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Através dos cuidados de enfermagem é possível reconhecimento do sujeito com potencialidade para o autocuidado e o desenvolvimento de habilidades para o enfrentamento do sofrimento e outras situações dinâmicas da convivência em sociedade. Um exemplo destes provimentos de automanutenção no tratamento foi compreender a eficiência terapêutica do uso de medicamentos. Em 2023, iniciamos a promoção de educação em saúde com os usuários para garantir a adesão ao tratamento de forma concebível em considerar os benefícios das terapias não medicamentosas agregadas aos farmacoterápico ponderando os múltiplos fatores que possam interferir na integralidade da saúde englobando a gestão da administração do medicamento até a geração do produto final compreendido como resíduos de saúde. A Gestão Autônoma da Medicação, citada por CAMPOS (2014,2017), se elucidou como uma estratégia prática que poderia ser aplicada de maneira compartilhada para a equipe multidisciplinar, na qual, orientamos sobre os cuidados com uso dos psicofármacos, considerando seus efeitos singulares na convivência do usuário. Os profissionais de saúde mental, predominantemente os médicos, perfazem as consultas com o tratamento supervisionado e de dispensação de psicotrópicos para o paciente na unidade. Em virtude das diversidades na composição da equipe, assim como, um dispensário de medicamentos ser facultativo nos expedientes dos CAPS, vinculamos a demanda a uma oportunidade de sistematizá-lo na assistência de enfermagem.
Promover atendimento de qualidade no consumo consciente e seguro de psicofármacos, construindo projetos terapêuticos singulares (PTS) que incluam atividades de socialização, sustentabilidade e protagonismo do usuário e familiar. Implantar atividades educativas que ampliem a rede de apoio do usuário na inclusão social, autogestão do tratamento e construção de espaços coletivos de trocas de vivências para reduzir o número consultas e intervenções a crises relacionadas ao uso inadequado de psicotrópicos.
A atividade coletiva dispõe de estratégias direcionadas a aumentar as possibilidades de trocas, valorizando o sujeito e seu contexto social. A prática acontece semanalmente às sextas-feiras na sala de oficinas do CAPS II na presença de 5 a 8 participantes em média separados em dois momentos. Familiares e usuários são orientados a trazer os receituários médicos, os medicamentos e recipientes para guardar os comprimidos em uso. A oficina é dividida em duas partes, sendo cumprida a partir da demanda materializada pelo civil ou disparada pelo PTS construído pela equipe multidisciplinar. O primeiro momento se destina a reflexão das dificuldades de convivência e apresentação pessoal, acontecendo em média de 30 a 50 minutos e após, inicia-se a leitura dos receituários, separação dos comprimidos em grupo ou individual e orientações de educação popular, utilizando-se em média de 30 a 40 minutos.
A assistência integral em grupos e/ou oficinas terapêuticas foram essenciais na identificação prematura de mudanças de comportamento e outros sinais agudizados do quadro sintomático no contexto de socialização, ambiência e distúrbios psicoafetivos dos usuários participantes. Observou-se a relevância do fracionamento e da dispensação farmacológica no cuidado psicossocial no decorrer dos primeiros 3 meses de encontro para garantir a autogestão das práticas em saúde. De maneira inusitada no contato com os usuários, foi revelado a escassez das habilidades de leitura e escrita além dos desafios no descarte correto dos medicamentos vencidos e dos não utilizados em virtude de tratamentos irregulares ou medicamentos adquiridos por excessos, tornando-se uma realidade do território a possível segregação destes resíduos de saúde contaminantes em lixo comum. Os usuários aos poucos concluem que o despertar para as ações diárias e mudanças de comportamentos proviam também do uso consciente dos medicamentos e que seus efeitos perduraram em tempos e horários diversos durante o dia ou à noite. Perceberam que seus efeitos adversos poderiam ser minimizados diante das mudanças do estilo de vida relacionando a reeducação alimentar, atividades físicas e diálogos abertos
A criação de formas associativas de organização do usuário no seu próprio tratamento medicamentoso ficou evidente na condução dos grupos e nos atendimentos individuais. Considerando as demandas apresentadas pelos usuários com condições crônicas dentro dos conceitos psicossociais, percebemos a necessidade de ampliar as abordagens envolvendo processos de alfabetização, a execução de procedimentos intersetoriais para expandir as oportunidades da autonomia, garantir a comunicação e educação popular e a consolidação de linhas do cuidado de enfermagem em saúde mental ancoradas nas ciências da farmacovigilância. A aproximação dos serviços de assistência farmacêutica e a elaboração de estratégias de ensino-aprendizagem (ambiental, gramática, educação em saúde) para consolidar o fluxo de descarte correto de medicamentos de uso doméstico também são processos a se considerar.
Gestão Autônoma da Medicação na saúde mental
Ana Carolina de Amorim Nascimento, Duilia Santos Gomes da Silva