (agente operacional e auxiliares de limpeza). Ao longo dos últimos três encontros, pudemos contar com um adolescente que estava cumprindo medida socioeducativa com prestação de serviços à comunidade, o qual colaborou muito com as discussões sobre experiências com as redes sociais e foi possível observar que os próprios conviventes passaram a apoiar uns aos outros nos encontros realizados, conforme o conhecimento de cada um sobre os temas.
O Curso contratado a partir do Programa Viver deve começar no primeiro semestre de 2026. Com a experiência de manutenção de uma proposta provisória para manter os equipamentos em uso pela comunidade, pudemos perceber que a demanda extrapola os objetivos etários do Programa. Além disso, foi interessante a interlocução intergeracional promovida pela proposta de encontros abertos a quaisquer interessados, sendo que tivemos oportunidade de receber, inclusive, neto e avó que puderam trocar conhecimentos sobre manejo de computadores. Um desafio foi o fato de que, por não ser um recorte de turma fechada para novos integrantes, alguns conviventes tiveram dificuldades que já haviam sido superadas por outros que estavam no processo desde o início, resultando em uma lentificação no avanço de propostas de aprendizagem, o que foi agravado pelo fato de não haver equipe para uma proposta mais frequente. Ainda assim, foi possível observar a satisfação de explicar e colaborar que os “veteranos” tinham quando recebiam “novatos”, independentemente do perfil psicossocial dos conviventes. Assim, o Letramento Digital Intergeracional promoveu aprendizagem e vínculos, compondo com a missão institucional do Centro de Convivência.
Redes Sociais, Intergeracional, Convivência
FERNANDA TORRES APOLLONIO