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A fragmentação das ações de vigilância representa um dos maiores desafios para a efetividade das políticas de saúde pública nos municípios brasileiros. Em Marília/SP, a necessidade de otimizar recursos e potencializar as respostas frente a cenários epidemiológicos complexos — como o aumento de casos de dengue e a persistência de acidentes por escorpiões — motivou a implementação de canais de diálogo para a integração das vigilâncias (Epidemiológica, Sanitária e Ambiental). Dessa forma, buscamos instruir os servidores para que aproveitassem os sistemas informatizados da Prefeitura para unir os esforços e acelerar a resolutividade de problemas. Esta experiência iniciada em Setembro de 2025, fundamenta-se na compreensão da dinâmica territorial, exigindo que o trabalho de campo integrado supere o isolamento dos setores. Para viabilizar essa mudança de paradigma, a educação em saúde para os servidores foi estabelecida como pilar central do projeto, por meio de palestras realizadas pelos supervisores de saúde nas repartições capacitando 50 profissionais para uma leitura multissetorial dos riscos. Mais que o compartilhamento de informações, buscou-se otimizar a integração intersetorial através da capacitação de servidores para identificar focos vetoriais e reportar ocorrências em campo. O presente trabalho relata como essa integração tem fortalecido a vigilância ambiental, promovendo uma assistência mais resolutiva e focada na proteção da população mariliense.
Este projeto utilizou ciclos de palestras nas Vigilâncias Epidemiológicas municipais para capacitar fiscais no combate à dengue e controle de escorpião, visando aos seguintes objetivos: ●Difusão Técnica: Disseminar conhecimento sobre arboviroses, escorpiões e ações preventivas. ●Engajamento Operacional: Mobilizar agentes para uma atuação zelosa e técnica no controle de vetores, respeitando as atribuições do cargo. ●Intersetorialidade: Fortalecer a vigilância participativa e a construção de soluções integradas por meio da comunicação de irregularidades. ●Aprimoramento Metodológico: Identificar lacunas temáticas e refinar a didática das ações educativas via interação com os servidores. ●Comunicação Social: Potencializar a prestação de informações à população durante o exercício das funções. ●Modernização Administrativa: Estimular o uso da ferramenta 1doc como canal oficial para o relato de intercorrências e fluxos de trabalho.
Desde Setembro de 2025, estamos desenvolvendo palestras nas vigilâncias municipais, totalizando até o momento três atividades fundamentais sobre a temática da dengue e escorpião. Iniciamos com uma abordagem que foi sendo aprimorada e nos mostram caminhos para uma didática mais efetiva que contemple a rotina de trabalho desses fiscais. Chegamos a um modelo de palestra capaz de alinhar o conhecimento teórico com o prático, uma atividade que conta com ferramentas expositivas e vistoria técnica do agente acompanhado pelos servidores. Para a exposição utilizamos um mosquitóforo (recipiente que permite a visualização completa do ciclo biológico do Aedes aegypti) demonstrando a forma correta de eliminar um criadouro. Apresentamos a nova tecnologia das Estações Disseminadoras de Larvicida utilizadas como estratégia complementar no município, que despertou interesse do público. Levamos também os ovos do Aedes para reforçar as medidas de higienização em baldes, bebedouros e pratos de plantas demonstrando a importância de esfregar suas paredes internas com frequência, pois eles podem sobreviver secos por até 450 dias. Após a palestra, os servidores acompanham a vistoria do agente que os ensina sobre as ações de controle mecânico e utilização de produtos alternativos atividade que conectou os conceitos aprendidos com a aplicação das medidas preventivas em situações reais. Além disso, fomentamos o uso da ferramenta 1doc: canal oficial para o relato de intercorrências e fluxos de trabalho.
A implementação do projeto resultou em benefícios substanciais ao habilitar servidores para a execução de inspeções de controle vetorial concomitantemente às suas fiscalizações de rotina. Com a capacitação de 50 fiscais, as diretrizes de controle foram incorporadas aos fluxos operacionais de enfrentamento à dengue. Durante o processo, as equipes foram instruídas sobre o fluxo completo de vigilância epidemiológica, incluindo o recebimento de notificações de casos suspeitos e confirmados, a realização de bloqueios de criadouros e o manejo de métodos de controle (mecânico, alternativo e aplicação de larvicidas). A formação abrangeu ainda os protocolos para denúncia de irregularidades e emissão de notificações direcionando o problema ao setor competente e solucionando as demandas encontradas. Um resultado expressivo dessa integração foi observado na interlocução com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador. Após compreenderem o processo de trabalho da Zoonoses, técnicos identificaram e reportaram — via sistema digital da prefeitura — o armazenamento inadequado de pneus e recipientes em uma unidade fabril. A ação resultou na notificação imediata do proprietário e na regularização do local. A abertura de canais de conversa com os servidores comprovadamente formou agentes ativos, capazes de promover a intersetorialidade entre das vigilâncias no controle de arboviroses no município de Marília-SP.
A experiência de integração das vigilâncias em Marília demonstra que a superação da fragmentação setorial não depende apenas de recursos tecnológicos, mas, primordialmente, da valorização e capacitação do capital humano. Ao romper com o isolamento das áreas e investir na educação permanente de 50 profissionais, o projeto transformou cada servidor em um agente ativo de monitoramento territorial. Os resultados preliminares, observados desde setembro de 2025, indicam que a utilização otimizada dos sistemas informatizados, aliada ao olhar multissetorial desenvolvido em campo, permite uma resposta mais ágil e assertiva frente aos riscos epidemiológicos e ambientais. A integração deixou de ser um conceito teórico para se tornar uma prática operacional, resultando na identificação precoce de focos e na redução do tempo de resposta a agravos como a dengue e acidentes por escorpiões. Em suma, esta iniciativa consolida-se como um modelo de gestão eficiente para municípios que buscam a resolutividade assistencial. Ela reafirma que a intersetorialidade, quando pautada na educação em saúde e no diálogo contínuo, é o caminho fundamental para a proteção da população e para o fortalecimento da Vigilância em Saúde no âmbito do SUS.
Arboviroses, escorpião, integração das vigilâncias
GABRIELA CRISTINA DE SOUZA, JOÃO ANTONIO ESTEVES MENDES OSAKA