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Essa experiência deu-se através da implantação de armadilhas para captura de mosquitos Aedes aegypti fêmeas em fevereiro de 2022 e segue atualmente, mas para a melhor quantificação dos resultados obtidos a equipe realizou um recorte temporal que se estende de agosto de 2025 até fevereiro de 2026. O projeto foi elaborado pelos 8 Agentes de Combate às Endemias (ACE) de Nova Europa, junto a 45 moradores que aceitaram ter armadilhas instaladas em suas casas. Com isso, o vínculo entre vigilância epidemiológica e a população é estreitado e a comunidade se torna uma participante ativa no combate à dengue. Sendo a maioria desses moral. Grande parte dos moradores que aderiram ao projeto das armadilhas são idosos, que passam a maior parte de seu tempo em casa e as visitas constantes dos agentes estabelecem um vínculo de proximidade entre eles e o SUS. O trabalho consiste no monitoramento de vetores de arboviroses, principalmente do Aedes aegypti, pela coleta de amostras de mosquitos fêmeas semanalmente, através de vistorias realizadas em campo pela própria equipe de 8 ACEs. Após a vistoria os dados coletados são direcionados para o site de uma empresa terceirizada em tempo real, proporcionando agilidade e assertividade nas ações de combate e prevenção às arboviroses. Com essas ações foi possível diminuir os casos de dengue, assim como de atendimentos na rede de saúde, poupando recursos que podem ser destinados a atividades preventivas.
O projeto tem como objetivo principal monitorar a fêmea do Aedes aegypti, visando controlar e prevenir a transmissão de arboviroses no município. Além disso, objetiva acompanhar territórios problemáticos com reincidência de criadouros e cruzar as informações coletadas com as notificações do SINAN, otimizando o controle vetorial. Através do projeto, é possível indicar de forma mais assertiva as ações de educação em saúde em determinados locais, reforçando sempre o protagonismo do morador, consequentemente busca-se diminuir cada vez mais o número de casos de dengue, eliminando o maior número de focos possível.
A metodologia do trabalho consiste no monitoramento semanal de 45 armadilhas instaladas estrategicamente pelo município. A coleta de dados é feita pela captura de mosquitos Aedes aegypti fêmeas, realizada através das vistorias feitas pela equipe de 8 ACEs, que se revezam semanalmente. As informações são inseridas em um aplicativo e direcionadas em tempo real para um site de análise. Com base nessas informações a equipe pode planejar suas ações de acordo com a positivação ou não dessas armadilhas, focando em locais onde o índice de fêmeas adultas está alto e discutindo sobre quais processos de trabalho devem ser realizados onde não há captura desses alados, considerando que este cenário pode ocorrer não só devido a um baixo índice de mosquitos, mas também devido a um grande criadouro existente no local que desvia os mosquitos das armadilhas. Para isso a equipe também faz uso do conhecimento que tem sobre o campo, sendo um município de pequeno porte, os agentes conseguem determinar áreas prioritárias para as ações ao redor dessas armadilhas.
A equipe analisou 3 das 45 armadilhas do município, escolhendo as 3 que mais positivaram, durante o período das semanas epidemiológicas 31 de 2025 à 6 de 2026, contabilizando 27 semanas. As que mais positivaram se encontram na região central e no bairro Nosso teto II, com cerca de 200m entre elas. Foram coletadas 45 amostras de Aedes Aegypti fêmeas nesse período, totalizando 48,15% de positivação nas armadilhas mais reincidentes. Sabendo da reincidência a equipe passou a focar suas ações nestes territórios, realizando um total de 124 visitas onde foi possível eliminar 40 focos, neste trabalho ainda concluiu-se que os focos se encontram na maioria das vezes nas mesmas residências. A partir disso, a equipe passou a se direcionar diretamente nesses locais, eliminando os focos com mais eficiência. Apesar da equipe ter trabalhando a armadilha do bairro Nosso Teto II cerca de 60 vezes, foram encontrados apenas 6 focos, com isso e de conhecimento que possa existir criadouros permanentes na área, apesar de constantes visitas ainda não foi possível a identificação dos focos sendo provavelmente um criadouro permanente de difícil acesso, como uma caixa d\água ou mesmo um bueiro. Com esse trabalho a equipe constatou que dos 17 casos positivos no município registrados nesse período, apenas um ocorreu na região das armadilhas mais reincidentes, pois ao ver este índice alto de capturas, a equipe agiu com assertividade e conseguiu prevenir uma transmissão nesta área.
Durante o período de prevenção as atividades são norteadas através da positivação das armadilhas, porém em áreas onde as armadilhas não positivam, é realizada uma avaliação entre a equipe sobre o território sobre a possibilidade de uma maior oferta de criadouros nesses locais. Em período de transmissão, a equipe pode analisar e observar uma relação ou não da positivação das armadilhas com os casos de dengue. Através desse trabalho foi possível determinar áreas mais propícias para reincidência de criadouros.
ACE, vigilância, dengue
BEATRIZ CRISTINA DOS SANTOS MARTINS, CLESLEI LUCAS LOPES, FLAVIA BEATRIZ DO VALE LONGUINI, FELIPE AUGUSTO FILLOY, MITSUE KARINA SHIMOGAKI, ÉRICA PATRÍCIA DE OLIVEIRA, EDUARDO FRANCISCO DA SILVA DE CASTRO, ANA CAROLINE OLIVEIRA DA SILVA