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No início de 2025, a área de abrangência da UBS Planalto apresentou uma curva ascendente no número de casos positivos de dengue, evidenciando um cenário preocupante para a saúde pública local. Diante desse aumento expressivo, especialmente no período chuvoso, tornou-se necessária a adoção de estratégias mais eficazes e direcionadas para o controle do vetor. Ao final de fevereiro de 2025, a equipe da Divisão de Zoonoses realizou um georreferenciamento das áreas com maiores índices de casos, identificando pontos críticos de transmissão e maior vulnerabilidade. Com base nesses dados, iniciou-se a implantação das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDL) pelos Agentes de Controle às Endemias (ACE), tanto em residências quanto em pontos estratégicos previamente mapeados. A estratégia consistiu na utilização do próprio mosquito como agente disseminador do larvicida, ampliando o alcance da ação e potencializando o controle dos criadouros de difícil acesso. Após a instalação das EDL, observou-se redução significativa no número de casos notificados, refletindo diretamente na diminuição dos atendimentos na Unidade de Saúde, no número de internações, nas complicações associadas à doença e, consequentemente, nos óbitos. Além dos impactos positivos na saúde da população, a medida contribuiu para a redução dos custos decorrentes de uma possível epidemia, fortalecendo a prevenção, promovendo maior eficiência na gestão dos recursos públicos e beneficiando toda a população do município.
A instalação das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDL’s) teve como objetivo principal reduzir a população do mosquito Aedes aegypti nas áreas com maior incidência de casos, por meio de uma estratégia eficaz e direcionada de controle vetorial. A ação buscou interromper o ciclo de reprodução do mosquito, atingindo criadouros de difícil acesso e diminuindo a circulação do vetor no território. Como consequência, pretendeu-se reduzir os casos positivos de dengue, minimizar a sobrecarga nos serviços de saúde, prevenir complicações e óbitos, além de contribuir para a proteção da saúde coletiva e a melhoria dos indicadores epidemiológicos do município.
Para a instalação das EDL\s foi feito um georreferenciamento dos casos positivos de dengue no final do mês de fevereiro de2025 e no início de março nos locais de maior concentração de casos positivos instalou se as EDL\s, utilizando se da distribuição homogênea das armadilhas, sendo instalada 1 EDL a cada 5 imóveis. Também se instalou nos pontos estratégicos. Nos imóveis e pontos estratégicos as armadilhas foram colocadas nos quintais, áreas de serviços, banheiros, em locais sombreados, protegidos de chuva e vento, próximos a criadouros em potenciais. A manutenção das EDL\s é realizada mensalmente onde se faz a troca da água e da tela com larvicida. A execução do trabalho vem sendo realizada pelos supervisores de saúde e agentes de controle de endemias, seguindo a metodologia preconizada pelas novas diretrizes nacionais para a prevenção e controle das arboviroses urbanas 2025 do Ministério da Saúde.
– Casos positivos de dengue na área UBS Planalto: Ano/Mês Jan FevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez 2024 17285560418400111 2025 1942684464300021 2026 2 – Casos positivos de larvas Aedes aegyti nos pontos estratégicos na área da UBS Planalto. Foram analisados quatro imóveis no período de Janeiro 2024 a Janeiro/2026 considerando o número de larvas positivas para Aedes aegypti ImóvelAntes da EDLDepois da EDLRedução 01 37 9 75,7% 02 10 0 100% 03 10 0 100% 04 0 0 —
A análise integrada dos dados epidemiológicos e entomológicos demonstra redução consistente e significativa tanto na infestação por Aedes aegypti quanto na ocorrência de casos de dengue após a implantação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), associada às demais ações de controle vetorial na área de abrangência. Do ponto de vista entomológico, observou-se eliminação total dos focos em dois imóveis monitorados, redução expressiva em imóvel com histórico de alta infestação, manutenção de imóvel sem registros positivos ao longo do período avaliado e redução global superior a 80% no número de larvas identificadas nas inspeções. No âmbito epidemiológico, verificou-se, em 2025, redução mais precoce e intensa dos casos quando comparado a 2024, além da não retomada do aumento no final de 2025 e início de 2026, com registro de apenas dois casos em janeiro, sugerindo tendência inicial de manutenção da transmissão em níveis baixos. Os resultados evidenciam a efetividade das EDL como estratégia complementar no controle vetorial da dengue, contribuindo para a redução da população de Aedes aegypti nas áreas monitoradas e, consequentemente, para o impacto positivo na dinâmica de transmissão da doença.
Dengue, Aedes aegypti, Vigilância em Saúde
JOÃO FELIPE MARTINS BOLZAN, TALITA RAFAELA BASTIANIK RODRIGUES, SÍLVIA REGINA LICORI DE OLIVEIRA