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A Chikungunya é uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Embora a doença tenha ganho destaque em surtos mais visíveis, sua manifestação com sintomas semelhantes a outras, representa um desafio significativo para os serviços de saúde pública. A dificuldade de diagnóstico precoce pode resultar em surtos mais amplos, que prejudicam o controle e aumentam a carga sobre os sistemas de saúde. Este trabalho descreve uma experiência exitosa de identificação precoce e gestão de um surto silencioso de Chikungunya no município de Ubatuba, que acontece desde 2024 e com desempenho notório em 2025, sendo exemplo para os municípios da região. A ação foi caracterizada pela implementação de estratégias de monitoramento e resposta rápida, que não só permitiram mitigar os efeitos do surto localmente, mas também influenciaram positivamente na detecção da doença em municípios limítrofes. O objetivo principal deste estudo é apresentar os processos, metodologias e resultados que contribuíram para o sucesso na identificação precoce da epidemia, os impactos positivos na vigilância epidemiológica local e regional, e as lições aprendidas para fortalecer a resposta a surtos de arboviroses.
Avaliar a identificação e gestão da epidemia silenciosa de Chikungunya em Ubatuba, com ênfase na vigilância epidemiológica e nas estratégias de controle local e regional, descrever as metodologias empregadas para a identificação precoce do surto de Chikungunya, analisar a eficácia das ações de controle e prevenção implantadas para mitigar a disseminação da doença no município, avaliar os impactos da resposta local e em municípios vizinhos, identificar os desafios enfrentados durante o surto e as medidas adotadas para superá-los.
A iniciativa foi desenvolvida com foco na detecção precoce, na resposta oportuna e na organização da rede de atenção à saúde frente à circulação silenciosa da Chikungunya. A metodologia baseou-se no fortalecimento da Vigilância Ativa, por meio da análise de séries históricas e do monitoramento contínuo de sinais e sintomas característicos, como artralgia e artrite, nas unidades de saúde, qualificando a identificação precoce do evento. Foram utilizados sistemas oficiais de informação associados a banco de dados complementar para qualificação, validação e acompanhamento das notificações, aliados à triagem epidemiológica de fichas e atendimentos. Implantou-se Unidades Sentinelas para vigilância sindrômica, qualificação da assistência e coleta de amostras para confirmação laboratorial. A resposta envolveu articulação entre vigilância, atenção à saúde e controle vetorial, com ações focalizadas em áreas de maior risco, integrando medidas mecânicas, químicas e estratégias de mobilização comunitária para eliminação de criadouros. O monitoramento incluiu investigação epidemiológica sistemática, identificação de áreas de transmissão e acompanhamento dos casos. As ações de educação em saúde e comunicação de risco fortaleceram o vínculo com a comunidade e a busca oportuna por atendimento. A avaliação do impacto baseou-se na análise de indicadores de incidência, comparando períodos pré e pós-intervenção, sustentada por educação permanente e salas de situação e comando no município.
A execução das ações de identificação precoce resultou em impactos significativos na adoção de medidas para detecção de novos casos. A comparação interanual evidenciou aumento de 262,5% nas notificações de casos confirmados de Chikungunya, passando de 40 em 2024 para 145 em 2025, reforçando a importância da vigilância ativa e da adoção de estratégias antecipatórias para organização da resposta do SUS no território. Isso foi fundamental para que medidas de controle fossem aplicadas. Com a disseminação precoce das informações sobre o crescimento de casos, os municípios vizinhos adotaram medidas preventivas similares, o que contribuiu para a identificação da epidemia na região. A taxa de incidência de novos casos nos municípios vizinhos foi significativamente maior do que em outros anos. A capacitação e o envolvimento das equipes de saúde foram essenciais para o sucesso das intervenções, que com as novas metodologias de vigilância melhoraram a qualidade da resposta e aumentaram a eficiência no diagnóstico e no controle do agravo.
A experiência de identificação precoce de circulação de Chikungunya neste município representa uma boa prática em vigilância epidemiológica e resposta rápida a surtos, evidenciando a capacidade de organização do SUS. A implementação de monitoramento ativo, integrada a ações de controle vetorial e ao protagonismo da gestão municipal, foi determinante para o sucesso da intervenção. O êxito da experiência reforça a importância da articulação entre vigilância, atenção à saúde e controle de endemias, da coordenação entre os diferentes níveis de governo, da capacitação contínua das equipes e da participação popular. As lições aprendidas foram replicadas à outros municípios, aprimorando a resposta regional às arboviroses. Recomenda-se fortalecer os sistemas de vigilância epidemiológica e ampliar o uso de tecnologias de monitoramento em tempo real, garantindo respostas mais ágeis e eficazes. A experiência demonstra não apenas uma resposta exitosa à Chikungunya, mas também, reforça a importância de um SUS integrado, resolutivo e preparado para os desafios das doenças emergentes
Chikungunya, identificação, epidemia.
ALYNE CHRISTINA BITTENCOURT AMBROGI COLI, GABRIELA FERREIRA RAMOS DA CRUZ, JORGE LUIZA DANTAS, LUAN SANTOS COIMBRA, WELLINGTON APARECIDO LIRA, SIMONE BRITO DOS SANTOS MARCONDES