A 14ª Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios, que ocorreu durante o 31º Congresso do COSEMS/SP, em Santos (março de 2017), celebrou o VII Prêmio David Capistrano, entregue aos 10 melhores trabalhos apresentados. A Mostra contou com 378 experiências inscritas.
O site do COSEMS/SP trará o relato dos trabalhos premiados, com a participação dos autores, como forma de compartilhar ideias e boas práticas em Saúde municipais.
A primeira publicação será do município do Guarujá. Confira!
A Redução da Taxa de Mortalidade Infantil do Município de Guarujá (SP) a partir de um esforço intersetorial e da responsabilização de cada ponto da rede de Saúde
Diante um cenário crescente na taxa de mortalidade infantil, ocupando a primeira posição entre os municípios da Baixada Santista em 2014, o Guarujá, por meio do Comitê de Investigação de Óbito Materno Infantil, identificou que a inadequada atenção à mulher durante a gestação era responsável por 51% das ocorrências.
Os principais motivos para o aumento da mortalidade infantil são: assistência inadequada ao pré-natal, deficiência na assistência hospitalar aos recém-nascidos, ausência de saneamento básico e desnutrição.
Através dos dados colhidos foram desenvolvidas diversas estratégias para fortalecer e qualificar a assistência pré-natal no município, com responsabilização dos vários atores e definição dos papeis de cada um.
No ano de 2015, todas as enfermeiras da rede básica foram submetidas a visitas à maternidade para acompanhar a forma como as gestantes chegavam ao hospital, conhecer o processo desde a recepção da gestante, parto e pós parto, a forma como as gestantes estavam orientadas e os registros que elas portavam em suas carteirinhas de pré-natal.
Demonstrou-se a necessidade de maior vínculo do serviço com a gestante, melhora no preenchimento de dados primários das carteirinhas, bem como realização de exames em tempo oportuno.
“O grupo de trabalho contemplou todas as enfermeiras da rede de Atenção Básica, os médicos ginecologista e obstetras e os médicos do programa de saúde da família, que atendem na atenção básica, além dos agentes comunitários e parcerias com saúde mental, DST/AIDS e vigilância epidemiológica. O maior desafio foi e continua sendo sensibilizar todos os atores envolvidos”, destacou a médica Fernanda Bessa Lafayette, coautora da experiência.
Dentre as ações desencadeadas estão:
• Captação e acolhimento precoce das gestantes; com testes rápidos de gravidez e abertura imediata do pré-natal e se teste negativo encaminhamento ao planejamento familiar.
• Humanização do atendimento pré-natal: revisão dos protocolos de exames laboratoriais, realização de teste rápido para VDRL E HIV, agendamento de USG transvaginal precoce, adequação do calendário vacinal e avaliação do risco gestacional na abertura do pré-natal e nas consultas subsequentes.
• Consulta odontológica agendada.
• Ampliação dos agentes comunitários fazendo busca ativa das gestantes faltosas.
• Parceria com a Promotoria Pública para a convocação das gestantes faltosas de maior vulnerabilidade
• Revisão de protocolos de doenças do ciclo gravídico puerperal.
• Atualização das fichas, carteira do pré-natal e fluxo de atendimento.
• Implementação do projeto Implanon para gestantes com alta vulnerabilidade.
• Identificação das gestantes de risco e encaminhamento ao pré-natal de médio e alto risco.
• Reuniões com todos os profissionais envolvidos com o pré-natal para conscientização da importância da melhoria da qualidade do pré-natal.
Resultados
Em apenas um ano o percentual de consultas de pré-natal aumentou de 67,57% em 2013 para 72, 96% em 2015. O indicador de Percentual de Nascidos Vivos de mães menores de 20 anos apresentou melhora de 17, 49% em 2013, a 16, 82% em 2015.
Em consequência da melhora da qualidade de assistência ao pré-natal, os indicadores gerais mostraram que a Taxa de Mortalidade Infantil tornou-se decrescente.
Evolução da Taxa de Mortalidade Infantil no de 2009 a 2016
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2009 |
2010 |
2011 |
2012 |
2013 |
2014 |
2015 |
2016 |
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18,8 |
19,3 |
23,1 |
19,3 |
21,4 |
18,2 |
16,5 |
13,5
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O coeficiente de mortalidade infantil em 2016 do município de Guarujá foi de 13,5 com uma diminuição de 18,19% comparado ao ano de 2015, sendo o índice mais baixo desde 2009.
A redução da Taxa de Mortalidade Infantil é um objetivo perseguido pela Gestão Municipal de Saúde, sendo também uma das 8 metas de Desenvolvimento do Milênio, proposta pela ONU.
“Atualmente com a nova administração estamos em trabalho para educação permanente e novas capacitações. São muitos profissionais e o processo continua com novos desafios e novos atores”, disse Fernanda.
COSEMS/SP