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Aqui está o texto reduzido para **até 1500 caracteres**: — Nas vivências diárias das equipes de Saúde Mental nos CAPS de Carapicuíba, identificou-se dificuldade na articulação integrada entre políticas de saúde mental, educação, trabalho e desenvolvimento social. Essa integração é essencial para promover autonomia, reabilitação psicossocial e inclusão produtiva de jovens e adultos com transtornos mentais graves, assim como de suas famílias. Educação e trabalho são pilares da dignidade, senso de pertencimento e melhoria da qualidade de vida social e emocional, especialmente no contexto pós-fechamento dos manicômios, em que usuários restabelecem autonomia com apoio familiar. Observou-se que pacientes com Projetos Terapêuticos Singulares (PTS), frequentes em tratamentos, grupos e oficinas, apresentavam organização psíquica significativa, mas ainda enfrentavam barreiras à inserção em cursos de qualificação por baixa escolaridade, falta de alfabetização ou dificuldade do mercado de trabalho, mesmo em vagas PCD. Diante disso, tornou-se necessária a construção de ações intersetoriais e parcerias com secretarias, direcionando serviços públicos para alfabetização, capacitação profissional, inserção em vagas PCD e acompanhamento técnico qualificado, com validação por relatórios médicos e das equipes de referência dos CAPS
Promover a inclusão social, educacional e profissional de jovens e adultos com transtornos mentais graves e persistentes em uso abusivo de substancias psicoativas, por meio de ações intersetoriais e integradas que visem à alfabetização, à formação continuada e à inserção qualificada em vagas destinadas a Pessoas com Deficiência (PCD) no mercado de trabalho. Ofertar capacitação profissional e oportunidades de inserção no mercado de trabalho também aos familiares e à rede de apoio dos pacientes, fortalecendo o cuidado ampliado e o projeto de vida produtiva.
A primeira etapa ocorreu em Novembro de 2024, com reuniões intersetoriais para estruturação do projeto e levantamento quantitativo dos pacientes organizados e em condições de participação, atendidos pelos três CAPS do município (CAPS Adulto, CAPS Infantojuvenil e CAPS Álcool e Drogas). Na segunda etapa, iniciada em Março de 2025, os participantes foram divididos em grupos conforme o nível de escolaridade: usuários não alfabetizados foram encaminhados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), enquanto os alfabetizados foram direcionados para cursos de capacitação ofertados pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Econômico. A terceira etapa teve início em maio de 2025, contemplando os usuários alfabetizados e considerados aptos para participação em oficinas de simulação de entrevistas de emprego e elaboração de currículo, realizadas pelas equipes técnicas dos CAPS. Esses participantes também foram inseridos no primeiro PAT/PCD itinerante, realizado no CAPS Álcool e Drogas em 14/08/2025, seguido por novas edições em 11/09/2025, 30/01/2026, com previsão de nova ação em 24/02/2026. Paralelamente, a partir de Novembro de 2025, a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento passou a ofertar palestras de empreendedorismo, em parceria com o SEBRAE, direcionadas aos familiares dos pacientes nos CAPS, além de cursos e capacitações voltadas aos pacientes e à rede de apoio familiar.
Até o momento, 19 pacientes com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive com histórico de uso abusivo de substâncias psicoativas, foram reinseridos no mercado formal de trabalho. Trata-se de um público que anteriormente não conseguia sequer acessar entrevistas de emprego, vivenciando processos recorrentes de exclusão social e produtiva. Além disso, 22 pacientes encontram-se inseridos em cursos de capacitação nas áreas de Inteligência Artificial, Programação, Cozinha e Manipulação de Alimentos, Preparação de Sucos e Lanches, Panificação e Auxiliar de Logística, ampliando suas possibilidades de autonomia e geração de renda. Observou-se ainda que parte dos pacientes apresentava graves problemas odontológicos, fator que gerava constrangimento e discriminação em processos seletivos. Foram então encaminhados ao Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) do município, contribuindo significativamente para melhoria da autoestima e desempenho nas entrevistas. Cerca de 80 familiares participaram de uma edição de palestras de empreendedorismo, e nos grupos de participação familiar no PTS com oferta de inscrição em cursos pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento. Novas ações estruturadas estão previstas para iniciar em Março deste ano, ampliando os alcance do projeto.
Os resultados obtidos demonstram que a articulação intersetorial entre Saúde Mental, Educação, Trabalho e Desenvolvimento, Saúde Bucal é capaz de transformar trajetórias marcadas pela exclusão em projetos concretos de autonomia e inclusão produtiva. O Projeto Reconstruindo Pontes evidenciou que usuários com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive com histórico de uso abusivo de substâncias, quando acompanhados de forma estruturada e integrada, conseguem não apenas estabilidade clínica, mas também inserção social e laboral efetiva. A inclusão de familiares nas ações de capacitação e empreendedorismo fortaleceu a rede de apoio e ampliou as possibilidades de geração de renda e sustentabilidade do cuidado. A experiência reafirma o papel estratégico do CAPS como articulador de políticas públicas e demonstra que o investimento em ações intersetoriais promove dignidade, pertencimento e reconstrução de projetos de vida produtivos.
reconstruindo pontes, RAPS
TAIS DA LUZ CHAGAS