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As infecções respiratórias figuram entre as principais causas de morbimortalidade em pessoas idosas, destacando-se a pneumonia pneumocócica como condição imunoprevenível de elevada relevância sanitária. No município de Bastos (SP), a Vigilância em Saúde identificou fragilidades na oferta oportuna da vacina Pneumocócica Polissacarídica 23-valente (Pneumo 23) no período pós-alta hospitalar, momento crítico para prevenção de novos eventos respiratórios e reinternações evitáveis. A Pneumo 23 é recomendada pelo Programa Nacional de Imunizações para grupos prioritários, incluindo idosos com condições clínicas específicas. A hospitalização constitui oportunidade estratégica para identificação de indivíduos elegíveis; contudo, observava-se perda de oportunidade vacinal após a alta, sobretudo em municípios de pequeno e médio porte, em decorrência da fragmentação do cuidado entre hospital, vigilância e Atenção Primária à Saúde (APS). Adicionalmente, a inexistência de fluxo estruturado para comunicação das altas hospitalares dificultava a busca ativa territorial e o acompanhamento longitudinal do idoso. Esse cenário evidenciou a necessidade de estratégia integrada entre vigilância epidemiológica, serviços hospitalares e equipes da APS. Diante disso, estruturou-se sistema municipal de monitoramento pós-alta hospitalar, com uso de planilha e busca ativa pelas equipes de Saúde da Família, visando ampliar a cobertura da Pneumo 23, qualificar a vigilância de agravos respiratórios.
Objetivo geral Implantar sistema integrado de monitoramento de idosos após alta hospitalar para garantir a oferta oportuna da vacina Pneumo 23, fortalecendo a vigilância de agravos respiratórios e a coordenação do cuidado no SUS. Objetivos específicos • Identificar idosos hospitalizados elegíveis à vacina Pneumo 23 no momento da alta. • Registrar e monitorar a situação vacinal por instrumento estruturado e padronizado. • Promover articulação entre Vigilância Epidemiológica, hospital e Atenção Primária à Saúde. • Realizar busca ativa territorial por meio das equipes de Saúde da Família e ACS. • Registrar vacinação prévia, recusa, mudança de município e óbito. • Reduzir perdas de oportunidade vacinal no período pós-alta. • Qualificar o acompanhamento longitudinal do idoso no território. • Subsidiar a tomada de decisão com base em indicadores de monitoramento.
A estratégia foi implantada em dezembro de 2024 no município de Bastos (SP), por meio de fluxo pactuado entre hospital de referência, Vigilância Epidemiológica Municipal e Atenção Primária à Saúde. Instituiu-se planilha eletrônica contendo identificação do idoso, data de alta hospitalar, elegibilidade para Pneumo 23, histórico vacinal, aceite, data de aplicação, recusa, mudança de município e óbito. Os hospitais passaram a comunicar as altas hospitalares de idosos residentes no município por e-mail. A Vigilância Epidemiológica realiza a consolidação, qualificação e estratificação dos dados, encaminhando-os às Unidades Básicas de Saúde de referência territorial. As equipes da Estratégia Saúde da Família e os Agentes Comunitários de Saúde executam busca ativa domiciliar, orientação ao usuário e agendamento da vacinação. O monitoramento é atualizado mensalmente com análise de indicadores, incluindo cobertura vacinal pós-alta, tempo entre alta e vacinação e proporção de recusas. A governança da ação é conduzida pela coordenação municipal de imunização, responsável pela definição de fluxos, devolutivas às unidades, educação permanente das equipes e garantia do abastecimento da Pneumo 23 junto ao GVE via SIES. A iniciativa contribui diretamente para qualificação do indicador de atenção à saúde da pessoa idosa (Brasil 360), fortalecimento dos registros no sistema municipal, valorização do trabalho dos ACS e aprimoramento da gestão baseada em dados na APS.
Entre 2024 e 2025, foram monitorados 686 idosos após alta hospitalar. Em 2024, dos 314 idosos identificados, 175 (55,7%) receberam a vacina Pneumo 23 no período pós-alta; 39 (12,4%) recusaram a vacinação; 75 (23,9%) já apresentavam esquema vacinal prévio; 16 (5,1%) mudaram de município; e 9 (2,9%) evoluíram a óbito. Em 2025, dos 372 idosos monitorados, 220 (59,1%) foram vacinados após a alta; 68 (18,3%) recusaram a vacinação; 74 (19,9%) já estavam previamente imunizados; 6 (1,6%) mudaram de município; e 4 (1,1%) evoluíram a óbito. Observou-se incremento absoluto de 45 idosos vacinados no período analisado, com aumento da cobertura vacinal pós-alta de 3,4 pontos percentuais, indicando consolidação progressiva da estratégia de vigilância integrada. O monitoramento sistemático permitiu maior oportunidade de intervenção pelas equipes territoriais, redução de perdas de seguimento e qualificação do registro das informações. Destaca-se que o aumento proporcional das recusas vacinais emergiu como principal barreira programática, orientando o planejamento de ações de educação em saúde, qualificação da abordagem profissional e desenvolvimento de estratégias de comunicação para enfrentamento da hesitação vacinal no território.
O monitoramento pós-alta hospitalar para vacinação mostrou-se estratégia factível, de baixo custo operacional e alta aplicabilidade no contexto do SUS. A integração entre Vigilância Epidemiológica, hospital e Atenção Primária fortaleceu a coordenação do cuidado, ampliou a identificação de idosos elegíveis e reduziu perdas de oportunidade vacinal. A experiência evidenciou que o uso de instrumentos simples de acompanhamento, associado à busca ativa territorial pelas equipes de Saúde da Família, potencializa a cobertura vacinal e qualifica a vigilância de agravos respiratórios em idosos. Além disso, o monitoramento sistemático das recusas permitiu reconhecer a hesitação vacinal como desafio prioritário, direcionando intervenções educativas mais específicas. A estratégia contribuiu para o aprimoramento da gestão baseada em dados, fortalecimento do trabalho dos ACS e maior integração entre os pontos da rede de atenção. Trata-se de tecnologia social replicável, especialmente em municípios de pequeno e médio porte, com potencial para reduzir internações por pneumonia, óbitos evitáveis e custos assistenciais. Recomenda-se a institucionalização do fluxo e sua expansão para outros grupos de risco, consolidando a integração.
Idoso; Pneumo 23; Busca ativa; Integração; SUS
AMELIA CRISTINA JOANETO DE ALENCAR, ANA PAULA FUZO, SIMONE FERREIRA DE SOUZA LUIZ, ANDRÉIA GUIRAU DE OLIVEIRA, NATANAEL DA SILVA VIEIRA, ROSILENE LOIOLA DE OLIVEIRA