Nascido em Mayabeque, província localizada a 40 minutos da capital cubana Havana, Michael Saavedra Herrera é um dos 20 médicos cubanos do programa Mais Médicos alocados em Embu da Artes, município da região metropolitana de São Paulo. Há quase três anos no Brasil já possui um português fluente e não esconde a vontade de permanecer no país por um longo período. “Se puder me aposento aqui”, disse.
Herrera contou que logo após o convite para atuar no Brasil ficou com receio devido à dificuldade com a língua. “Iniciamos um curso de português em Cuba e depois estudei mais dois meses aqui. É uma língua difícil”, explicou.
O médico, da Unidade Básica de Saúde Eufrásio, que pouco antes atuou em missão semelhante na Venezuela, por sete meses, se mostrou surpreso com a estrutura da cidade e o ambiente acolhedor proporcionado pelos brasileiros. “Imaginava outra coisa quando se falava de favelas e a violência local. Não foi nada disso que vi aqui. Minha adaptação foi rápida”, afirmou.
Maria das Mercedes Nazaré, usuária da UBS Eufrásio e conselheira de Saúde, disse que Michael é famoso na comunidade e todos gostam dele. Segundo ela, o médico é atencioso e humilde. “Atende de forma amorosa, participa das reuniões e a proximidade é ótima para nós. Criou um vínculo com todos”. E completou: “A quantidade de médicos na região é pequena e temos que batalhar para os que estão aqui continuem”.
Junto com Michael outra médica cubana, Maria Yermes Duany, trabalha desde o primeiro ciclo de provimento, em agosto de 2012. “No início sofremos muita resistência, mas persistimos e batalhamos para mudar”, declarou.
Com experiência de missões em outros três países, Venezuela, Guatemala e Honduras, a médica destacou a organização do SUS e como a forma de atendimento dos cooperados pode ajudar na transformação dos hábitos médicos no Brasil. “Procuramos fazer uma abordagem completa, demonstramos que temos conhecimento. Toda nossa equipe de trabalho é muito unida e nos auxilia bastante”.
Com cerca de 260 mil habitantes, Embu obteve, desde o início do programa, em 2013, aumento de 50% na cobertura populacional na atenção básica por parte das Equipes Saúde da Família. Foram mais de 88 mil consultas em 2015 frente à cerca de 52 mil em 2013.
Para a secretária de Saúde de Embu, Sandra Magali Barbeiro, a vinda dos médicos pelo programa proporcionou queda nos atendimentos de pronto socorro e mudou a concepção da assistência. “Conseguimos organizar melhor o fluxo do acesso. A Atenção Básica estruturada nos deu essa possibilidade. Os médicos cooperados conseguem uma proximidade melhor com a comunidade, são muito bem aceitos”.
Preocupação
Com a possibilidade de descontinuidade do provimento estabelecido pelo programa, a secretária pautou o tema e sua preocupação no Conselho de Saúde do município, “Essa ação foi necessária para mobilizar todos quanto ao impacto que pode causar em nossa Saúde. Estamos gastando mais de 27% das receitas na Saúde. Com a saída dos médicos não teremos mais repasses do Ministério da Saúde para as equipes criadas”, ressaltou. O repasse do PAB variável vinculado à estratégia saude da família exige regularidade de cadastro das equipes para repasse financeiro regular. O médico cooperado que terá seu contrato finalizado e que não for substituído em 90 dias no CNES, pode comprometer o repasse federal para equipe que ele compunha.
O município de Embu já abriu vaga em dois diferentes concursos, mas não conseguiu o preenchimento dos cargos destinados a profissionais médicos. ”A fixação de médicos na região está difícil. Não podemos deixar a população desassistida”, alertou a secretária. A UBS Eufrásio possui três Equipes Saúde da Família é responsável pela cobertura de 12.000 pessoas em Embu.
Composição
O Ministério da Saúde determina que a Equipe Saúde da Família (ESF) completa é composta por equipe multiprofissional que possui, no mínimo, um médico generalista ou especialista em saúde da família ou médico de família e comunidade, um enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, dois auxiliares ou técnicos de enfermagem e cerca de três ou quatro agentes comunitários de saúde (ACS) para cobertura recomendada de 2.000 pessoas. Pode-se acrescentar a esta composição, como parte da equipe multiprofissional, os profissionais de saúde bucal (ou equipe de Saúde Bucal-eSB): um cirurgião-dentista generalista ou especialista em saúde da família, um ou dois auxiliares e/ou técnicos em Saúde Bucal.