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Na cidade de São Paulo, a profilaxia pré exposição ao HIV (PrEP) passou a ser ofertada por algumas unidades da Rede Municipal Especializada em IST/Aids (RME) em 2018, tendo como foco populações mais vulnerabilizadas à infecção, como trabalhadoras do sexo, mulheres transgênero e travestis e gays e outros homens que fazem sexo com homens. Nos anos seguintes, a oferta da PrEP foi ampliada para toda a rede especializada, sendo ofertada em todos os Serviços de Atenção Especializada (SAE) e Centros de Testagem e Acolhimento (CTA) do município. Em 2022, a indicação para o uso da PrEP é ampliada para adultos e adolescentes a partir de 15 anos que estão sob risco acrescido de se expor ao vírus do HIV, abrangendo novos segmentos populacionais, como mulheres cisgênero para além das trabalhadoras do sexo e mulheres em relacionamentos sorodiscordantes. Desde os anos 2000, as mulheres cisgênero têm sido foco para estratégias de Prevenção ao HIV na cidade de São Paulo.
Analisar o perfil das mulheres cisgênero cadastradas em PrEP na cidade de São Paulo de 2018 a 2024.
Após encaminhamento dos dados referentes aos cadastros de PrEP na cidade de São Paulo pelo Ministério da Saúde, com base nas informações preenchidas no Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM), analisou-se os dados das usuárias que se identificaram como mulheres cisgênero, que tenham realizado ao menos uma retirada da PrEP no município, de 2018 a 2024. O atendimento a essas usuárias pode ter ocorrido no espaço das unidades da RME, em ações extramuros com testagem e oferta da PrEP e da PEP em locais acessados pela população em questão, ou por meio da plataforma SPrEP – PrEP e PEP Online, a partir de teleatendimento. As informações analisadas foram número de novos cadastros por ano, escolaridade das usuárias, raça/cor autodeclarada, se desempenha trabalho sexual ou não, e faixa etária.
Ao total, a cidade de São Paulo possuía 54.114 cadastros em PrEP, registrados de 2018 a 2024. Desse número, 13,5% (n=7.284) correspondem a mulheres cisgênero. Do primeiro ao último ano analisados, o aumento de novos cadastros em PrEP por essas mulheres foi de 2.046,8% (n1=171; n2=3.500). Os anos em que esse crescimento se sobressaiu foram 2023, com um aumento de 204% (n=1.636) de um ano para o outro, e 2024, com aumento de 213,9% (n=3.500). Com relação ao perfil dessas usuárias, a maior parte informou não ter concluído o Ensino Médio, correspondendo a 64,1% (n=4.669), enquanto 34,7% (n=2.529) finalizou essa etapa, podendo ou não estar cursando ou ter cursado o Ensino Superior. Quanto à raça/cor autodeclarada, 57,9% (n=4.214) são mulheres negras (pardas e pretas), e 40,3% (n=2.935) identificam-se como brancas. Apenas 8,4% (n=612) das mulheres cisgênero cadastradas em PrEP no município de São Paulo informaram realizar trabalho sexual, enquanto 82,2% (n=5.988) não tem registro quanto ao exercício de trabalho sexual ou não.
Desde o início da oferta da PrEP na cidade de São Paulo foi possível contemplar o crescimento dos cadastros de mulheres cisgênero para uso dessa profilaxia, ainda que representam pouco mais de um décimo dos cadastros totais da cidade. Em 2023 e 2024, em que o aumento do cadastro dessas usuárias em PrEP foi mais expressivo, foi dada ênfase nas estratégias de testagem e oferta de prevenção extramuros, que busca acessar as populações mais vulnerabilizadas à infecção do HIV em seus espaços de lazer, cultura, de assistência social, entre outros. Ainda, é possível identificar a potencialidade das estratégias utilizadas para alcançar a população de mulheres cisgênero no que tange a prevenção ao HIV a partir da PrEP, tenho em vista as transversalidades de raça/cor e escolaridade. Conforme apontado acima, houve significativo crescimento do cadastro em PrEP entre mulheres cisgênero negras e mulheres com escolaridade abaixo de 12 anos, sem Ensino Médio completo. Por fim, quanto aos dados referentes ao trabalho sexual exercido ou não pelas usuárias analisadas no trabalho em questão, conclui-se que correspondem a uma sub representação, uma vez que o número de mulheres que optaram por não responder ou não foi registrada a informação, foi alto.
HIV, PrEP, acesso, saúde pública
ADRIANO QUEIROZ DA SILVA, ELIANE APARECIDA SALA, MARCIA APARECIDA FLORIANO DE SOUZA, CRISTINA APARECIDA DE PAULA, MARIA CRISTINA ABBATE