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Feridas crônicas em membros inferiores representam relevante problema de saúde pública no Sistema Único de Saúde, sobretudo em pessoas com Diabetes Mellitus descompensado, devido ao alto risco de infecção, necrose, amputações e reinternações, além de elevados custos assistenciais e maior exposição a infecções hospitalares. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel estratégico no acompanhamento territorial, garantindo continuidade do cuidado, desospitalização segura e uso racional dos recursos públicos, fortalecendo a eficiência da gestão municipal (Ministério da Saúde, 2012; 2013; 2014). Relata-se experiência de cuidado domiciliar realizada pela enfermeira da ESF Planejada I, em Bragança Paulista, entre agosto e dezembro de 2025, com o paciente PRBC, 70 anos, portador de múltiplas comorbidades e ferida complexa em membro inferior direito após desbridamento hospitalar, condição que tradicionalmente demandaria seguimento em nível secundário ou terciário. O Diabetes Mellitus descompensado associa-se a alterações microvasculares, neuropatia e prejuízo da cicatrização, elevando o risco de lesões graves e amputações (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023–2024). O acompanhamento domiciliar pela APS possibilitou continuidade terapêutica em ambiente seguro, com redução de custos hospitalares, menor risco de infecção cruzada e prevenção de amputação. O uso do hidrogel, tecnologia acessível e baseada em evidências, mostrou-se eficaz no manejo da ferida, fortalecendo
Relatar a experiência do uso de hidrogel no tratamento domiciliar de ferida complexa em membro inferior de paciente diabético pós-desbridamento hospitalar, no âmbito da Atenção Primária à Saúde, descrever a evolução clínica da lesão e evidenciar a contribuição da atuação sistematizada da enfermagem na cicatrização, prevenção de complicações e redução do risco de amputação. Adicionalmente, demonstrar o impacto econômico e social do cuidado domiciliar ao demonstrar a redução de custos hospitalares, a diminuição do risco de infecção cruzada, a prevenção de reinternações e o uso racional dos recursos públicos, reforçando a eficiência da gestão municipal e a capacidade resolutiva da Atenção Primária à Saúde na coordenação do cuidado no território.
Trata-se de relato de experiência decorrente do acompanhamento domiciliar de paciente idoso, realizado entre agosto e dezembro de 2025. As intervenções foram conduzidas pela enfermeira da Estratégia Saúde da Família, com avaliação clínica sistematizada baseada no Processo de Enfermagem, registros evolutivos em prontuário e documentação fotográfica seriada para monitoramento da evolução da ferida (Ministério da Saúde, 2012; 2013). Após alta hospitalar por desbridamento mecânico de tecido necrótico em pé direito, o paciente apresentava ferida complexa em região lateral, com tecido desvitalizado residual, exsudato moderado e pele perilesional ressecada. A técnica assistencial incluiu limpeza com solução fisiológica a 0,9% em jato suave, higienização da pele adjacente com sabonete neutro e secagem cuidadosa com gaze estéril. Quando necessário, realizou-se desbridamento mecânico conservador com lâmina estéril, removendo tecido desvitalizado. Utilizou-se hidrogel como cobertura primária, favorecendo o meio úmido e o desbridamento autolítico, associado à proteção da pele perilesional com pomada de óxido de zinco e gaze estéril como cobertura secundária. A esposa foi orientada quanto ao procedimento, cuidados locais, adesão ao tratamento e trocas diárias, fortalecendo o autocuidado no domicílio.
Observou-se desbridamento autolítico progressivo e eficaz, com remoção gradual de tecido desvitalizado, redução do exsudato e formação de tecido de granulação viável, sem sinais clínicos de infecção, conforme descrito na literatura (Geovanini et al., 2014). Inicialmente, a ferida media 7 cm x 5 cm, com profundidade aproximada de 2 cm e exposição óssea, caracterizando lesão complexa e de alto risco. Durante o acompanhamento domiciliar, houve redução progressiva da área e profundidade, com cobertura gradual da estrutura óssea por tecido de granulação saudável e melhora da pele perilesional. Em cerca de 12 semanas, observou-se redução superior a 70% da área, evoluindo para epitelização avançada ao final de 18 semanas, em dezembro de 2025. Não houve necessidade de reinternação, antibioticoterapia sistêmica ou encaminhamento para outros níveis de atenção. O cuidado domiciliar contribuiu para reduzir riscos de infecção cruzada e custos assistenciais, evidenciando eficiência da gestão municipal. A Atenção Primária demonstrou capacidade resolutiva no manejo seguro de ferida complexa no território. O paciente e familiares relataram elevada satisfação, destacando conforto, permanência no ambiente familiar e maior adesão ao tratamento, favorecendo o processo de cicatrização.
O uso do hidrogel no cuidado domiciliar, associado à atuação sistematizada da enfermagem na Atenção Primária à Saúde, contribuiu para a evolução clínica satisfatória de ferida complexa em paciente diabético, favorecendo o desbridamento autolítico, a formação de tecido viável e a prevenção de complicações. A experiência evidenciou a importância do acompanhamento longitudinal, da educação em saúde e do cuidado centrado no território, reforçando o papel da enfermagem na coordenação do cuidado e na redução de internações evitáveis. Trata-se de prática eficaz, de baixo custo e passível de replicação nos serviços do SUS, fortalecendo a continuidade do cuidado, a desospitalização e a resolutividade da Atenção Primária à Saúde. Dessa forma, a experiência reafirma a capacidade da Atenção Primária à Saúde de assumir, com segurança e efetividade, o manejo de condições complexas no território, qualificando o cuidado e otimizando os recursos públicos.
Feridas crônicas, Diabetes Mellitus.
FERNANDA ANDRADE DOS REIS PEREIRA, CARMEM SILVIA GUARIENTE, CRISTIANE CHIARION VIDIRI, CLARA BRITO ALVES, LISAMARA DIAS DE OLIVEIRA NEGRINI