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A crescente demanda relacionada ao desenvolvimento infantil e à saúde mental na primeira infância, observada nas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) e nos serviços da Atenção Primária e Psicossocial, evidenciou fragilidades na comunicação e nos fluxos de encaminhamento entre Educação e Saúde. A fragmentação entre os setores resultava em encaminhamentos inadequados, dúvidas quanto ao papel da escola, insegurança profissional e sobrecarga dos serviços especializados, especialmente da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Municipal de Educação de Carapicuíba estruturaram um projeto intersetorial de formação continuada para coordenadores das EMEIs, com foco na qualificação do fluxo entre escola, UBS e CAPS Infantojuvenil, fortalecimento da corresponsabilidade e promoção do cuidado integral na primeira infância. A iniciativa alinha-se aos princípios do Sistema Único de Saúde e às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, fortalecendo a integração da Rede de Atenção à Saúde a partir do território.
Objetivo Geral Fortalecer a articulação entre Saúde e Educação, qualificando fluxos de encaminhamento e o cuidado intersetorial às crianças na primeira infância. Objetivos Específicos •Instrumentalizar coordenadores sobre marcos do desenvolvimento e sinais de alerta •Qualificar o fluxo entre EMEIs, UBS e CAPS IJ •Reduzir encaminhamentos inadequados •Promover espaço permanente de diálogo intersetorial •Fortalecer a corresponsabilidade entre escola, família e rede de saúde.
O projeto foi desenvolvido ao longo de 2025, com 15 encontros intersetoriais entre profissionais das Secretarias de Saúde e Educação e coordenadores das 51 EMEIs do município. As ações incluíram: •Reuniões técnicas para alinhamento de fluxos e pactuação intersetorial •Formações mensais com coordenadores •Discussão de casos reais •Construção coletiva de estratégias de manejo •Orientação sobre elaboração de relatórios escolares •Esclarecimento sobre critérios de encaminhamento para pediatria e CAPS IJ. A metodologia baseou-se em exposições dialogadas, análise de situações concretas da rede e construção participativa de fluxos, promovendo cogestão e integração entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde.
O projeto envolveu 51 EMEIs e 40 coordenadores, com 15 encontros intersetoriais ao longo de 2025. Na avaliação dos participantes, 34 coordenadores (99%) classificaram os temas como muito relevantes. Houve ampliação do conhecimento sobre desenvolvimento infantil, transtornos do neurodesenvolvimento e fluxo da rede para 28 participantes (82%), enquanto 5 (15%) relataram ampliação parcial. Quanto à identificação de sinais de alerta, 27 (79%) afirmaram sentir-se mais preparados e 8 (21%) parcialmente preparados. Sobre a compreensão dos transtornos do neurodesenvolvimento, 25 (72%) consideraram a abordagem clara. A compreensão do fluxo do CAPS IJ foi ampliada para 29 coordenadores (85%). Após a formação, 28 participantes (81%) relataram melhor entendimento do fluxo de encaminhamento entre pediatria e CAPS e da importância do relatório escolar. Além disso, 32 (97%) reconheceram maior clareza sobre a necessidade de estratégias pedagógicas antes do encaminhamento especializado. Os dados evidenciam qualificação técnica dos coordenadores, maior segurança profissional, melhoria na comunicação entre Educação e Saúde e fortalecimento do fluxo intersetorial na Rede de Atenção à Saúde.
A experiência demonstrou que a qualificação técnica da Educação, aliada à articulação estruturada com a Saúde, é estratégia potente para organizar a Rede de Atenção à Saúde a partir do território. Ao iniciar pela base — as EMEIs — o município fortaleceu a identificação precoce de demandas, reduziu fragmentações no cuidado e estruturou fluxos mais resolutivos entre escola, UBS e CAPS IJ. A iniciativa consolida a intersetorialidade como ferramenta de gestão, promove corresponsabilidade entre os setores e apresenta elevado potencial de replicabilidade para outras etapas educacionais, ampliando o cuidado integral à infância.
capacitação de educadores, intgração municipal
AUDREI RAVENA BORGES